"Se chorei ou se sorri, o importante é que em Poções eu vivi"

quarta-feira, 30 de março de 2011

O Palladino do Sudoeste

Reencontrei em Itabuna, semana passada, o meu amigo Lindolfo José de Brito Palladino - Zé Palladino.

Deixou Poções depois de algumas decepções na política. Mas, também deixou obras quando foi vice-prefeito, entre elas, o Terminal Rodoviário. A placa de inauguração está afixada logo na entrada. Foi para Itabuna e recomeçou a vida trabalhando com os seus tratores.

Antes, pintou frases nos muros da nossa cidade para externar as suas idéias e sentimentos: “Acredito no futuro da minha terra” e “Amanhã, mesmo que uns não queiram, será de outros que esperam ver o dia raiar”, parafraseando o artista Guilherme Arantes.

Apesar de não ser vidente, encerrou a sua carreira política com as frases acima. Isso é coisa do passado, assunto encerrado, como ele disse. “Tenho que agradecer o que consegui com o fruto do meu trabalho. A casa caiu no meu ombro quando meu pai morreu”.


Nos encontramos uma vez em Itabuna. Jantamos em um restaurante de rodízio de Sushi com várias cervejas, pois as histórias eram longas e muitas. Vestido com uma camisa do Vasco ainda ensaiou algumas gozações mas não foi longe.

Relembramos uma Poções belíssima. A medida que contávamos as histórias, os personagens iam saindo. Lembrou de Duza Bombeiro e a história de tirar um torrado (tirar o torrado era uma brincadeira que se fazia com as crianças do sexo masculino). Duza, enquanto abastecia um carro, não percebeu que a criança era uma menina e foi tirar o torrado. Rolou o maior pau porque o pai da mesma entendeu que Duza era um pedófilo.

Falamos de Chico Pescocin, um mecânico reapertador de carros. Era famoso e todos tinham a preferência por ele – vivia entre os postos de Miguel Labanca e o de Vicente Palladino/Pasquale Palladino. Lembramos de Licinho (Wilson Fernandes Moreira) e me perguntou se eu sabia o que ele fazia nos finais de ano: “Se vestia de Papai Noel e ia entregar presentes lá em casa e em outras casas também”. As histórias, naquele dia, só terminaram quando nos despedimos na Sorveteria Danúbio Azul, ali na Cinquentenário, depois de tomarmos umas bolas de sorvetes.


Dia seguinte, o café foi servido na sua casa, mas depois de vermos uma obra de terraplenagem. Reuniu na sua casa alguns amigos empresários do nosso ramo. Tive o prazer de conhecer Alice e Ana, suas filhas, duas pequenas princesas. Orgulhoso, ele disse que os olhos de Ana eram azuis, fruto da mesma genética de Seu Lindolfo, o avô materno.


Depois do almoço chegou Pipinho, seu filho mais velho, com uma caixa de isopor cheia de fotografias de Poções. Fomos vendo uma por uma e relembrando as histórias. Os olhos de Zé brilharam quando viu uma foto ao lado do pai Giuseppe Palladino na camionete de Arnóbio da Cachaça, estacionada no Posto de Miguel Labanca. O pai vestia um impecável blazer e bigode aparado. 


Eu tinha hora marcada para voltar e não pude reviver as histórias que cada foto mostrava.

Foi muito boa essa convivência rápida. Serviu para lembrar que os amigos são aqueles que nós carregamos na lembrança e que precisamos de uma pequena presença para perpetuarmos o nosso passado. Eles esperam por nós.


Obrigado a Zé, Pipinho e as doces princesas Alice e Ana pelas presenças. .

terça-feira, 22 de março de 2011

Em Poções, 19 horas...

A cidade cresceu bastante. Mesmo assim, a comparação do movimento da praça com os anos passados é exatamente igual – tem horas que não se vê “viva alma” transitando a pé. Excluem-se as motocicletas, que consigo enxergar pelo menos cinco delas transitando por vez.

Tem tardes de domingo que a praça toma ares de cidade fantasma. Eu costumo dizer que todos fugiram porque explodiram uma bomba atômica. Isso é sinal de cidade pacata, pensam os outros. Fidélis do Arroz, mais radical, já dizia: Cidade que tem alto-falantes e quebra-molas não serve mais para morar. Também, não é assim – se acostuma.

Sentado na balaustrada de casa, fugindo das muriçocas que infestam a cidade às 18 horas, vejo que o movimento é o mesmo de sempre. O sobe e desce das pessoas com o pão na mão, o movimento começando na academia de Rosita Palladino, as lojas fechando as portas e alguém ainda abastecendo no posto de Miguel. Vez ou outra passa um amigo e cumprimenta com um toque de buzina, mas não dá para reconhecer porque a película é muito escura e respondo com um aceno de mão.

No mais, ainda quando existia o bar de Alex, dava para tomar uma e trocar meia hora de prosa com Paulin de Doca. No carnaval, Paulin disse que já havia jogado no bicho e apostado nas duas vacas (00 99), que é o número da placa do meu carro e garante que, quando ganhar, vai me dar uma vaca, pelo menos. Agora, ele faz dupla com Juzinho Nápoli. Conhecem e contam muitas das histórias da Rua da Itália, confirmadas por Ito Pezão.

O "zumbido" dos motores das motocicletas é constante e parece que circulam dentro de casa (por mais que não queiramos, o silêncio de Conquista é mais paradisíaco para dormir que em Poções. Lá não tem muriçoca e nem motocicletas circulando o tempo todo).

No vazio do passado, o rádio trazia muito mais sensação e companhia. Sentado na varanda, eu observava o mesmo movimento e os cavalos eram as motocicletas. Mesmo à noite, tinha vezes que passava um bêbado montado e parecia que ia despencar da sela. O cavalo sabia o caminho de casa.

Ouvia as paradas de sucessos, comum em qualquer estação de rádio. As músicas eram outras que não cabem nos potentes sons dos carros de hoje. “Férias na Índia” e “A Namorada Que Sonhei”, de Nilton César, eram as mais tocadas, preferidas e pedidas por cartas. Na radiola de Paulin de Doca, a gente quase furava o disco, como se dizia quando tocava uma música sem parar. A radiolinha acolchoada, com a tampa em duas partes, mista de pilha e luz, vendida na Insinuante, era o sucesso. E o sucesso? todos nós sabíamos a letra:

“Receba as flores que te dou. Em cada flor um beijo meu, são flores lindas que te dou, rosas vermelhas com amor, amor que por você nasceu...”

Naquele tempo, vendo o sobe e desce das pessoas, sintonizava meu radinho Semp, portátil, e ouvia a Ave Maria, as paradas e as resenhas esportivas. Rolava o dial da direita para esquerda com o ponteiro guiado por um cordão, até a hora em que as estações anunciavam A Voz do Brasil ao som de “O Guarani”, de Carlos Gomes:

“Em Brasília, dezenove horas...”

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terça-feira, 15 de março de 2011

O Sílvio Santos de Poções (Altamirando Alves)

Tenho certeza que Poções sempre foi repleta de historiadores e contadores de casos. Se não escrevem, pelo menos soltam as histórias. São tantas que em um simples final de semana a gente escuta e repassa o filme da vida na memória.

Dessa vez, fiquei o Carnaval inteiro refugiado em Morrinhos, reabastecendo as baterias com a bonita vista da barragem que se tem no alto da varanda da Fazenda Madeira.

Passou por lá um cidadão que tem mais nome de mulher que de homem – Altamirando, que é conhecido como Valter Gabriela, ou simplesmente Gabriela ou Jeans Gabriela. O freguês é quem escolhe e tem até quem o chame de Seu Gabriela. Eu tenho certeza que após tanta história, poderia ser chamado de "Sílvio Santos poçõense". As conversas foram longas e cada vez que eu abria a boca para contar uma história, ele contava duas e dizia: “Anote essa daí para seu blog”.
Gabriela é uma referência no comércio de Poções. Foi ganhar a vida em São Paulo e após juntar as economias, gastou tudo com a morte da mãe. Retomou o trabalho e correu atrás de novas possibilidades de levantar o seu comércio.

Me contou que uma vez chegou para o seu ex-patrão e disse que queria trocar um fusca por centenas de calças jeans. Trouxe tudo e veio vender na nossa cidade. Com pouco tempo, estava lá para comprar outro lote maior ainda, dessa vez com crédito.

Passeou por diversos pontos comerciais até receber o convite de Valtesson, o Gordo da Farmácia, para se associarem e comprarem o prédio onde hoje funciona a sua loja. Sem um real no bolso, confiando no amigo, partiram para Vitória da Conquista para tratarem do assunto. Convenceu a vendedora que deveria pagar o valor integral somente alguns meses depois do acerto, sem necessidade de parcelamento. O amigo disse: "Toma logo a minha parte e o resto é com você". Trabalhou duro e antes do prazo já havia liquidado a compra.

É certo que ele não trabalhou tanto assim sozinho. Dona Rosangela sempre foi o seu braço direito e carregou o negócio junto com ele, transformando na beleza de loja que é a Jeans Gabriela, na praça principal de Poções.

É um admirador de caminhadas e me convidou para andar na minha próxima ida a Poções. Eu já aceitei - não para perder a barriga, mas para ouvir as suas histórias.




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segunda-feira, 14 de março de 2011

Nota de desfalecimento

Já me disseram que o blog está se tornando um grande obtuário. Infelizmente, é uma tarefa que eu não posso deixar de fazer, que é comunicar as passagens dos nossos amigos e entes queridos.

Mas, para descontrair e contar um pouco de história, retornei hoje à normalidade depois do carnaval e de algumas viagens de trabalho. Almocei com os colegas Edson Cabeça, Domingos Schettini e Gleiko Brito, que são do interior e conhecem bem essas passagens características.

Comentei sobre as mudanças na comunicação de antes e hoje. É que algumas pessoas foram à nossa casa na parte da tarde quando o sepultamento da minha mãe já havia ocorrido no período da manhã, sem contar que muitos não souberam do fato, mesmo estando em Poções.

Falei de quantas vezes fui tocar o sino para anunciar a ocorrência de falecimentos. Trabalhava de coroinha na Igreja e essa era uma das minhas tarefas quando o sacristão não podia fazer – aprendi a seqüência do toque com Tonhe Gordo. Em seguida, o serviço de alto-falantes, na voz de Vicente Ventura, anunciava a ocorrência e o horário do enterro, ao som da Ave-Maria. Toque de sino e alto-falante combinavam. Vicente dizia:

"Nota de falecimento. A família de fulano comunica o falecimento de beltrano, ao tempo em que convida para o seu sepultamento às tantas horas, saindo o féretro da sua residência para o cemitério da cidade. A família enlutada agradece por este ato de fé e piedade cristã".

Mas, Domingos, que morou em Coaraci, atento a minha história, contou um fato interessante para confirmar a velocidade da informação no passado:

Houve um acidente entre Coaraci/Itabuna e uma professora famosa ficou muito machucada e foi transportada para o hospital. Alguém deu a notícia que a mesma havia falecido. Na mesma hora, o serviço de alto-falantes da cidade de Coaraci comunicou o fato.

A cidade inteira em desespero e chega a notícia desmentindo. Exigiram que o mesmo locutor fosse desfazer a notícia. Ele começou a nota dizendo:

"Nota de desfalecimento
A família da professora comunica o seu desfalecimento e...."

Domingos não completou a história porque todos não se aguentaram na risada.


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quarta-feira, 9 de março de 2011

Bahia! Alegria, já é Carnaval

Leiam o texto e vejam fotos históricas sobre o Carnaval de Poções no blog de Luizito http://www.lfsarno.blogspot.com/


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Série: Poçõenses de Sucesso

Durante os próximos dias, inicio uma nova série que falará de poçõenses de sucesso. Circularão pessoas que nasceram e/ou viveram em Poções, acompanhadas de um breve relato da sua vida e importância para a nossa cidade.

Aguardo sugestões e relatos de pessoas que se enquadrem no perfil acima.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Anna Maria - Falecimento

Informo o falecimento de Anna Maria Caputo Sangiovanni, minha mãe, ocorrido na última quarta feira, 09, em Poções, de causas naturais, aos 87 anos de vida.
Anna Maria foi um exemplo para todos nós da família e continuaremos com os seus ensinamentos de simplicidade, honestidade e, sobretudo, respeito ao outro.
Em meu nome e de todos da família, agradeço pelas diversas formas de manifestações de pesar recebidas.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Apresentação da Banda Traços de União - Convite

Recebo convite de Robertinho Fagundes Prudente para uma apresentação da Banda Traços de União, no Clube da Jovem Guarda, no Gamboa Music Bar (antigo Restaurante Agdá, na Boca do Rio), nesta quinta, 10/02, a partir das 20:30 h.

Dependendo da quantidade de poçoenses presentes ao evento, ele dará início ao projeto DIVINO ENCONTRO, que visa reunir a galera de Poções que mora em Salvador.

Musíca de qualidade e dos bons tempos. (Veja crônica sobre a banda nesse Blog).

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Por dentro das placas

O velho Chico, meu pai, fazia conta com as placas dos veículos. Multiplicava, somava e dava um resultado ou significado, como se fosse aquele cálculo de Zagalo quando ele quer que o resultado seja o número 13. Um dia, chegou Marivaldo Soares com um Volks TC de placa AC2678. Chico não poupou a matemática e disse 26 x 3 = 78.

Naquela época, as placas dos veículos eram com duas letras e quatro números. Isso durou até 1990. Por exemplo: Poções tinha a combinação das placas com as iniciais VS. Iguai VJ, Nova Canaã VP, Conquista tinha duas combinações VX e VZ. VI era Ibicuí e Planalto era VQ. Com estas placas, todo entendido de carro sabia o ano de fabricação pelas iniciais. Nos lugares que havia um par de letras somente, a cronologia era pela ordem crescente dos números da placa.


A estrada para Morrinhos não era asfaltada e passava por lá a Rural de Vicente Orrico com a placa VS0006. Eu aprendi a dirigir no fuscão da minha prima Aurora, que era AB6222. Já Michele, penou para aprender a dirigir no fusca AC7743. Depois que aprendeu, comprou a Brasília AH3763 e trocou pelo fusca AT9203. Pepone veio a aprender mais tarde, tinha um Corcel II azul AN8182 e, mais tarde, uma Elba AU8741, sem esquecer da Marajó AW7743, que meu pai com o sotaque italiano pronunciava "Marujon". Me faltou memória para lembrar a placa do Corcel branco - lembrei agora: AS8778.

No quintal da nossa casa, Chico Pithon Sarno guardava o fusca AD6841 e usava nas estradas da fazenda em Boa Nova. Sola, meu primo, comprou o fusca branco que foi de Gervásio Moura, emplacou em Salvador, e recebeu a nova placa AG0048. Quem comprou um gol daqueles BX, primeira geração, foi meu cunhado Gerson Lima, trocou o fusca AI4941 que era da professora Madalena. O gol foi emplacado como AZ1008.

Comecei minha vida de viajante no fuscão amarelo Fafá de Belém que tinha a placa AK2972. Esse daí, tinha dentro dele um rádio transmissor SSB, de longo alcance. Quando passava em Poções, eu montava a antena e ficava falando com os colegas de trabalho: Não dava outra – ficava rodeado de pessoas ouvindo a conversa.

Cansei de tomar emprestado o Chevette de minha prima de placa AL1618. Tomei vergonha e comprei o meu primeiro carro, uma Variant branca, AL9070, que pertenceu a Afonsinho Liguori. Dois carburadores e valente naquela estrada poeirenta para Guanambi. Depois, troquei por uma Brasília verde comprada na mão de Zé Palladino, de placa VX4038. Fiz rolo e fiquei com a Brasília branca TD2334 (TD eram as iniciais de Guanambi), que pertenceu ao meu sogro Valmir. Me lembro do Fiat 147 de placas VZ8211 e do Uno YV8072 (YX8074, com a correção de Ricardo - veja comentário), que fui comprar no Rio de Janeiro na mão de Adilson Santos, em 1985. Tive, ainda, um Prêmio UM5972.

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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Ton de Nino (O Ton de Poções)

No texto publicado ontem, eu falei do acaso. Hoje, recebo uma ligação telefônica para tratar de serviços de plotagem de veículos. Mesmo sabendo que não trabalhava mais naquela empresa, perguntei por Wellington Pereira (Ton) e fui surpreendido com a notícia de que faleceu no primeiro semestre de 2010, vitima de alguma complicação cardiológica.

Ele sempre me dizia: - Quando você for rapidamente a Poções me chame, pois eu quero ver aquelas pessoas, principalmente a família de Tia Neuza (esposa de Miga).

Ainda não havia o blog quando publiquei o texto abaixo em 2007. Relembra o nosso reencontro. Em sua homenagem, publicarei o texto:


“Estava procurando uma empresa para fazer trabalhos de programação visual. Indicaram Supimpa, na Br-324, saída de Salvador. Tinha que plotar os veículos da empresa e fui ao encontro do cidadão, que é o “fera” dos mega cartazes expostos nas ruas de Salvador.

Chegando ao escritório dele, deparei com um cidadão sentado atrás de uma carteira, cabelos brancos e de olhar fixo. Apresentei-me. Ele, ao ouvir o meu sobrenome, pergunta:- Você é irmão de Migueluccio? de Poções? Eu sou Ton, irmão de Nino. Certamente não se lembra de mim.

Lógico que eu me lembrei dele, de Nino e do tempo em que eles moraram em Poções, bem na Praça do Coreto. Wellington Antônio Vieira Pereira é o Ton, irmão de Clóvis Pereira Júnior, o Nino do Cartório, filhos do Sr. Clóvis Pereira.

Não tinha mais assunto de trabalho a não ser reatar aquela lembrança boa. Passamos a falar de coisas do passado, das pessoas e da saudade. São 25 anos que ele não vai a Poções, mas parece que as coisas estão vivas, com riquezas de detalhes na mente do amigo Ton. Para os mais antigos, mandou notícias de Nino – está morando em Niterói-RJ e bem de saúde. (*)

Como os serviços prestados por ele são de qualidade, já estamos na terceira remessa de plotagens dos veículos e faço questão de visitá-lo quando negociamos. Cada vez que nos falamos, revela lembranças e o grande desejo de retornar a Poções para “matar” a saudade. Indiquei as colunas e leu todas. Me disse: “a gente precisa sentar pra conversar. Você vai ter história pra encher o site”.

Outro dia, empolgado com as histórias que leu, me ligou para dizer que a publicação das colunas deveria ser menos espaçada e me contou um fato interessante que merece registro.

Aconteceu em 1957, antes de falecer o Sr. Clóvis Pereira. A energia elétrica ficou ligada direta por dois dias, devido ao grave estado de saúde que o pai atravessava. Era uma questão de extrema necessidade, pois somente nos casos de saúde, nas noites de festas, sentinelas e outros muito especiais a geração de energia se prolongava após as 22 horas.

Ton, estudante interno no colégio de Jequié, fora chamado às pressas em uma das crises do pai. O amigo Almir Rocha (Miga) foi apanhá-lo em Jequié e, no caminho, após a meia noite, próximo a Poções, sentiu um alívio enorme ao perceber que a cidade estava às escuras. A escuridão era sinal de paz naquela noite que pareceria ser difícil. Tinha a certeza que o pai estava vivo e pode confirmar chegando em casa.

Cinqüenta anos após, ainda é uma lembrança viva e marcou para sempre o cidadão poçõense. O fato chama atenção para os momentos que cada um guarda na memória e quanto é importante para enxergamos o tempo e as rápidas mudanças. Emocionado, ele disse que era um sinal de respeito e prestígio para um homem com relevantes serviços prestados à cidade.

O outro lado bom foi a maneira despretensiosa de reencontrar o simpático contemporâneo que me fez lembrar das épocas das brincadeiras no coreto, do velho Ginásio da praça, da lateral da Igrejinha, da escuridão das ruas e de uma turma mais velha, anterior a minha. Me deu saudades e vontade de rever tantos amigos sumidos.Valeu Ton, que você possa reencontrar mais rápido os seus velhos amigos!

(*) Ton informou que Nino faleceu no final de março de 2008".

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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Dose Tripla

No último final de semana estive em Vitória da Conquista, a trabalho, e dei uma esticada a Poções.

Em Conquista, me encontrei com um dos maiores artistas plásticos que Poções produziu para o mundo: - Adilson Santos. Os quadros pintados por ele estão em paredes do mundo inteiro. Depois de muitos anos no Rio de Janeiro, ele voltou para a Bahia e montou o seu ateliê naquela cidade. A sua arte é igual às velhas garrafas de vinho – sempre melhor.

O que mais me impressiona nas suas pinturas são os detalhes que lembram a minha infância. Afinal, poçõenses da minha idade têm os mesmos sentimentos.

Adilson sempre me fala da saudade que sente dos vizinhos da Lapinha. Por Zoma e João Batatinha, os seus amigos de infância, ele sempre alimentou um carinho especial. Quando eu me encontrava com Zoma, a primeira pergunta era em relação a Adilson. O mesmo acontece com João Batatinha, que também não esquece de perguntar pelo amigo. Nesse sábado, Adilson me perguntou: - Tem notícias de João Batatinha?

Enquanto almoçava com ele no Caminho da Roça, no Alto Maron, entra Dino Gusmão trazendo Irundy Dias e Noélia Gusmão Dias. Não posso deixar de escrever e demonstrar o carinho especial que tenho pelo casal. Sentei-me ao lado dele e trocamos alguns minutos de conversa boa, da família, de netos, bisnetos e Afonso Manta, seu irmão.

Se os quadros de Adilson trazem as recordações da infância, o casal me traz as recordações do tempo de pré-adolescência e adolescência. É como se passasse um filme dos tempos do Ginásio, de um passado sem volta.

Se vocês não sabem, a minha primeira viagem para fora da Bahia foi a excursão ao Rio de Janeiro, comandada por Irundy, onde acabamos assistindo ao empate de Botafogo e Grêmio no Maracanã.

À noite, lá em Poções, de repente, surge Chico Schettini com um violão na mão. Ao lado da barragem de Morrinhos, Chico fez uma seresta e trouxe as lembranças dos velhos tempos das noites nos jardins da cidade.
Já comentei esse fato e repeti na noite do sábado: Chico foi o meu grande incentivador indireto para escrever as crônicas sobre Poções. Ele escrevia para o site Terra do Divino e percebi que o meu estilo de escrever era bastante parecido com a forma que escrevia. Inesperadamente, deixou de colaborar com as suas escritas e sempre cobro para que volte a ativa. Está, diariamente, às sete da manhã, no comando de um programa na Radio Liberdade de Poções http://www.liberdadefmpocoes.com.br/ (você escuta ao vivo na internet).

Depois dessa dose tripla, fui ver o significado da palavra acaso: Acaso (do latim a casu, sem causa) é algo que surge ou acontece a esmo, sem motivo ou explicação aparente.

Será?
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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A Mulinha de Ouro

O terno de Reis de Dona Fetinha era bastante tradicional no mês de janeiro. Como morava defronte da casa dela, acompanhava todos os passos e ajudava a acender as velas dentro das lanternas. Era um misto de pastorinhas, membros da Cruzadinha Eucarística e algumas figuras mais tradicionais da Congregação Mariana e outras entidades religiosas. Chegavam os músicos e a gente seguia pelas principais ruas, mas não visitávamos todas as casas. Era um terno para cantar cantigas religiosas e rezar junto aos imensos presépios que eram construídos (o da casa de Claudionor Mituca era imbatível),

Outros tinham objetivos diferentes e a idéia era passar nas casas para beber. Passavam os ternos do Pavão, da Mulinha de Ouro, do Boi e alguns mais modestos. Independente dos objetivos, mantiveram o folclore e a tradição na nossa cidade por muitos anos, principalmente o terno de Reis que era conduzido por Dr. Alcides dos Reis Pinheiro (coincidência?).

Interessante era ver a figura da mulinha dançando na sala de visitas da nossa casa. Até determinada idade, eu imaginava que ali havia um misto de homem e mula. Da cintura para baixo, o homem ficava dentro do corpo da mula. Havia um estribo pendurado e não compreendia onde ficava a perna da pessoa. Depois, entrava o boi e eles dançavam como se estivessem numa tourada. Os animais muito bem feitos, decorados com um tecido chitão bem vistoso. As roupas dos componentes tinham cores vivas e ainda usavam coroas e cetros. Os instrumentos eram rústicos, mas o som contagiante.

O refrão da música dizia: É de ouro só, a mulinha é de ouro, é de ouro só...

Por vários anos, Chico, meu pai, sempre abriu as portas para receber os ternos de Reis. Deixava pronto um garrafão de licor. O que sobrava, os seguidores levavam. Era tanta gente acompanhando que enchia a sala e a copa.

Em uma bela noite, usaram o banheiro da casa e levaram um barbeador de estimação que havia trazido da Itália. Depois desse fato, ouvia os resmungos dele toda vez que fazia a barba.

Nos anos seguintes, nunca mais o Reis entrou lá em casa. Era cantado na porta da rua, permanecendo a tradição do licor.

Adeus, Mulinha de Ouro!!!

Nota: Hoje, graças ao Sr. Homero, a tradição de cantar Reis em Poções ainda é mantida. Veja apresentação do Terno de Reis filmado pela Rádio Liberdade Fm: http://www.youtube.com/watch?v=v7U9UkQ-4MU&feature=player_embedded

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

De Carona com Lulu

Estava atualizando a conta de quanto já andei de carro, ônibus e avião. O resultado estimado é de 1.350.000 km. Significa dizer que é o correspondente a quase duas viagens à Lua ou 1.520 viagens entre Poções a Salvador, ida e volta, ou o mesmo que 34 voltas em redor da Terra.

Não é tanto, aproximadamente 44 mil km por ano trabalhado ou 120 km por dia.

Com essa quilometragem, com tanta gente que já viajou ao meu lado e que já ouviu as minhas histórias, comecei a escrever outras crônicas além da nossa querida Poções para transformá-las em um livro. Mas, enquanto se escreve, pensa-se no título. Eu tinha pensado no título em inglês – se chamaria “The Best” porque alguém brincou e disse: - O seu livro será The Best (erol).

Recentemente, durante uma viagem entre Poções e Salvador em companhia da minha irmã Elisa, contei tantas histórias que ela sugeriu um nome para o livro: “De Carona com Lulu”. Achei por bem colocar logo no blog, pois o livro é coisa que tem um longo prazo para ficar pronto. Por enquanto, o livro tem nome e algumas poucas histórias escritas - é o suficiente.

Mas, me lembrei de duas caronas que dei. A primeira, foi em companhia do meu amigo Jônatas Fagundes Ferreira - Jota. Viajei de Poções para Teixeira de Freitas e ele me pediu uma carona para Eunápolis, pois pretendia visitar Beto, filho de Vitinho Fotógrafo.

Quando chegamos em Itabuna, abasteci a camionete C10 em um posto ao lado da Estação Rodoviária. Dei partida e percebi que o motor falhava enquanto transitava por uma área esburacada. Jota resolve mexer com um cidadão que passava próximo à camionete e soltar uma piada pra cima dele. O carro falhou o motor. Tentava dar partida e nada. O cidadão, visivelmente chateado, percebeu a nossa dificuldade e veio em direção a Jota dizendo: Desça seu ... venha falar aqui, desça do carro!!!. Jota ficou vermelho, me olhava, levantava o vidro da porta e dizia: - Bota esse negócio para pegar... vamo tomar tapa.

O motor pegou quando faltava um metro para o cidadão abrir a porta. Nos divertimos muito depois que saímos do perigo.

A outra história de carona foi com meu amigo Lourival Manoel da Silva Filho – Lourinho, desta vez em um fusca modelo Fafá de Belém.

Paramos no Posto Pau de Vela para fazer um lanche, como era de costume nas viagens entre Poções e Salvador. Paguei a conta e fiquei conversando com o dono do Posto, que era cliente da empresa que eu trabalhava. Me deu vontade de tomar um café e pedi ao caixa que cobrasse separado. Tomei o cafezinho e fui para o carro. Sentei, de cabeça baixa anotava o consumo de combustível e falava para Lourinho: - Que cara sacana, outro dia o carro dele furou o radiador e dei socorro a uns 45 km de Salvador. Ele foi capaz de cobrar o cafezinho, que sujeito miserável!

Lourinho balbuciava: Lulu, você se arrombou, o cara tá bem aí do seu lado e deve ter escutado tudo o que você falou. Eu já estava mesmo na pior e esperava que um buraco se abrisse - não tive outro jeito a não ser emendar: - Também pudera! Todo mundo que passa aqui é amigo dele, se der cafezinho para cada um, imagine o tamanho do prejuízo.

O dono do posto comentou: - é isso mesmo, você tem razão!
para o meu alívio.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Demagogia é falar bem!

Em Poções, viveu o Sargento Severino Bispo dos Santos. Foi instrutor do Tiro de Guerra 135 durante anos e tinha uma grande eloqüência. Além de comandar o TG, ensinava Francês, Inglês e Educação Física no Ginásio de Poções. Então, falar bem em público era uma das suas especialidades.

Do outro lado da história, havia um carpinteiro de mão cheia. Figura simples, modesta e de fácil relacionamento com as pessoas da cidade.

Certa vez, Severino encomendou algumas janelas para a sede do TG. O carpinteiro, seu amigo e admirador, prestou o serviço sem antes orçar. As peças foram assentadas e chegou a hora do acerto:

- E aí, quanto eu te devo? perguntou o Sargento. O carpinteiro, na sua simplicidade, não podia deixar passar a oportunidade de elogiar o amigo e respondeu:

- Ora Sargento, o senhor é um homem demagogo, fala tão bem, pode pagar o quanto quiser!!!



domingo, 26 de dezembro de 2010

Lala Carvalho e Triat´uan em Iguaí

A cantora Lala Carvalho fez um Show maravilhoso na cidade de Iguaí-Ba, na festa da cavalgada da cidade, no último dia 11, acompanhada pelo Grupo Instrumental Triat'uan, formado por Edu Fagundes (Direção Musical, Arranjos e Guitarra), Luciano Chaves (Flauta), Márcio Dhiniz (Bateria) e Israel (Contrabaixo) . Uma festa bonita com muita gente na praça curtindo e dançando Samba e Samba de Roda. A foto é de Alessandra Nohvais.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Feliz Natal


Uma das mensagens mais interessantes de Natal eu recebi dos meus cunhados Ricardo e Juliana. Ele é um daqueles cunhados carrapatos que comemoram até jogo de palito. Ela é de uma simplicidade incomum e de bem com a vida. Neste ano, realizaram o desejo de morar no mesmo prédio que moramos. A mensagem mostra o carinho que eles têm com a gente e, também, de forma recíproca. Portanto, escolho essa mensagem de final de ano para o meu Blog.

Um grande abraço e Feliz Natal a todos!!!

"Mais um ciclo chega ao seu final deixando como aprendizado que os anos não se repetem, uma vez que cada um tem a sua peculiaridade, o seu formato, cabendo a nós decidir o tom que ele vai ganhar e como ficará marcado nas nossas vidas.

Alegrias e tristezas não foram feitas para serem vividas na solidão e por isso é tão importante a participação de cada um de vocês no nosso convívio, no nosso processo de crescimento espiritual, na consolidação e concretização de nossos sonhos, projetos, como companheiros dessa jornada fascinante que é a VIDA.

E família tem esse sentido: o de sairmos dos nossos casulos em busca da casa, do colo, do aconchego do outro. Amar é mudar de casa, como sugere o poeta, é exercício de descobrir dentro de você uma disponibilidade enorme de amar o outro com todas as suas limitações e fragilidades.

Assim, nada é mais gratificante do que ao término de cada ano celebrar e principalmente agradecer todos os acontecimentos com o coração vibrando de positividade, esperanças e confiança naquele que é o motivo de toda essa comemoração.

Então, que neste Natal a riqueza não seja material, mas seja de significados, na alegria de termos as pessoas que amamos ao nosso lado e podermos oferecer a elas não o que gente tem, mas o que a gente é.
Caminhos de luz no ano que virá.

Com Amor,

Juliana e Ricardo."


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Cascalho - Um filme de Tuna Espinheira


"Tuna Espinheira, baiano de Poções, tem atuação de mais de 30 anos no cinema baiano, como documentarista, tendo realizado curtas-metragens, como “Major Cosme de Farias: O Último Deus da Mitologia Baiana”, “Dr. Sobral Pinto”, “Samba Não Se Aprende na Escola”, “Comunidade do Maciel”, “O Fazendeiro do Ar”, “A Ilha da Resistência”, entre outros. Também, “O Cisne Também Morre”, média-metragem de ficção.
Atuou como ator em “Um Sonho de Vampiros”, de Iberê Cavalcanti, 1969, e aparece neste “Cascalho”.”Cascalho” é o seu primeiro longa-metragem. Totalmente filmado em Andaraí, na Chapada Diamantina, o filme conta a saga dos garimpeiros na região na primeira metade do século passado (anos 30), e suas disputas com os coronéis."

(Blog Demais - Jornalista Dimas Oliveira)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Geração Band on the run

Na década de 60, fomos bombardeados por excelentes grupos musicais como os Beatles, Pink Floyd, Rolling Stones e tantos outros. Era tudo que um jovem poçõense de 14 anos podia ter. Bastava um lançamento em Londres e uma espera de 60 dias para o disco chegar às lojas.
Foto Arquivo: Gina Risério
Os discos chegavam e eram reproduzidos em fitas cassetes gravadas diretamente no som da radiola, cheio de chiados e o barulho dos clik´s do botão play – era difícil “gravar direto” (cabo do gravador ligado direto no auxiliar da radiola). Em cada capa, dava para enxergar a evolução do grupo. Os cortes de cabelos e os trajes eram copiados.

Em abril de 1970, foi anunciado o fim da banda Beatles. As barracas do ginásio na Festa do Divino não seriam as mesmas sem os novos lançamentos. A música de Paul McCartney “Another Day” dava alguns sinais de sobrevivência da banda. Era possível sonhar com a volta dos Beatles diante dos boatos que as rádios anunciavam. Cada vez que a “banda da maçã” do compacto duplo rodava no prato da radiola, ajudava a alimentar a idéia. A invasão da música dos ingleses continuava. Passava-se a admirar Pink Floyd e Elton John.

Em 1974, a esperança já não sobrevivia. O mito McCartney estava mais do que vivo e só, lançando o LP com a música Band on the run. Vivíamos de casa em casa procurando um lugar para fazermos uma festa, um espaço para curtirmos a música. Enfim, era Band on the run, a música de dois ritmos, aquela que nos trazia de volta os bons tempos dos Beatles.

Agora, em 2010, McCartney nos presenteia com esses shows fantásticos no Brasil e com Band on the run no repertório, o que nos dá a impressão de ouvir pela primeira vez esse hino da nossa juventude.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Almoço anual da Família Sarno

O tradicional almoço da família Sarno foi realizado ontem (21), na Casa d´Itália, aqui em Salvador.

É uma confraternização anual e já se realiza há mais de 30 anos e congrega os descendentes de Fedele Sarno e primos das famílias Orrico Sarno, D´Andrea Espinheira e Sangiovanni.

Vale registrar a importância da família Sarno para Poções, onde participou ativamente na cultura, no comércio e desenvolvimento geral da nossa cidade junto a outros bravos imigrantes italianos.
Registrei a presença de algumas pessoas ainda ligadas à Poções: Juracy e Fidélis de Boa Nova, Railda Sarno, Luizito, Fernando e Heloina, Elisa, Pepone e Zilma, os irmãos Ada, Zé Fidélis e Eduardo Sarno, Paulo e Teca Espinheira, Silvia Sarno e João Novaes, entre outros.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Poçõenses viajam pela Terra Santa


Através do site da Rádio Liberdade, fiquei sabendo da excursão de um grupo de poçõenses à Itália, Israel e Portugal. O grupo é liderado pelo Padre Estevão e pelo diácono João Cambuí. Interessante o passeio deste grupo de pessoas religiosas que pontuam a sua fé visitando os locais santos da igreja católica.
Os relatos dos passeios e as fotos estão disponíveis no blog http://www.palavradoparoco.blogspot.com/ e terá o seu ponto alto na visita ao Santuário de Fátima, em Portugal.
A foto de destaque da nota é a aparição de Nossa Senhora de Fátima a três pequenos pastores. Me traz as lembranças do passado, da época em que eu frequentava o catecismo.
Boa viagem e excelente proveito ao grupo viajante!!!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Traços de União - A Banda

Quem conviveu em Poções nos anos 70, se lembra do “conjunto” Os Fantasmas. Quem não conheceu, viu nas fotografias da exposição de José Onildo aquele grupo que passou a animar as nossas festas – estavamos saindo da época da Radiola.

Assim foi, os jovens Fagundes sempre ficaram ligados musicalmente. Os anos passaram e ainda existe aquela nostalgia de Poções nesse grupo. Berecó, Jeová e Robertinho (com menos cabelos e mais massa muscular) estão aí. Nos comentários abaixo, Sena se lembra do Fase Cinco. Eu me lembrei dos ensaios na Rua Senador Costa Pinto, aqui em Salvador.

Parabéns pela continuidade, parabéns pelo sucesso!!! Quem sabe, poderemos ver esse sucesso retornar aos palcos da nossa Festa do Divino.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Alina Fagundes Santos

Comunico o falecimento de Alina Fagundes Santos, ocorrido hoje, na cidade de Vitória da Conquista, de causas naturais, aos 79 anos de idade. Nascida em Poções, se radicou naquela cidade.

Alina deixa os irmãos Dalva Santos Leto, Valmir Fagundes Santos e Adilson Fagundes Santos.
Fica a lembrança dessa doce figura humana. Todas as vezes que a gente se encontrava, fazia questão de lembrar das pessoas de Poções. A sua paixão pelo Flamengo era uma constante nas nossas conversas.
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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Um ano de Blog - Comentários

O Blog está completando um ano no ar! Nada mais compensador que os comentários recebidos.

Eles nos trazem as emoções, as lembranças, a saudade e o carinho que também se transformam em histórias. Agradeço a todos vocês por estarem juntos!!!
Lulu


Lembro da velha Marcolina, ia sempre lá em casa. Na época que tinha avião Poções-Salvador minha mãe contou para ela a viagem que havia feito e ela perguntou se tinha muita poeira! A velha Marcolina era uma pessoa simples e muito prestativa e as flores que fazia eram belíssimas. Esta foto, mostrando tia Lina, tia Ana e Annina Sarno é um registro importante da integração dos italianos com o povo de Poções em geral. Esta era uma característica dos nossos italianos, se relacionavam e bem com a cidade toda, não eram elitizados nem tinham preconceitos...ou se tinham inicialmente conseguiram superar com muita eficiência.Assim é Poções, a verdadeira terra de todos nós. Parabéns pela crônica. Vc ainda acredita em rezadeira?
Eduardo Sarno
(Texto: Professora Zirinha e a Velha Marcolina)

Que linda poesia! Não nasci aqui, mas moro há 19 anos e admiro cada vez mais com os artistas poçõenses que estão espalhados pelo Brasil! Parabéns! Sou uma das responsáveis pelo Prêmio Cecília Meireles de literatura há 18 anos e penso em divulgar cada vez mais artistas no nosso simples concurso.
angelamuskat@yahoo.com.br
(Texto: Guel Brasil – um poeta poçõense)

Feliz da pessoa que conheceu e conviveu com Dona Zú. Mulher de verdade e que nunca mediu esforços para conduzir sua família a uma felicidade plena. Valeu vovó, a senhora deixou legado aqui na terra, os seus ensinamentos de caráter, honestidade, amor ao próximo, perseverança e muitas qualidades, sempre serão lembrados e praticados por todos os seus familiares e amigos. Que esteja ao lado de DEUS. Te amaremos sempre.
Henrique Curvêlo
Texto Jusmerinda Curvelo – Tia Zu

Tive a grata satisfação de trabalhar com D.ZU durante todo o tempo que Poções estava sob os cuidados do seu esposo OTAVIO CURVELO. Foi D.ZU que descobriu em mim o palhaço FUXICO, e com o apoio dela fiz varias apresentações, sempre na semana das crianças Ficaram as lembranças alegres, pra que possa me lembrar sempre de D.ZU.
Miguel França Sampaio. (Guel Brasil).
(Texto: Jusmerinda Curvelo – Tia Zu

Fiquei muito triste com a morte tão prematura do meu colega de ginásio Rominho Schettini "O Gringo", como era chamado carinhosamente por todos nós. Rominho era o responsável pelos balões que fazíamos todos os anos em época de São João, eram tão grandes, que soltávamos de cima do telhado do Ginásio de Poções na praça do Divino. Vai amigão... voando para o céu em um dos seus balões!!! Que Deus o tenha.
Jorge Dantas.
Texto Rômulo Schettini – Rominho

Sinto-me muito triste em saber do falecimento do Rominho. Ele foi meu colega de escola em Poções. Por eu morar em outro Estado, havia muito tempo que não o encontrava, mas sempre que ia a Poções perguntava às pessoas se elas tinham notícias do Rominho. Que Deus o tenha ao Seu lado.
Salvador A. Vaz

Falar de Mufula não é fácil, mesmo para mim que sou irmão. Mufula representa como poucos a poesia sertaneja, diferenciando dos estilos do mestre Afonso Manta, de Elder Oliveira, dentre outros. Ele é a própria caatinga em pessoa.
Texto Mufula

Figura ímpar e de grande respaldo da população poçõense. Maior historiador do município e um dos maiores da região do sudoeste da Bahia. Queremos um livro sobre nossa cidade e relatado fatos dos nossos antepassados. Valeu Félix pelos serviços prestados em nosso município.
Anônimo
Texto Felix Magalhães

Lulu, É impressionante a sua facilidade de narrar. Eu quando li"Poções não tão bem na terra como no céu" fui remetido ao meu passado, de quando morei no início da década de 60 em Poções. O seu registro é de uma veracidade, digna de nota e louvor. Parabéns, e continue exercitando este dom, que Deus lhe deu, para escrever ainda mais sobre Poções, cidade que marcou muito a minha infância.

Por Salvador Vaz Texto Poções, não tão bem na terra como no céu.

É uma ficção com todo perfil de realidade,você narra uma história em que todos os "artistas" têm os seus nomes originais. Muito bacana... parabéns!!!! Jorjão.
Jorge Dantas em
Poções, não tão bem na terra como no céu...

Lu, meu contador de "causos" preferido! que saudade de tu, tatu! Adorei a historia do caminhão que virou com os biscoitos! rsrsrs Aymoré e Tupy são do meu tempo! rsrsr bjocas!
Solarma (Karina)
Texto Festa do Divino – No Wartão, sem o Pavilhão

Este ano não pude ir à Festa do Divino, gostei muito de ver as fotos das confraternizações e também das pessoas com as quais convivi por alguns anos, quando eu morava em Poções. Destaco entre as quais: Rominho, Moacir, Jorge de Duca,Lourinho (irmão do Jorge Laudelino da Silva),Noberto, Orlando, Pepone e demais. Quanto a você eu tenho vagas lembranças eu o via ao lado do seu irmão Miguel, o qual foi contemporâneo de Ginásio. Aproveito a oportunidade para parabenizá-lo, a respeito do seu Blog, sempre estou acompanhando os seus relatos e histórias relativas a esta bucólica cidade.
Salvador Vaz
Texto Festa do Divino 2010 – Poções – Bahia

Lulu, mais uma vez, registrando, vivendo e rememorando as mais belas passagens de uma vida; Amigos, Familiares, Tradições e Cultura! Parabéns por merecer ser filho desta Terra do Divino ! A todos de Poções o meu carinho ! Edu Fagundes
Texto
Uma oportunidade para a Filarmônica

Se o Daniel Rosinha (que Deus o tenha) vivesse nos dias de hoje a “ingênua” pergunta não ficaria sem resposta, rsrsrsrsrs. Valeu Sangiovanni, essa foi boa, rsrsrsrsrs
Por Rui Macêdo em
Festa do Divino - Lembrando Daniel Rosinha...

Já estava com saudades, com um e-mail engatilhado para cobrar novos escritos... É assim, meu velho: uma vez cativado o público, torna-se escravo dele! Ando angariando leitores para você no Velho Continente -- todos se admiram pelo fato de eu ter um pai bloguista, e, mais que isso, de mão cheia :) Gostei do novo perfil -- sua simplicidade consegue criar momentos de puro lirismo. Vida longa!
Por
Ricardo Sangiovanni em Ah! Como é difícil amar você.

Esse histórias são muito boas já escutei muitas dessas pelo meu pai. Isso é muito importante para a memória coletiva de Poções, hoje eu e um grupo de colega exibimos quinzenalmente filmes na câmara de vereadores justamente neste intuito de preservar essa cultura cinematográfica dentro de Poções. Parabéns o site esta ótimo
Por
Vitor em Os filmes de legendas vivas

Belo texto :) Quando me perguntarem agora porque eu, baiano, sou Flamengo, vou passar a responder: "porque meu pai é Flamengo". Aí recomendo esse texto, e quem não entender é porque não merece trela mesmo.
Por
Ricardo Sangiovanni em Flamengo, via rádio

apesar dessas histórias terem acontecido em Poções, bem longinho daqui, elas sempre têm um "gostinho de saudade" dos velhos tempos! Adoro passar pelo seu blog!!!
Por
Maria Isabel em "Só mesmo em Poções" - Parte 2

Lamentável.... a memória do povo é curta!!!!! Quem se lembra das pessoas que ergueram Poções? não só os destas últimas décadas, mas aqueles devotados que com luta trouxeram água, luz, telefone, banco, hospital etc... Infelizmente caem no esquecimento, vira peça de museu,ou nem isto... Se não querem a lembrança ao menos respeitem!!!
Por Anônimo em
Tonhe Gordo

Meu caro amigo Lulu, quanto tempo!, emocionei com o histórico da nossa querida cidade (Poções), que bela memória vc tem. O Genison enviou pra mim e gostei muito.Vc lembra que o primeiro calçado que usei comprei de vc, foi um galupim, um conga branco premiado com chulé, usava alvaiade para mante-lo conservado, velhos tempos. Moro em BH,Minas Gerais. Abraços. Deus te abençoe!
Por
Salomão em Sereno

...vou traduzir tudo q sinto em apenas uma música:
http://www.youtube.com/watch?v=TBppY779y24
Obrigado Lulu! Abraços / Palladino
Por José Palladino em
Sereno

Tio Lulu È sempre com muito prazer que leio suas histórias de Poções, me faz lembrar meu querido e saudoso pai, apelidado por vocês por Geguel. Me consolo ao pensar que ele viveu grandes momentos em sua vida e que pode ao lado de seus familiares a amigos poder desfrutar de grandes histórias. Grande beijo com muito carinho
Por Carol Sola em
Sereno

Lulu, amei cada linha que ia lendo. Vc realmente nos transporta para épocas vividas e que ficaram esquecidas em nossa memória. Parabéns!!! Presenteie-nos sempre com textos dessa ordem. Ajuda-nos a ver o mundo sob um outro prisma. Bjão!!!
Por Anônimo em
Rua da Itália

Você foi perfeito nesta!!! Curti cada detalhe e revivi velhos tempos. Sua memória e capacidade de descrição estão demais.... Agora vc prova que não precisa ser o "melhor aluno" para ser o melhor na vida!!!
Por Elisa Sangiovanni em
Rua da Itália

O jogo do triangulo conheço como "fura pé". Putz, pelo nome, imagina a meleca que era! Continue escrevendo...
Por Sérgio Queiróz em
"Só mesmo em Poções" - Parte 1

Lu, tinha Paulina, a poetisa, era de Minas Gerais e publicou livros. Ainda tem descendentes em Conquista. Ela era uma espécie de mascate, vendia roupas usadas, um brechó ambulante. Pode ter havido outra Paulina mais deserdada e mentalmente comprometida. Grande abraço, continue suas excelentes crônicas...agora ilustradas !!!
Eduardo Sarno www.familiasarno.blogspot.com/ em
Nós e os doidos...

Tenho imensa gratidão de ter nascido nesta cidade, alias nascer já é uma dádiva do nosso criador. Fazer parte da família Borges & Dantas , maior ainda. Apesar das atribulações diárias em Salvador,SP,GO,DF, etc... , sempre que posso fujo para ao menos passar dois dias nesta querida cidade. Obrigado Lulu pelo texto, obrigado Pai por fazer parte de minha historia... Abraços,

Por Vinicius Borges Dantas em O Chamuscão

Me fez chorar, pai :) Dessa herança eu e Carla não ficamos livres... Tanto melhor, ora! Adorei o texto! Beijos!
Por
Ricardo Sangiovanni em Cada vez mais, Lulu "Chorão"

Lulu, É sempre agradável ouvir os "causos" de nossa Terra, principalmente para quem não mora mais na cidade e tem a oportunidade de matar as saudades através do seu blog. Parabéns! Abraço,

Por George de Jorge de Duca em Sereno

Estou procurando uma foto do cine Santo Antônio. Se vc souber quem tem eu agradeço. Abraço
Por
Gina Risério em Os filmes de legendas vivas

Me lembro que, a gente, moleques, entrava em casa, em Poções, gritando "Minhavó, lá vem padre Norato!" E tome-lhe dona Anna Maria correndo pela casa, com aquele passinho ligeiro dela, para se esconder do cura! Às vezes não adiantava: ele entrava assim mesmo e acabava a encontrando -- tenho para mim que, como boa católica apostólica, ela não aguentava de culpa de se esconder do padre e acabava saindo do esconderijo para cumprimentá-lo... Vovó Anna pode ter se perdido em sua memória, mas não perdeu o passinho ágil que, de vê-la, faz disparar a memória da gente...
Por
Ricardo Sangiovanni em Camisa Amarela

Grande Tio Lu! agora com seu próprio espaço para postar suas crônicas eu vou poder acompanhar com muito mais afinco (Já acompanhava no outro site de poções e agora nesse). Sobre o Lulu chorão: Chorar demonstra total emoção em relação às coisas da vida, o que é mais uma prova do quanto o seu coração é grande. Você é praticamente um italiano, e italiano fala (e vive) com emoção em tudo, não podia ser diferente né?! hehehe Tio, saiba que Você é uma grande pessoa! tenho um carinho e uma consideração por você imensurável! grande abraço e sucesso com o seu Blog!
Rafael Sangiovanni Lima

Valeu Lulu, já estava me fazendo falta as suas historias
Por
Carlos Agra em Fazendo fole...

Ciao Lu, è con piacere che ho letto suo Blog.Tu sei bravo,bravissimo!!!
Por Vane Leto Sarno em
Sereno

Lulu, que coisa interessante. Você me fez fazer uma viagem no tempo. Amo Poções e amo recordar os bons tempos de nossa infância. Parabéns e sucesso nessa iniciativa de um bom e tremendo valor.O Meu "apelide" não é um dos que possa se admirar, mas era assim que me chamava - "Quenga".
Por
Carlos em ApelidE

Grande Lulu, Parabéns pelo Blog, esta nova janela por onde olhamos, contemplamos, saudamos e recordamos, emocionados, uma Poções de tempos idos. Agradeço a você, brother de coração, por me atiçar todos os sentidos, quando detona esta viagem de volta à Poções,que me permite dobrar esquinas de nossa querida cidade,ao lado de bons companheiros, que hoje e sempre farão parte de minha história afetiva. Obrigado por suas crônicas. Continue a escrevê-las. abraço forte e amigo Carlinhos Rizério
Por Carlos Rizério em
ApelidE

Grande Lulu Chorão!!! Achei um barato todas essas lembranças, realmente nos faz voltar no tempo inclusive da 3ª e o resto... Lobinho/Lobão, Satoba e Satobão e aí se vai.....você esqueceu de Duca do Bar e hoje Jorge de Duca com muito prazer. Parabéns!! você realmente é um sábio. Um forte abraço Jorge "Bufão"
Por
jorgededuca em Sereno

Muito bom seu blog. Gina como sempre aprontava e muito bem rsrsrsr. Faltou comentar das tempestades de vento, que as antenas de TV, saiam voando pelas ruas. Adorei as festas no clube muita saudade.
Por
Tânia Gonçalves em O muro do açude

Meu amigo mágico, vc tem a sabedoria de me fazer voltar no tempo, como se houvesse uma porta e através dela caminhar pelas ruas de Poções, andar pela praça, pelo Obelisco e ver todos vocês de volta. Morava no Rio, mas passava o ano todo esperando pelas férias em Poções. Gosto muito de ler suas coisas, me fazem bem, porque me trazem de volta as pessoas com as quais mantive relações puras e desinteressadas.Deixo aqui meu pedido de nunca se esquecer de me mandar coisas como esta,me fez feliz Lulu.Achei que você não se lembraria do Chico Picolé e a minha mulher aqui do lado querendo explicações sobre o "apelide". Forte Abraço,
Por Chico Picolé
Sereno

Grande Sangiovanni. É com grande prazer que estreio a sua primeira postagem no seu Blog, que com certeza vai "bombar". Gosto do seu jeito simples de escrever como se a gente estivesse realmente convivendo com os fatos narrados. Parabéns e muito sucesso.
Por Gerson Lima em
ApelidE



segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Au Revoir

Quando fiz pré-vestibular, aqui no Águia da Piedade, aprendi e decorei com o professor Pirajá que a Mesopotâmia era uma região situada entre os rios Tigre e Eufrates. Com aquela voz grossa, ele repetia 20 vezes a situação geográfica. Nunca mais esqueci onde ficava a Mesopotâmia.

Eu tenho certeza que dezenas dos nossos contemporâneos não se esqueceram de alguns detalhes aprendidos através de gestos, palavras e atitudes de alguns dos mestres do passado.

Boa tarde” e “até logo”, em francês, por exemplo, todo mundo sabe como é. Bastava o professor e sargento Severino entrar na sala de aula e dizer: “Bonsoir” que todos respondiam: - Pode suar. Ao encerrar a aula, ele dizia: “Au revoir” e respondíamos: Pode voar.

Mas, depois de algum tempo, eu aprendi que Iceberg é o mesmo que Aiceberg. A professora Noélia, na aula de Geografia, falava dos famosos blocos de gelo – os “icebergs”. Ela pronunciava corretamente “aicebergs” e, quando lia o livro, só conseguia ver os ICEBERGS. No lugar de tirar a dúvida com a professora, preferi acreditar que eram duas coisas diferentes. Hoje, basta alguma notícia sobre o assunto que eu volto para a aula de Geografia.

A exemplo dos rios Tigre e Eufrates, a professora Noélia forçava a voz para falar do rio Yang-tsé, o maior da Ásia. Não me foge da memória o nome do rio e a sua importância para a região.

Ainda assim, com a mesma professora, aprendi que compasso tem a ponta seca, que é o lado fixo do mesmo, o que fura. Ela dizia: “Ponta seca do compasso em A” e a gente aprendia desenho sem nenhuma dificuldade.

Basta jogar Xadrez que me lembro da história que Irundy nos contava. Cada pedra tem uma função na batalha do tabuleiro. Quando escuto alguém falar a palavra “en passant”, lembro a jogada especial para a captura de um peão.

Ontem, eu conversava com a minha irmã Elisa e lembramos de duas coisas: Raiz Quadrada - quem não sabe calcular uma raiz quadrada? Prova de matemática, questão única, ou nota 10 ou nota zero. Não tinha intermediária.

E veio a lembrança do papel milimetrado. Servia para desenhar as parábolas calculadas com as equações curtas “ f de x = duas vezes xis ao quadrado” (com a concavidade para cima e “ f de x = (-) duas vezes xis ao quadrado” (com a concavidade para baixo).

Au revoir!!!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

João Lago


Recebi a notícia através de Luizito e Jorge Dantas.


Faleceu no último dia 06 de outubro, em Poções, o amigo João Lago, aos 84 anos, de causas naturais. Joãozinho era casado com Lourdinha Amaral e formavam um casal simpaticíssimo.


A maior lembrança que tenho de João foi durante uma viagem de Poções a Salvador, em um fusca dirigido por Francisco Pithon Sarno (Chico Sarno). Ele estava sentado no banco do carona. Eu e Pepone (meu irmão) viajávamos na metade do banco traseiro, tamanha era a bagagem. Depois que entramos na Rio-Bahia, em qualquer barraca de beira de estrada eles paravam e compravam laranja, farinha, umbú, cana e o que encontravam.


Para nossa alegria, os dois pagaram o nosso almoço na Churrascaria Carro de Boi, em Feira de Santana, uma das mais famosas na época. Deu para esticar as pernas.


Um grande abraço para a família,




terça-feira, 12 de outubro de 2010

O frio, a feira, a fussura e a física

Duas coisas me faziam gelar a alma em Poções: Fazer feira aos sábados e fazer educação física. Ninguém merecia esses dois castigos. Um na praça da feira e outro na praça da Festa.

Cinco e meia da manhã acordava para as duas tarefas. Fazer feira era menos penoso porque ficava agasalhado. Mas a educação física era de rachar.

Na feira, empurrava a carroça e deixava estacionada junto de alguma barraca menos fria. Pegava um cesto e seguia os passos de minha mãe, com aquela mania de fazer feira no raiar do dia. Acho que mais cedo que nós, só Abel Magalhães.

Em cada barraca uma pechincha, em cada freguesa para pegar o melhor produto. Cesta cheia, voltava para descarregar na carroça. O braço ficava marcado com as cordas que revestiam a alça. Esse era o ritual. Mas, havia as suas recompensas. Tinha direito a chupar as tangerinas e laranjas (descascadas no descascador do carrinho de Pulú), comprar as tripas de porco para fritar e, ainda por cima, variar os sábados com as viúvas (meninico de carneiro) – era uma novela minha mãe escolhendo – cheirava, reclamava porque não eram tão limpas como queria. Enquanto isso, eu ficava encarando os olhos do carneiro, pendurado com a fussura e a cabeça descascada, presa pela traquéia que parecia uma mangueira de aspirador de pó. Antes de ir embora, era a vez de comprar um cacho de bananas, que eu amarrava entre os dois braços da carroça.

Terminada a feira, seguíamos para casa para arrumar as compras. O cheiro das viúvas sendo cozidas enfestava a casa. Só o cheiro afastava metade do povo e sobrava mais para mim. Sábado era dia de comer viúva com minestra de folha de abóbora.

Mas, voltando a educação física, o outro “iceberg” de Poções, o Sargento Severino não tinha pena, nos colocava perfilados e chamava o nome de cada um para só depois deixar a gente fazer os aquecimentos para amenizar o frio. Já chegava vestido com uma “japona” por cima daquelas camisetas regatas de malha branca, short branco com duas listas azuis na lateral e calçado com os “galupins” brancos, limpos com alvaiade dissolvido em água, para rolar o baba na praça da Festa e ai a situação já melhorava, o corpo aquecia e a gente se acostumava. Ficar de “japona” nem pensar. Era uma hora de racha no frio de rachar – os de camisetas contra os sem camisetas.

sábado, 9 de outubro de 2010

Uma eleição na minha vida

Por Luiz Fidélis Sarno - Luizito
http://lfsarno.blogspot.com

No dia 03 de Outubro realiza-se no Brasil as eleições, quando se escolhe os representantes das diversas esferas política da nação.

Lembro-me que ainda em Poções (BA), exatamente nesta época, do movimento que os políticos faziam nestes dias, ficou na minha lembrança de menino a disputa pelo poder de gerir os destinos da cidade.
Para eleger o nossos candidatos, teríamos que juntar as "chapas" com os nomes assinalados com um X e colocar na urna de votação.

Tal qual hoje, antigamente os carros passavam pelas ruas em carreata, jornais estampavam figuras políticas, palanques armados para os discursos das promessas do cada governo. Foram anos assim, sem o que hoje chamamos de televisão, mídias digitais.

Nós estudantes só íamos para nossas casas, visto que estudávamos em Salvador, na época de ferias escolares ou dia de eleição, isso para cumprirmos o dever de cidadão. Votar...

Em uma destas eleição, fui indicado pelo juiz para participar como mesário, que é aquela pessoa que compõe a mesa para o andamento da votação.

A indicação foi para o distrito de Caetano, bastante distante da sede e de difícil acesso. A viagem por terra, cortando o município seria o correto, porém as estradas não estavam nada boas e a solução foi programarmos o trajeto por Vitória da
Conquista, a cidade vizinha de Poções e depois darmos uma longa volta por Anagé para chegarmos no distrito de Caetano, hoje independente.

O juiz requisitou o carro do Nino, do cartório do registro de imóveis. Era um jeep Inglês, modelo Land Rover com motorista. Equipe reunida, lá fomos.... depois de longa viagem chegamos já de noite, tudo escuro.... não havia luz elétrica neste distrito, e a solução foi ficarmos no jeep até o amanhecer. O ambiente escuro parecia cena de filme de terror...

Alivio ao amanhecer... encontramos com o responsável pela área e entregamos o saco com os mantimentos para a nossa sobrevivência. Dai fomos nos instalar para darmos inicio os trabalhos... o local designado não existia mais, só escombros, então escolhemos outro ponto que atendia o nosso propósito e nos instalamos.

Os trabalhos na votação ocorreram sem anormalidade.

Tudo pronto para o inicio do nosso regresso e para surpres de todos o carro não pegou!! A bateria estava descarregada e agora? Naquele mato!! O motorista tirou a bateria, colocou no ombro e sumiu estrada afora em busca de um posto para carrega-la, processo lento, demorado e ainda havia o percurso de retorno. Dia inútil!!

Passado muito tempo o Jeep funcionou, despedidas e lá fomos de volta... Em Poções, nossos familiares sabiam que pelo tempo já deveríamos ter retornado... alguma coisa aconteceu, pensavam. Naquele tempo não tinha celular !!!
Carro na estrada, ao chegarmos no entroncamento de Conquista, avistamos um caminhão descendo a ladeira da chegada da cidade, vinha ele com os faróis acessos ... comentamos- Puxa , lá vem aquele carro com os faróis acessos e nós aqui sofrendo com está bateria ruim...Assim, prestando atenção ainda no caminhão, notamos que algo estava anormal... a velocidade, incompatível com a descida e aí o pior aconteceu. O caminhão virou e veio capotando ladeira abaixo em nossa direção... Empurramos o jeep para a frente, mais, mais e finalmente conseguimos nos livrar deste acidente.
Passado o incidente um da equipe começou a se sentir mal, náusea e muito nervoso, levamos-o ao posto médico para consulta.Tudo ok... pé na estrada! Faltavam ainda 64 Km para finalizarmos o nosso trabalho. Subindo devagar a ladeira, já referida, encontramos com a caminhonete jeep, também Land Rover , de Sr. Doca, que fora enviada em nosso socorro.

Na caminhonete vinha pão, água e diversos mantimentos... Que bom!!

Entregamos a urna no fórum e de resto só esperamos 30 dias para sabermos o resultado da eleição...Ô tempo bom!!! Hoje já se sabe o resultado quase que imediato... em 3 hs a tal da informática, com seus computadores e satélites, diz para o mundo os resultado. Mas uma coisa não mudou... foi a felicidade em participar deste momento importante de meu país.

Viva a democracia !!!!

domingo, 5 de setembro de 2010

Amaro Elon

O obtuário do jornal A Tarde de hoje, domingo, informa o sepultamento do Sr. Amaro Elon, falecido no Hospital Português, aos 88 anos de idade.

O Sr. Amaro foi um dos primeiros gerentes do Banco do Brasil, em Poções, pai do nosso amigo Fred.

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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A Embaixada

O ônibus da empresa Nossa Senhora da Penha estacionou na praça Deocleciano Teixeira, bem defronte à Farmácia de Fábio. Chegara o dia da nossa viagem de passeio ao Rio de Janeiro, a Embaixada da quarta série, fruto das nossas economias conseguidas ao longo de quatro anos de trabalho nas barracas da Festa do Divino, livro de ouro, rifas e outras doações.

Sob o comando de Dr. Irundy, embarcamos para o Rio de Janeiro. Todo mundo confiava em Zé Pithon, o que mais conhecia o Rio de Janeiro - era o nosso guia.

No dia anterior, eu, Pancho, Sandoval e Lourinho havíamos tomado um porre de batida de limão debaixo da gameleira das gramas. A dor de cabeça ainda era presente, mas embarcamos. Mesmo antes de chegarmos em Vitória da Conquista, começamos a abrir os lanches – minha mãe me deu sanduíche de fritada (omelete de lingüiça caseira) para levar.

Enfrentamos a noite com bom humor e expectativa de chegarmos logo na cidade maravilhosa. Próximo ao meio dia, começamos a descer a serra e cruzamos a Avenida Brasil. O destino era o hotel, meio que pensão, no bairro da Cinelândia. Tudo era novo e superávamos as dificuldades. Carregamos as malas e cada um se alojou. Dividíamos os quartos escuros com até 6 pessoas distribuídas em beliches. Restava nos ambientar com a cidade e com as oportunidades que ela nos traria.

Alguém disse que a Cinelândia era um bairro interessante, porém diferente. Poderíamos ter surpresas indesejáveis ou mesmo surpreendentes. Ninguém estava acostumado com travestidos. Tivemos surpresas e decepções ao longo daquela semana.

No dia seguinte, a turma mais habituada ao movimento de cidade grande, começava a se espalhar. Descobrimos um surpreendente restaurante comercial com as fotografias dos pratos feitos na parede. Logo a galera ficou freguesa, pois os preços eram condizentes com as nossas economias e pratos simples de escolher. Facilmente descobrimos os caminhos para as barcas de Niterói, os prédios e monumentos públicos.

Fomos passear no Jardim Botânico e em Petrópolis.

De repente, num final de tarde, aceitamos o convite para um grito de carnaval e, pelas características, penso ter sido no famoso “Bola Preta”. Na verdade, os caras ali queriam mesmo fazer número de gente para impressionar numa carreata pelo Aterro do Flamengo até Copacabana.

O auge do passeio foi o Maracanã. Irundy, um botafoguense roxo, nos fez o convite e assistimos a Botafogo 2 x 2 Grêmio (acredito). Fizemos contato com o maior do mundo [o estádio, é claro], e até hoje tenho a idéia da grandeza daquele gigante.

Tivemos casos engraçados durante todo o tempo. Foram dias divertidos. A viagem serviu para coroar a nossa convivência de ginásio. Assim, a EMBAIXADA da alegria, carregada de lembranças, foi e voltou pelo “green carpet” da Penha. (1971/1972).


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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O Blog de Luizito


Já está no ar o blog EU... FIDELIS DI LUIGI http://lfsarno.blogspot.com/

Mais uma oportunidade para conhecermos histórias de Poções. Luiz Fidélis Sarno é o Luizito, filho do nosso tão querido e saudoso tio Luigi Sarno.

Nasce com a marca registrada de mais um italo/poçõense, naturalmente intitulado Fidelis di Luigi, homem viajado e cheio de boas passagens pelo mundo.

Parabéns e que tenhamos bastantes histórias.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O blog, 3000 vezes

O Blog atingiu hoje o visitante 3000. É um número muito modesto, mas altamente compensador para um projeto específico que é reviver a nossa Poções de antigamente.

Quero agradecer a todos que acessaram, comentaram e manifestaram com mensagens de apoio e email´s diversos.

Não posso esquecer aqueles que se manifestaram pessoalmente durante a Festa do Divino. Pessoas que apareciam de repente e demonstravam com carinho o costume de ler o blog.

Tudo isso eu traduzo como incentivo para continuar a escrever os bons tempos da minha vida e demonstrar o quanto a cidade é importante para mim.

Portanto, gostaria de dizer que o blog está disponível para a publicação de histórias dos tempos de todos vocês. Lembrar o passado e dividir emoções são tarefas obrigatórias para todos nós, poçõenses.

Muito obrigado.


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sábado, 24 de julho de 2010

Poções na Fonte Nova

O estádio da Fonte Nova está sendo demolido. Tomara que se apaguem os costumes ruins dos nossos árbitros, a exemplo do trio de arbitragem comandado pelo juiz Gleidson Oliveira e os bandeirinhas Marcos Welb Amorim e Antônio César Brasileiro Oliveira. As lembranças? Estas não serão esquecidas e me lembro do que estes três caras conseguiram fazer com o time do Poções.


Naquele 04 de abril de 2007, fui para ao estádio em companhia do meu filho Ricardo e dois amigos paulistas – Reinaldo e Irineu. Nós ficamos sentados bem perto de onde a arquibancada despencou meses após, numa área meio que mista, mas com alguns torcedores do Bahia. Os torcedores de Poções estavam na torcida do Vitória – eram uns trinta talvez, mas não tinha bar por perto, então não nos juntamos a eles.

O Poções começou o jogo embalado e logo aos 11 minutos o primeiro gol. Eu pulei e gritei no meio da torcida do Bahia. Os infelizes dos torcedores tricolores da capital me aplaudiram e disseram: Isso aí, timinho vagabundo esse Bahêa!

Meu filho e meus amigos me alertaram: Vamos tomar “porrada” desses caras! Eu respondi afrontando: Qual é, tenho cinquenta anos e nunca vi meu time jogar dessa forma! Não to nem aí!

Mais nove minutos e novo gol do Poções. Os tricolores foram ao delírio com os 2x0. E gritavam: Time de puta, time de puta... Enquanto isso, eu pulava ainda mais nas arquibancadas e meus companheiros me alertavam para uma possível revolta dos tricolores da capital.

Mas o pior estaria por vir - a reação do Bahia. Empatou o jogo e a cantiga mudou: Torcedor do Poções é puta, torcedor do Poções é puta! Aumentou ainda mais quando virou para 3x2. Eles encostavam e diziam: Grita agora, puta! Os meus companheiros queriam se mudar de lugar. O Irineu dizia: Velho San, “vamo” apanhar aqui. Reinaldo lembrava que não agüentava correr. Meu filho dizia: Não reage não, pai!


Pênalti para o Poções aos 50 minutos. O goleirão Ewerton cruzou o campo, pegou a bola, colocou na marca do pênalti. A bola bateu na trave e cruzou a linha e saiu. O bandeirinha não apontou o meio de campo. O juiz encerrou a partida e o Poções perdeu. Festa na Fonte Nova. Saimos ilesos!

Mais uma vez, naquele dia, o recurso da Fonte Nova foi utilizado: - o de ser favorável aos times da capital. Mas, os tricolores daqui, naquele ano, subiram para a segunda divisão e ficaram por aí mesmo. Pelo visto, tanto o Bahia e o Poções vão amargurar nessa posição por um bom tempo.

Pior para o Poções.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A Busca e o Silêncio - Livro de Isaac Luz

Comunico o lançamento do livro A Busca e o Silêncio, nesta sexta-feira, dia 23/07, às 19 horas, na livraria Holambras, situada na Rua das Dálias, 493 - Pituba (fone 71-3451-1936), aqui em Salvador.

Isaac é filho do grande amigo poçõense Gilberto Luz (Pancho).

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Professora Zirinha e a velha Marcolina

Semana passada, viajei para Jacobina em companhia do amigo Guilherme Junot, companheiro de trabalho. Fomos falando sobre as igualdades entre Poções e Ilhéus, as nossas terras natais. Já mencionei em outra crônica, que nós somos oriundos da mesma capitania hereditária, a de São Jorge dos Ilhéus, de Jorge Figueiredo Correa, apenas separados por 210 km de distância entre as duas cidades.

Quando ele falou da professora Benedita, dos bolos que levou por causa de não saber responder a tabuada, eu me lembrei da professora Zirinha. Falar dela é relembrar a sua escola na baixa da Lapinha, onde uma legião de estudantes ia fazer o reforço escolar, o que chamávamos de banca. Na verdade, aquela galera ali não queria muita coisa com a “hora do Brasil”. Minha mãe dizia: “ou você estuda, ou te mando pra dona Zirinha”. Era a segunda chance de aprender o que não tinha aprendido na escola regular. Quem gostava de estudar, não precisava fazer a banca.

Quando ela passava pra tomar a lição, a gente tinha que estar afiado, na ponta da língua, como se dizia na época. Tomava cuidado para não ficar de pé quebrado (segunda época) porque ali seria o lugar próprio para passar parte das férias estudando. A lição tinha que ser aprendida e as perguntas respondidas como uma verdadeira sabatina, caso contrário a palmatória aparecia. A sua assistente Abigail era mais maneira e batia devagar. Como estudávamos em mesas grandes, sempre procurei aquela que Abigail ficava. Lembrei de Paulin de Doca, que não permitiu tomar uns bolos com a palmatória e pulou a janela – nunca mais voltou.

Mas aquela senhora de óculos com lentes redondas e fortes, blusa de tricô, com a palmatória na mão, me traz as boas lembranças dos tempos de curso primário e o quanto pude aprender só em pensar em ter que ir para a escola da Professora Zirinha.

No retorno de Jacobina, passando pela Vila Fátima, entramos na estrada que dá acesso ao município de Capela do Alto Alegre, em meio a algumas casas de um pequeno povoado para procurar Dona Isabel Rezadeira. Junot insistiu que deveria ser rezado e me perguntou se eu acreditava nessas coisas. Tentava me convencer que viajaríamos mais leves e a semana seria bastante diferente, produziríamos mais.

Respondi que acreditei muito na reza da velha Marcolina e contei a sua história. Além de rezadeira, a velha era muito especial na família. Tinha presença constante. Ela era uma florista excepcional e a sua arte baseada em utilizar retalhos de roupas e papel crepom para fazer as belas rosas com talos na cor verde bandeira.
A velha Marcolina (ao lado da noiva) no casamento de uma das suas netas - foto Vitinho Borba.


Quantas vezes nos rezou e bocejou. Insistíamos na possibilidade de rezar três pessoas na mesma seqüência e ela não agüentava de tanto bocejar e lacrimejar os olhos – sinal de muito “carrego”. Era especialista em espinhela caída, carne quebrada, cobreiro, quebranto e outros males curados com aqueles três ramos de plantas. Vez em quando me dava uns conselhos.

Mas a velha Marcolina, além das rezas e das flores, era a matriarca de uma grande família, avó de Joel e Josenildo, os meus colegas de escola. Sogra de Homero pintor. Mãe de Floriza e Beto, quem me ensinou a fazer carrinhos de madeira.

Professora Zirinha e a velha Marcolina foram exemplos para a nossa cidade!

domingo, 4 de julho de 2010

Mão de Deus ou Beijos de Judas?

Por Ricardo Sangiovanni e Sebastian Gross
Direto de Berlim - http://makarapa.atarde.com.br/




Berlim – Antes de o jogo começar, o repórter da TV alemã ZDF, direto da África do Sul, entrevista dois torcedores juntos – um argentino e o outro, alemão. “Quem ganha hoje?” E o portenho logo antecipou-se: “Nós. Sabe por quê? Por que temos a ‘Mão de Deus’”. (veja em aqui).

A torcida alemã no espaço “11 Freunde” (que significa 11 amigos), em Friedrichshain, zona leste de Berlim, sorriu. E continuou bebendo tranquila sua cerveja, sem dar muita importância – parecia prever que, no fim, a tarde seria de festa. E sorriu novamente ao ver Maradona dar um beijinho no rosto de cada um de seus comandados antes de mandá-los ao gramado. Que Mão de Deus que nada: a tarde seria é de Beijos de Judas.
Foi como se, com cada beijinho, o ex-milagreiro argentino tivesse transmitido a seus jogadores a ansiedade e o excesso de confiança que o torcedor entrevistado demonstrara.

Assim, o primeiro gol saiu logo, mas não espantou totalmente a tensão da torcida. No galpão de uma antiga oficina mecânica abandonada onde foi montado o telão onde vimos o jogo, houve quem berrasse a cada ataque argentino, como se tentasse espantar a bola com os berros; houve quem, com o coração acelerado, ameaçasse ir-se embora.

Um pouco mais de tranquilidade veio só com o segundo gol. E nem o mais otimista dos alemães esperava que sua jovem e orgulhosamente multi-étnica seleção marcasse ainda outros dois. Muito menos o passeio sobre a Argentina de Messi. “Foi ótimo o jogo-treino que acabamos de assistir”, disse o ex-goleiro Oliver Kahn, hoje comentarista no canal alemão.

Até o terceiro gol, a galera gritava a cada roubada de bola, cada passe certo, cada lance de perigo. Depois, passou a gritar mais ainda, mas agora eram irônicos “oooooh [que peninha...]” a cada vez que Maradona aparecia na tela, em close. Close daqui, gol de Klose dali, a torcida alemã foi ao delírio.

FESTA EM BERLIM MULTI-ÉTNICA. E saiu pela rua cantando e gritando e parando carros na rua, cada um com a sua garrafa de cerveja na mão. Na rua, um senhor de barba branca, já embriagado, tirou sarro de uma amiga alemã que vestia uma camiseta alvi-celeste (ela morou na Argentina e quis demonstrar sua simpatia). “É que ela não tinha outra roupa para vestir”, dissemos ao homem, de brincadeira. Ao que ele prontamente respondeu: “Ora, então melhor que não estivesse vestindo nada”.

Tudo isso, é claro, em bom alemão. Idioma de uma Alemanha com alma cada vez mais cosmopolita, cuja diversidade de rostos da seleção se vê também nas ruas de Berlim e vai tornando-se aos poucos sua marca registrada. Nas ruas vimos com bandeiras alemãs rostos de origem turca, como o de Özil. Ou africana, como o de Boateng. Ou polonesa, como o de Podolski. Ou sulamericana, como o de Cacau. Ou germânica mesmo, como o de Friedrich, o mais abraçado por todo o time e mais aplaudido pela torcida ao marcar o segundo gol – ele que, reconhecidamente, acaba de fazer uma péssima temporada pelo Hertha Berlim, que caiu para a segunda divisão da Bundesliga neste ano.

Berlim agora é a única capital da Europa sem um clube na primeira divisão da liga nacional. Mas quem se importa com isso, quando se está na semi-final da Copa, e com sobras?

sábado, 3 de julho de 2010

Os times dos sonhos

Por Luiz Carlos Schettini lcschettini@yahoo.com.br

Recebi do meu amigo Luiz, um email com os nomes dos jogadores dos times de Poções. Os times não eram conhecidos por nomes próprios. Tinham a identificação pela rua, escola ou grupo de onde eram criados. O maior contador de histórias de Poções que conheço, Luiz é muito modesto. Nessa época de copa do mundo cheia de seleções ruins, veja o que ele diz:

“Sei que não sou um historiador nato, mas lembro de algumas coisas pitorescas da nossa querida Poções. Lendo o seu blog sobre futebol, me lembrei desses dois times. Espero que possa melhorar as historias de Poções e me desculpe se omiti alguém. Me lembrando, mando para você.

Tivemos um time formado pela galera da Rua da Itália e ruas mais perto, com amigos e colegas de colégio:

Jorge Bufão, Satoba, Satobinha e Satobão, Sola e Sapatão, Lobo e Lobão. Carrancudo, Preá e Zequinha barriga vazia. Os reservas eram Migueluccio (goleiro) ,Pedro Sibin e Bizin.

Pelo lado de cima, na rua onde tinha e ainda tem o motor da Coelba (Rua de Morrinhos):

Pela, Mela, Capela e Barrela, compadre dobradiça (Dalvadizio), compadre Chevrolet, Pia, Pata e Ponga. Bubute, Cozin e Laro.

Espero que você goste, depois falarei sobre o Time SAIA BIGUÁ”