"Se chorei ou se sorri, o importante é que em Poções eu vivi"

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Centro Cultural Fedele Sarno

Fedele Sarno
Ontem, 16, em Poções, foi aprovado o Estatuto e eleita a Diretoria provisória do Centro Cultural Fedele Sarno para os próximos seis meses. Após este período, será escolhida a diretoria definitiva para um mandato de dois anos.

Assim ficou definida a direção do Centro:

- Fábio Agra e Gildásio Júnior – Direção Geral
- Diana Lucard - Secretária Geral.
- Samara/Rubens – Tesouraria
- Leonel Nunes/João Dias e Ariana Amaral assumem o Conselho Fiscal.
- Jânio Rocha, Zezel Leite, Manoel Alex, Wellinton Fagundes, Léo, Carlos Rizério, Adilson Santos, Fidélis e Geraldo Sarno fazem parte do Conselho Consultivo.

Durante os trabalhos, estava presente o artista plástico Adilson Fagundes Santos, que prometeu doar um quadro pintado por ele para que se faça um leilão com o objetivo de arrecadar fundos. O fotógrafo Carlos Rizério Filho doará um dos seus trabalhos fotográficos com o mesmo objetivo.

Enfim, o trabalho foi inciado e outras doações serão bem-vindas. Parabéns e sucesso à Diretoria no desenvolvimento do Centro.

Lembrando que o prédio onde funcionará o Centro foi uma concessão de Fidélis Mário Sarno e leva o nome do seu avô Fedele. Para muitos, vale lembrar que Fedele Sarno é o grande patriarca da família Sarno. 

Ele sempre se manteve na Itália, mas todos os filhos se mudaram para Poções e foram importantes no crescimento de diversos segmentos na cidade, principalmente o comércio. Criaram as suas famílias e hoje conta com mais de 200 descendentes. Mas, eu pedirei a Eduardo Sarno, seu neto historiador, para que nos conte um pouco dessa história.


(Com informações de Zezel Leite)

.

domingo, 6 de julho de 2014

Comônio aí!!!

Texto original publicado em 2009 no extinto site Guia Poções


Nesse final de semana, eu estive rapidamente em Poções. Atualizei-me sobre a Festa do Divino. Quis saber se as notícias dadas pela pomba branca eram verdadeiras. Só ouvi comentários e nenhuma confirmação da programação da Festa da divisão. O sagrado e o profano ainda não se decidiram. O certo é que no calendário, o último dia será em 31 de maio.

Se a pomba estiver certa, teremos o ano da mudança. Festa dividida e o Poções caindo para a 2ª divisão do futebol baiano.

Fiquei conversando com o meu irmão Pepone na varanda de casa, lembrando de coisas do passado, principalmente das brincadeiras. Da mesma forma que a gente sentia que a hora não passava, parecia que as nossas brincadeiras haviam acabado de acontecer.

Numa época em que não havia internet, quais eram as nossas brincadeiras?

Ali mesmo, na Rua da Itália, transformávamos um pedaço dela num campo de futebol. O poste ao lado da varanda da nossa casa era um gol. O outro gol  era no limite entre o armazém de Fernando Schettini com a casa de Zóstenes Vaz. O único lugar do mundo onde os gols ficavam no lugar do escanteio. O local era exclusivo da criançada moradora da Rua da Itália e a gente só perdia a vez quando Luiz Bosteiro chegava para passar as férias em Poções. Era um terror, ninguém mais tinha direito a nada, só ele mandava.

Também era no armazém de Fernando que a gente brincava de esconder entre as imensas pilhas de sacos de mamona e café que eram comercializados naquela época (hoje funciona a academia de Rosita Palladino).

Durante o dia, lá na praça da prefeitura, a brincadeira era com o pré-histórico pião. Pobre dos piões pequenos, as carrapetas ou catatais. Normalmente, eles tinham o castelo “bizocado”. Na roda, a gente só colocava o catatau.

Quando não era pião, chegava a temporada do triângulo ou da gude. As gudes eram compradas em Seu Emério Pithon, no Bazar Natal. Com o “cocão” (gude grande) a gente dava o “aço” (bater na gude menor para afastá-la da “casa”).

Ladrão e polícia era a brincadeira preferida. Tinha mesmo que pegar o cara no braço e levar para a “cadeia”. Normalmente a gente usava as varandas das casas para fazer o cativeiro. Se bobeasse, o ladrão invadia e bastava passar a mão na cabeça do preso para ele se livrar.

Das telas do cinema para a rua, foi trazido o “cowboy”, que era uma variação “western” do ladrão e polícia. A imobilização do bandido se dava com a expressão “comônio aí” uma espécie de mãos ao alto. Normalmente, o bandido usava um lenço amarrado no rosto, o que dava maior realidade e originalidade à brincadeira. A atividade física era tão ativa que a sensação do frio passava e ainda dava para brincar sem camisa. Esquentava o frio, como dizemos.

Com os pequenos revólveres de brinquedo na cintura, daqueles de cabo branco e rolinho de espoleta, a gente transformava a Rua da Itália numa verdadeira praça de guerra.

Hoje, nenhum sinal de brincadeiras. Naquela noite, apenas duas crianças convenciam o velho Zica, caído e embriagado, para que encontrasse o rumo da sua casa, evitando que fosse roubado e “judiado” pelos malandros.


Durante as quatro horas que ficamos na varanda conversando, tivemos a presença de alguns amigos que participaram das brincadeiras do passado, pararam seus carros e trocaram alguns minutos de boas lembranças.

.

sábado, 5 de julho de 2014

Novo Blog do Irundy

Nosso mestre Irundy Dias atualiza o endereço do seu blog. Conta de forma detalhada passagens da sua vida e, com elas, histórias de uma Poções antiga.
Os queridos mestres Irundy e Noélia, sua espôsa
Parabéns a Irundy por nos presentear com detalhes que só uma memória privilegiada possibilita.

Poções agradece ao mestre de nós todos.

Acesse o blog através do endereço:
Blog do Irundy

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Pedro Alves Cunha - Falecimento

Pedro Alves Cunha
Recebo a notícia do falecimento do Sr. Pedro Alves Cunha. Ele foi prefeito de Poções em duas gestões: de 1967 a 1970, sucedendo a Aníbal Carvalho. Se elegeu novamente em 1973, permanecendo até 1976, quando foi sucedido por Octávio José Curvelo.

Era casado com Dona Regina Novaes Cunha e pai dos amigos Pedro Cunha Filho, Rosângela, Ruy e Solange Cunha.

À família, um abraço e os sentimentos da família Sangiovanni.

.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Pop78 - Uma viagem ao passado



Ensaio da Banda Pop78
As notícias que chegam de Poções, dão conta de uma onda de euforia e expectativa com a Festa do Divino. Tenho a impressão que este ano será o fim do “divisor de águas” entre o antigo e o novo – enfim, diversão para todos os gostos e idades. 
A festa do grupo de amigos do Velhas Fotografias de Poções também promete (07/06). Um reencontro de amigos como nunca visto - casa cheia, como se diz no futebol. Tenho lido confirmações de presenças de pessoas que já haviam dado como encerrada a participação na adoração ao Divino.
Uma das maiores atrações, com certeza, será a Banda Pop78. A antiga banda Os Fantasmas, de Poções, se manteve travestida durante anos com nomes que fizeram sucesso, sendo o Fase Cinco um dos grandes. Chegou a vez de voltar pra casa. Tocar no Clube de Poções é reviver a sua origem.

Nessa euforia de voltar, a convite de Robertinho Prudente, eu fui conferir o ensaio que a banda fez há duas semanas e vem repetindo quase todos os dias.

Fui recebido por Jeová, Robertinho e Albérico no estúdio do Itaigara com a alegria de quem não se via há anos. Os olhos de todos brilhavam na mesma intensidade. Respirávamos um ar de nostalgia, e ansiedade para começar o ensaio de imediato, mas ainda existia um mundo de fios a ser conectado nos aparelhos.

Carlos Senna
Ao lado deles, o experiente contrabaixista Carlos Sena dava as coordenadas para o ensaio começar com um “ar” muito espontâneo e sorridente. André Barbosa, o Pixinguinha, tocava no teclado umas notas querendo ensaiar aquilo que já estava planejado. Enquanto isso, Jeov
á montava o pedal na bateria e escolhia as baquetas sob a gozação de Albérico. Robertinho me apresentou a lista com todo o repertório e o que tocarão nas sequencias.

Como não entendo muito, fiquei na cerveja anotando e fotografando enquanto cada música era ensaiada. Entre uma e outra, a pausa para lembrar dos detalhes do passado. “Milionários” foi a única liberada para dizer que está no repertório. Mas, eu disse que “Georgia” deveria ser no início de algum intervalo para a gente se lembrar do momento em que cruzávamos o salão para neutralizar a concorrência na hora de formar o par para dançar.

Jeová Prudente
As baquetas de Jeová soavam como uma marcação de tempo, literalmente. Pra marcar o tempo de entrada de uma nova música, bem como uma marcação do nosso tempo de adolescente . Robertinho olhou para Albérico e puxaram o sucesso antigo - “Cândida”. Sucesso total no estúdio, os cinco cantaram e se formou um coro bonito, harmonioso. Era como estar no meio do salão do Clube de Poções. Embalaram o ensaio ao som de Creedence Crewater Revival e eu, grudado na Skol, imaginando como será a nossa festa. A sequencia dos Beatles é fantástica (chega, pois prometi que não contaria).

Enquanto trocava os pedais de solo da guitarra, Albérico comentou que a banda promete surpresas e fortes emoções. Relembrar o passado é o presente da confraternização com os nossos companheiros. Os estilos de cada um estão mantidos e isso faz parte do espetáculo. Animação e disposição pra tocar durante horas não vão faltar, prometeram.

Só posso garantir que tudo aquilo que vi e anotei não é metade do que a Pop78 vai mostrar. Quem quiser conferir essa empolgação envolvente vai poder viajar no passado – nós, a plateia delirante – eles, os músicos apaixonados pelo passado. Um casamento perfeito!!!

A festa promete e quem viver (revi)verá sempre...

.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Velhas Fotografias de Poções

Por Valdiria Rocha (27/05/2014)

Velhas Fotografias de Poções é um título autoexplicativo que indica uma linguagem, um tempo e um lugar. Um acervo de imagens, de compartilhamento de memórias, lembranças, registros da história de um povo, da identidade de uma comunidade. Daí a sua grande importância e o seu valor.

Ao mesmo tempo, Velhas Fotografias de Poções é um lugar sem chão, como a casa muito engraçada de Vinícius de Moraes, que não tinha teto... nem nada. Um ambiente feito de ondas magnéticas, um meio de comunicação desse nosso tempo onde a magia das tecnologias contrai, dilata, acelera ou para o tempo e o espaço, fazendo do mundo uma aldeia, e das distâncias apenas uma circunstância. Nosso Mestre Gilberto Gil já disse em décadas atrás que: “Antes mundo era pequeno Porque Terra era grande Hoje mundo é muito grande Porque Terra é pequena Do tamanho da antena Parabolicamará” e mais “Pela onda luminosa Leva o tempo de um raio Tempo que levava Rosa Pra aprumar o balaio

Quando sentia Que o balaio ia escorregar Ê volta do mundo, camará Ê, ê, mundo dá volta, camará”.
Nessas ondas luminosas nós navegamos ao encontro do fio condutor que nos leva a um lugar onde nos encontraremos por inteiro. Navegamos de volta para casa, para o abraço seguro dos amigos, o colo amado dos pais e avós, o conforto dos sabores, cheiros, texturas do nosso lar, dos sons e cenários da nossa cidade. Para uma ancestralidade familiar e cultural, uma raiz que dá sentido às nossas vidas, à vida dos nossos descendentes.

José Carlos (Tim de Eurípedes) disse lindamente: “Nós outros, ainda mortais, desfrutamos dessa benesse tecnológica que nos permite, à distância, reviver nossa inocência e nos comunicarmos impessoalmente”.
O espaço virtual nos permite refazer o caminho que, indubitavelmente, nos leva ao encontro de nós mesmos e de todos os outros que nos constituem pela genética ou pela convivência social. Há um tempo marcante onde a essência da nossa identidade se formou. Aquela parte que explica o nosso EU mais singular, que ampliamos no contato com os diversos mundos que passamos a habitar. Pois, como disse o poeta Alberto Caeiro,

 
“Da minha aldeia veio quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...”
Aqui podemos nos re-conhecer e estabelecer essa ponte entre as gerações para que a nossa cidade POÇÕES retome suas raízes, sua beleza e solidariedade, sua alegria espontânea e simples, sua grandiosidade artística libertando as almas cantadoras, musicistas, poéticas, cênicas, escritoras, plásticas, educativas oriundas de troncos ancestrais multiculturais.

Que o Divino Espírito Santo abençoe essa Terra e o seu povo, sempre.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Homens de capas

Don Diego de La Vega se transformava em Zorro. Bruce Wayne se transformava no Batman e Clark Kent no Superman. Deixavam as suas funções para trabalhar para outros mais necessitados. Todos usavam capas nas suas transformações.

Refletindo nas histórias desses “supers”, Poções deixaria de ter sucesso se alguns dos nossos não se transformassem e desenvolvessem várias outras atividades, além daquelas que desenvolviam naturalmente.

Colocar e tirar a capa, traduz o objetivo dessa crônica.

Otoniel Costa
(Foto: Vinícius Costa)
No beco dos Artistas, Otoniel Monteiro Costa, Tani, riscava com giz as roupas que iria costurar. Com a fita métrica pendurada no pescoço, transferia para o tecido as medidas exatas tiradas nos seus clientes. No final do dia, deixava de soprar o fole do ferro de engomar, tirava a capa de alfaiate e vestia a capa de músico - ia soprar um instrumento musical. Com isso, Armando Jacó, Zé Armando, Tonhe Arleo, seus funcionários, acompanhavam com outros instrumentos. O beco virava uma festa.

A figura franzina do comerciante Francisco Paradela subia a rua da Itália depois que fechava a casa de negócios na praça. No escuro da Praça da Bandeira, vultos circulavam em direção a um único local – a Maçonaria. Se transformava no Venerável Mestre, conduzindo as sessões. A outra capa que ele sempre vestiu foi a de orador nas atividades de datas comemorativas do município.

Quem via passar Senhorzinho Pia, fardado de militar, não imaginava o quão se transformava tocando na Filarmônica de Bernardino “Nadinho” Fagundes. Exímio trompetista, talvez evocasse Louis Armstrong para soltar as notas musicais, tocou na primeira formação musical poçoense que se chamava Os Fantasmas.

O Sargento Severino era o dirigente do Tiro de Guerra 135. Firme nas suas colocações, rígido nas instruções, mas um bom papo Quando tirava a sua capa, ia para o ginásio dar aulas de francês e inglês. Assim, também era o Pastor Isaías, que deixava a sua igreja protestante para ensinar francês no ginásio.

Olímpio Rolim, um excelente farmacêutico, dono da Farmácia Sudoeste, vestido com a capa profissional e o pijama na sua varanda, tratou de vestir a capa de prefeito municipal, entre 1959 e 1962.

Quem teve a capa de jogador de futebol foi João Batatinha. Quando tirava a capa, era um excelente tipógrafo. Na necessidade de decidir entre seguir a carreira de jogador ou ser tipógrafo, preferiu a segunda capa. Não deixou ainda de ser a referência das nossas tardes de domingo no campo de futebol e não deixou de exercer a sua escolha.

Falando de futebol e cinema, tivemos Tena como um excelente administrador de cinema e desenhista de cartazes. Mas, a capa que ele vestia era a de jogador de futebol, de lateral esquerdo, trazendo alegrias e qualidade ao nosso futebol.

Ainda uma das capas mais alegres de Poções - o mecânico Florisvaldo Cruz Ramos (Dôca). Deixava a capa pendurada na sua Oficina e vestia a capa da felicidade. Ia para o cinema e, lá, se transformava numa figura que deixava os seus problemas e se incorporava no artista do filme ajudando nas ações e tramas da película – um verdadeiro torcedor de cinema. Também teve uma capa importante na Maçonaria, cuja loja leva o seu nome.

Apenas algumas lembranças de homens que vestiam capas e marcaram Poções de alguma forma. São tantos e prometo sequenciar aqui com a lembrança de outros importantes personagens.
  

.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

O jegue que comia papel

O jegue, em Poções, sempre fez sucesso. Criar o animal, porém, nunca foi vantajoso porque não trazia retorno financeiro. Bruno Sangiovanni, meu sobrinho, quando morava aqui em Salvador, me passava a cotação: “tio, um jegue em Poções custa cinquenta centavos e ninguém quer comprar”. Explicava, portanto, a razão de tanto jegue perambulando na cidade.

Me lembro de passagens envolvendo jegues na cidade, numa época em que os animais andavam soltos e se alimentavam nos mangueiros ao longo do rio São José – nas gramas do chafariz defronte a casa de Dr. Alcides e no campinho das gramas, onde passa a tubulação de água quase defronte da casa onde morou Seo Abel Magalhães.

- Seu Liligo, Seu Liligo, me acode. O jegue “butuou”, o jegue “butuou”, repetia Véio de Zé Galo depois de tentar um encontro amoroso com o animal e esse  desembestar pela Av. Cônego Pithon. Passou pela frente da casa de Liligo e  recomendou ao “jegueiro”: - belisca o saco do bicho que ele solta. Belisca o saco…

Não vou explicar aqui o que significa “butuou” por duas razões: a primeira é não ter que entrar nos detalhes. A segunda, é que todo poçoense da minha geração tem a obrigação de saber (e como tem) o que significa o termo “butuar”. E quem não é da minha geração, pergunte a alguém mais velho.

Ainda sobre as paixões pelos jegues, tinha os da estrada da Cachoeirinha quando era a época da gabiraba. Bastava uma bicicleta com uma corda no bagageiro e a gente já sabia o resultado.

Mas, vamos voltar aos jegues mansos, os de sucesso. O jeguinho de Dezinho trabalhou muito. Saía de Morrinhos e trazia o leite para ser vendido na casa de Fernando Schettini (Bigode ou Fernando de Araci). E Dezinho não gostava de andar pela estrada dos Araçás, o antigo caminho para Morrinhos. O velhinho, de barbas brancas e tronco arriado, deixava os baldes cheios, pegava os vazios e os  deixava pendurados na cangalha enquanto fazia a venda do leite, litro a litro. O jeguinho, amarrado, esperava pacientemente até o meio dia, quando Dezinho estava pronto para voltar pra Morrinhos.
 
A turma do jegue na festa do Divino (foto: Ricardo Sangiovanni)
Mas, o valor de cinquenta centavos por um jegue subia de cotação na festa do Divino quando foi criada a Turma do Jegue.  Passava para R$ 1,00. Depois de exibido e montado na chegada das Bandeiras, o animal era solto e retornava para o seu lugar de origem. Até volante o jegue tinha e os enfeites lembravam os que desfilavam na lavagem da Bonfim, aqui em Salvador.

Como os animais andavam soltos, era comum que eles buscassem alguma coisa para comer. Certa vez, um daqueles pequenos redemoinhos que aconteciam em Poções, levou uma folha de jornal para a varanda da casa de Emílio Sarno (vizinho ao casarão dos Schettini). O jegue, paciente, subia a rua da Itália, foi direto na folha de jornal e comeu o papel naturalmente. Eu achei aquilo estranho e guardei na memória a cena.

Quando os meus filhos, Ricardo e Carla, eram pequenos, minha mulher Bete tinha o costume de contar histórias para que eles dormissem. Um dia, sendo a minha vez de colocá-los para dormir, contei a história do jegue que comia papel. Entre eles, essa história virou um “clássico” infantil. Toda vez que eu estava próximo e perguntava qual a história que queriam ouvir, eles não negavam a resposta e diziam:

 - Conta a história do jegue que comia papel.


.

A poçoense Rosa Alba lança blog com as suas artes

Tela de Rosa Alba (50x50)
Rosa Alba lança blog e apresenta os seus quadros. Como sempre informo aqui, mais uma poçoense de sucesso. Para aqueles que não conhecem Rosa, ela é filha de Valentim e Giuseppina Grisi Sarno e irmã do cineasta Geraldo Sarno.

Visite o blog http://rosaalbapintura.blogspot.com.br/ 

.

domingo, 27 de abril de 2014

Dona Nainha - 95 anos bem vividos...


Quero aproveitar para registrar e parabenizar a Dona Nainha, seus filhos Jorge, Paulo, Roberto e Maria Rita, os seus netos, especialmente Clarissa, George e Vinicius, pelos 95 anos bem vividos e comemorados.
Dona Nainha Dantas e seus netos (Foto: Reprodução Facebook)
Em Poções, pude conviver muitas vezes com essa pessoa alegre e voltada para a família, sempre ao lado do seu marido, o inesquecível Seo Duca.

Muita saúde para Dona Nainha. Abraços a todos.

 .

Milena Palladino lança o livro Sobretons

Sobre seu modo de olhar a vida com poesia,
Milena Palladino traz seu primeiro livro.
SOBRETONS é, sobretudo um livro sobre sentimentos,
que reúne haicai com fotografia.

Com as palavras acima, a fotógrafa Milena Palladino anuncia o lançamento da sua obra na página do Facebook https://www.facebook.com/events/1398704547076472/?ref=ts&fref=ts.

Aqui mesmo, no blog, já escrevi sobre a sua arte fotográfica. Sem dúvida alguma, essa menina é um orgulho pra todos nós, poçoenses.

As suas belíssimas imagens mostram a forte ligação com a cidade interiorana, carregadas de relação com a natureza e ligada com a veia poética, coerentes com os  sentimentos. Quem lê o seu blog, depara com uma apresentação simples, mas que define toda a essência da artista:
Milena Palladino (foto Facebook)




“jornalista, baiana, retina de fazer retrato, escrevinhadora de sentimentos e dona desse blog que mais parece um caderno velho” (http://milenapalladino.blogspot.com).



Agora, ela nos presenteia com o livro Sobretons, registrando as imagens captadas pela retina diferenciada e os haicais que exprimem puros sentimentos. Milena se junta aos nossos conterrâneos talentosos que tornam públicas e eternas as suas obras .



Quem perdeu o lançamento semana passada, aqui em Salvador, terá a chance de prestigiá-la e conhecer a  obra no lançamento, dia 30, quarta-feira, às 18:30h, na Livraria Nobel, Rua Rio Prado, em Itabuna, onde mora atualmente.


Parabéns Milena. A sua arte é uma inspiração.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Você sabia? (Annina Sarno)


Você sabia?

Anna Maria Sangiovanni Sarno (Annina)
Que a senhora ANNINA SARNO, já falecida, teve a bela e feliz iniciativa de fazer a "CAMPANHA DO CRUZEIRO", com a finalidade de angariar fundos para a construção da atual IGREJA MATRIZ DO DIVINO ESPÍRITO SANTO?

Ela saía sozinha, somente aos sábados, de casa em casa, de barraca em barraca, com a sua enorme simpatia, recebendo ajuda até dos pequenos feirantes e donativos que cada um podia dar.

Lembro-me bem, que ela chegava ao meu Consultório Dentário e dizia : -"Campanha do Cruzeiro!"

Aquele cruzeiro, eu já deixava separado pois sabia que ela nunca deixaria de passar, a não ser se estivesse acamada. Mesmo sendo idosa, doença era difícil de pegá-la desprevenida.

Vou agora, reclamar de viva voz, que até hoje, nenhuma autoridade constituída desse Município, lembrou-se dela.

E há tanta gente, que nada fez por esta Cidade, e já consta o seu nome em placas de ruas ou de escolas e por aí afora...

Caso tenha acontecido algum agradecimento ou manifestação de apreço pelo o que ela fez por Poções, não houve A DIVULGAÇÃO NECESSÁRIA. Eu mesmo não soube.


VOCÊ SABIA ?

sábado, 12 de abril de 2014

Baltazar, um encontro de Reis

Meu amigo e irmão Lourival, o rei Baltazar, em 2008 (Foto: Ricardo Sangiovanni)
Quem acompanhou a cruzadinha eucarística de Dona Fetinha sabia o quanto era difícil ser algum personagem nos ternos de Reis ou na semana Santa, na igreja de Poções.

Em todo evento religioso, havia a caracterização de um personagem bíblico. Fetinha escolhia sempre pela presença na igreja, nas missas. Zé Marinho, seu neto, tinha lugar cativo no papel de apóstolo, de um dos Reis Magos e um cargo não tão bíblico, o de porta estandarte. Isso nos deixava furioso. Às vezes, revezávamos esses “papéis”, mas tinha que ter o aval da nossa líder. Melchior e Gaspar, dois dos reis, eram sempre disputados na surdina, entre nós da cruzadinha.

Portanto, quem não foi Rei Mago em Poções?

Mesmo no papel de Baltazar, que era um rei negro, tinha concorrência - Uma vez era assumido por Lourinho (Lourival), outras por João Queiróz ou por Rosivaldo (Nêgo Rosi), pois eram nossos colegas negros.

O tempo passou. Fomos para o curso de admissão e o Vanderlei (Nêgo Vando) tratou de colocar apelido em todo mundo. Omoplata era um deles, pois dizia que era quem andava com a mão no ombro do outro. Tenaz, porque a amizade era muito boa e o cara colava mesmo. Sobrou para Lourinho o apelido de Baltazar, por ter sido um dos mais famosos Reis Magos de Poções.

Solidificamos o apelido durante o curso do Ginásio e ficou até hoje. Além do apelido, uma amizade  daquelas que não precisa de muito grude, de cola Tenaz, mas de grande qualidade quando a gente se encontra – um verdadeiro encontro de Reis.

.

sábado, 5 de abril de 2014

Monnaliza e Leonardo Mascarenhas

Nas minhas andanças, fui parar em Ribeirão Preto pela terceira vez. Agora, participamos da formatura da especialização da minha afilhada Monnaliza Porto Fagundes Mascarenhas.

Lulu e Bete com Monnaliza e Leonardo Mascarenhas (Foto Ricardo Fagundes)
Monnaliza se casou com Leonardo. Interessante, pois a arte diz que Leonardo pintou a Monnaliza. Leonardo, também médico, já trabalha em Vitória da Conquista. Me disse que quando atende alguém de Poções, fala que é meu sobrinho e as pessoas respondem: O cara do blog? Lulu?

Pois é, Vitória da Conquista e região ganharam um grande reforço médico. Dois jovens que fizeram  medicina com uma dedicação extrema e competência nas suas especializações. Migraram de Salvador para Ribeirão Preto e voltam com a força total e dedicação nas suas ambições profissionais.

Leonardo é Ortopedista com especialização em Cirurgia do Joelho, formação de quatro anos na USP, trabalhando hoje no Hospital SAMUR, IBR e Hospital de Base de Vitória da Conquista. 

Monnaliza, fez especialização em Anestesiologia durante três anos na Santa Casa de Ribeirão Preto e também exerce suas funções no IBR e no Hospital São Vicente de Paula. Continua no constante crescimento e se especializa em Dor, durante mais um ano na instituição de Ribeirão Preto.  

Ela é sobrinha da minha esposa Bete, neta de Valmir Fagundes Santos /Iraildes Moitinho Santos e bisneta de Mem Santos. Portanto, uma descendência direta de poçoenses.
Monnaliza e os seus colegas de turma em Ribeirão Preto (Foto Arquivo Lulu Sangiovanni)
Quero registrar toda a minha admiração e orgulho aos meus queridos sobrinhos e desejar-lhes a plena realização das suas escolhas profissionais na nossa região. 

.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Poções recebe espaço para criação de Equipamento Cultural.

Por Gidásio Júnior  - O Coreto Notícias
A cidade de Poções recebeu um presente, no início desta semana, vindo de uma importante personalidade do município.
O senhor Fidélis Sarno, também conhecido como “Fidelão”, cedeu para a comunidade poçõense no ultimo  domingo, uma casa para a implantação de um equipamento cultural.
Fidélis Mário Sarno - Foto: Arquivo Eduardo Sarno
A casa é situada na rua  Santos Dumont  ao lado do Colégio Municipal Alexandre Porfírio. A cessão foi feita em caráter de comodato e terá duração inicial de três anos.
O acordo foi firmado após uma reunião na casa do Senhor Fidélis à qual estive presente e  que envolveram pessoas ilustres do nosso município como o Cineasta poçõense Geraldo Sarno, o fotógrafo Carlos Rizério, o professor Jânio Rocha, a então vereadora Zezel Leite além do Jornalista Fábio Agra.
De acordo o professor Jânio Rocha, “Não ficou definido que tipo equipamento será implantado no local, o que vai depender das condições do espaço e também da demanda da comunidade que participará ativamente deste processo. Mas esse já é um passo importante que representa uma conquista da nossa sociedade, sobretudo da classe cultural que a muito tempo briga por um espaço próprio.”
O novo equipamento cultural deverá iniciar suas atividades a partir segundo semestre, a intenção é de que sejam realizadas parcerias junto à iniciativa privada e os governos estadual e municipal.

Nota do blog - O gesto de Fidélis Mário demonstra toda a sua generosidade com a cidade de Poções - a terra que o acolheu e que aqui plantou frutos. Parabéns Fidélis, por essa colaboração com a cultura da nossa cidade. Parabéns, também, àqueles que acreditam numa proposta cultural e foram em busca do objetivo. 


sábado, 29 de março de 2014

Sopa de leite (Benção Padrinho 2)

No último domingo, fomos almoçar na casa de meu padrinho Antônio Libonati, que também convidou Elisa e Pepone, meus irmãos.
Elisa, Libonati (de pé), Pepone e Lulu
O que rola em um almoço na casa de italiano são as lembranças da Itália, especialmente de Mormanno, a terra natal de todos os nossos. Ainda mais que, na parede da sala, havia um quadro reproduzido a partir de uma fotografia da casa onde Libonati morou na pequena cidade italiana. O quadro foi pintado por Gerson, meu cunhado, há mais de trinta anos.
As famílias Libonati e Sangiovanni: Pepone, Elisa, Bete, Eliane, Zilma, Delza, Libonati, Lulu e Sérgio.

Além da tradição do almoço em família no domingo, as músicas tocadas são especiais da região sul da Itália.

O quadro era o pretexto para iniciarmos a conversa sobre Mormanno, embalados pela música. As lembranças traziam fortes e emoções quase que contidas, não fossem os brilhos dos olhos à medida que iam sendo contadas. Em determinado momento, Libonati chamou os convidados e disse: “Esse almoço é uma homenagem especial a vocês e a Chico e Anna Maria, seus pais, pela amizade e apreço que eu tinha com eles. Isso era recíproco. Então, estando com vocês, estou com eles”.

Perpetuando essa alegria, eu contei que poderíamos comemorar, pois o costume reza que os italianos comem macarrão na quinta-feira e no domingo. Libonati achou estranho o costume e demorou a se lembrar. Era assim mesmo e a notícia corria longe, falei. Os viajantes, os pracistas que visitavam Poções, ficavam horas vendendo e eram gentilmente convidados para o almoço nas casas dos tios devido a falta de restaurantes na cidade, onde apenas poucas pensões ofereciam esse recurso. Eles ficavam mesmo enrolando para serem convidados.

Tinha viajante que só aparecia na quinta. Um dia, um deles foi convidado. Sentando-se à mesa, quando imaginava que comeria uma bela macarronada, foi surpreendido por um prato inusitado – sopa de leite. Pois é, sopa, minestra ou minestrone eram os pratos prediletos nos almoços na nossa e nas casas dos tios. Sopa de feijão era a mais comum. Mas, no dia em que o leite da fazenda Caetitú sobrava, tinha uma receita de sopa de leite.

O gosto era salgado, mas muito gostosa. A aparência branca do leite gerava sempre uma reação de desagrado. Então, surpreendendo-se com o inesperado prato, nosso viajante não podia se desfazer da “novidade” e, para agradar, disse que adorava sopa de leite. O primeiro prato servido ele tomou em rápidas colheradas. Minha tia, sabendo que o convidado adorava a sopa e como havia tomado rapidamente, tratou de servir logo mais duas enormes conchas.


Coitado, nunca mais aceitou o convite para o almoço.

domingo, 23 de março de 2014

João Bôsco Freitas - Falecimento

Registro o falecimento prematuro de João Bôsco Freitas, ocorrido semana passada.
João Bôsco (foto Facebook)
João Bôsco, um empresário potiguar, veio morar em Poções, virou prefeito e transformou-se em um autêntico conterrâneo, juntamente com a sua espôsa Eletícia e filhos,  protagonizando uma invejável relação de amor à cidade que o adotou.

Parabéns João, você será eterno na nossa cidade.


Fim das férias

Meio de férias, o blog ficou paralisado por algumas semanas. Aproveitei o período para alimentar as baterias com a chegada da página do Facebook, as Velhas Fotografias de Poções, com uma expressiva participação de meus amigos e conterrâneos poçoenses.


Assim, retomo hoje a normalidade do blog com novas boas histórias e lembranças.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Monsenhor Estevam é nomeado Bispo da Arquidiocese de Salvador

Monsenhor Estevam Santos Silva Filho
Nesta Quarta feira, 29, a sua Santidade o Papa Francisco, nomeou o Monsenhor Estevam Santos Silva Filho como Bispo Auxiliar da Arquidiocese Primaz do Brasil São Salvador da Bahia.

O Monsenhor Estevam foi pároco da nossa cidade por muitos anos. Pela firmeza do seu trabalho religioso, seu caráter, principio moral e outras tantas qualidades, a escolha é merecida. 

Padre Estevam, em Poções, na tradicional busca do Mastro (foto: Lulu Sangiovanni)
 
O Blog deseja os parabéns e boa sorte ao padre Estevam e que o seu trabalho possa atingir milhares de pessoas de todo o Brasil.    
 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Opinião - Nosso irmão Mufula!!!

Por Zóstenes Ribeiro

Com sua permissão gostaria de falar de Poções, mas especificamente de uma das figuras carismáticas dessa terra que é o nossso irmão MUFULA - O Radialista das multidões e o poeta dos sertões. Esse cara é um dos maiores artistas do Brasil, e um dos maiores talentos da comunicação contemporânea. 
O radialista Mufula
Podemos comparar o velho Mufa aos grandes decanos da radiofonia. Sinceramente, não consigo entender porque homens como Mufula são tão discriminados pelo sociedade elitista desse país. Mufula, indubitavelmente é o maior comunicador nato dessa cidade. 

Poções e Mufula se fundem na integridade, na poesia e na nobreza do sertanejo. Como eu poderia falar de Poções, a minha cidade, a cidade dos meus pais, sem falar de Mufula, meu dileto companheiro de Rádio. Fui conhecer de forma clara e definida, na sua essência e em todo seu teor intelectual, mas especificamente em Jaguaquara, onde trabalhamos durante vários anos na então Rádio Vale Aprazível, onde Mufula comandava um dos programas mais ouvidos e até hoje lembrados da emissora. 

Em Gandu, uma das cidades mais emblemáticas do Sul do estado, o nosso poeta apresentou praticamente todos os programas, mas fez história mesmo foi na crônica policial. Surpreendendo a todos, o nosso poeta incorporou o maior repórter policial do Brasil, e ao meu lado, comandou as reportagens policias que ficaram nos anais da radiofonia regional. 

Amanhecer na mais linda cidade da região, sem ouvir a voz de Mufula, não tem mais graça!  Não é mais a mesma coisa!  E só. 

.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Rosa Alba Sarno faz exposição de pinturas


Rosa Alba convida a todos para a sua exposição de pinturas ONDE, a ser realizada na Galeria Nelson Dahia, no Largo do Pelourinho, com abertura programada para o dia 30 de janeiro, próxima quinta-feira.

Rosa é poçoense e reside em Salvador, irmã do cineasta Geraldo Sarno.


Pinturas de Rosa Alba Sarno

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Reinaugurado o PSF Amedeo Sangiovanni

Com informações e foto do site da Prefeitura Municipal de Poções www.pocoes.ba.gov.br

Dirigentes municipais de Poções e Michele
A Prefeitura Municipal de Poções, através da Secretaria Municipal de Saúde, entregou para a população, nesta sexta-feira (17), a reforma do Posto de Saúde da Família Amedeo Sangiovanni, no bairro Bela Vista. A obra foi feita com recursos próprios. Estiveram presentes à reinauguração várias autoridades, como o prefeito Otto Magalhães, o vice-prefeito João Bonfim, o secretário de saúde, Mateus Cruz, o presidente da câmara, José Mauro, além dos demais vereadores da base aliada e secretários.

A comunidade compareceu em grande número e prestigiou a solenidade, que também contou com a presença do empresário e ex-secretário de saúde, Michele Sangiovanni – filho do saudoso Amedeo Sangiovanni. Ele disse que sempre visita a unidade, que carrega o nome de seu Pai, e que a mesma ficou durante anos abandonada. “Agora os moradores do bairro Bela Vista terão mais conforto, parabenizo o prefeito Otto Magalhães pelo investimento em saúde”, disse Sangiovanni.

O médico Dr. Yuri Gusmão, que trabalha na unidade, salientou que a reforma e ampliação da Unidade de Saúde atendeu a uma reivindicação dos usuários e funcionários, que consideravam o local sem condições de trabalho. “Hoje se tornou uma unidade bastante acolhedora e que, junto à ótima equipe, proporcionaremos um melhor atendimento a população”, disse o jovem e competente médico.

Nota do Blog
A família Sangiovanni já se sentia honrada por essa homenagem anterior. Agora, parabenizamos e agradecemos aos dirigentes pela reinauguração do Posto de Saúde, mantendo a lembrança de Amedeo (Chico) Sangiovanni, nosso pai, permitindo, principalmente, o acesso da população à saúde.  


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Livro de Adilson Fagundes Santos é lançado em Poções

Texto de Fábio Agra
Fotos: Márcio Fagundes

Lançamento do livro em Poções
 Muitas pessoas da minha geração, dos 30 anos para baixo, não conhecem Adilson Santos nem sua obra. 

Não sabem que este artista, nascido em Poções, pequeno no tamanho, grande em pinturas surrealistas e flamengas, carrega em suas tintas, em seus estreitos ombros, o nome da cidade mundo afora. Nesta sexta-feira,17, Poções recebeu o mundo, fez-se parte do mundo pelas páginas dos dois livros que compõem a caixa de “O Exercício Livre da Memória”. Além dos livros, a caixa tem um documentário sobre Adilson Santos e traz também uma Poções de outrora, de um céu e luar estonteantes, da igrejinha, dos quintais livres para se brincar com o peão… As pinturas e desenhos de Adilson dizem muito sobre Poções, sobre seus fundos de quintais. Enquanto o pião de Adilson Santos gira, gira e gira, as memórias dos que adentravam o Cerimonial Garden, para participar do lançamento dos livros, são expostas e sentidas em cada passo dado em direção à pessoa que está à mesa autografando. O olhar de quem chega está compenetrado, hipnotizado em direção à mão que agora rabisca piões e nomes em um dos livros. Quando os olhares se encontram, o do artista e dos velhos amigos, os sorrisos temem em se guardar para que os lábios possam ficar livres e enfim pronunciar qualquer lembrança; os abraços parecem eternos. Adilson Santos tem diante de si o seu passado agora em carne e osso, e não somente em memórias, paletas, pincéis, telas e papeis.

O título dos livros faz jus ao final de tarde e restante da noite. A memória dos que compareceram ao lançamento esteve todo o tempo correndo naquele ambiente, como uma criança, entre uma Poções da década de 1950 e a presente. Incansável, ela puxava para as mesas os fundos de quintais, os tropeiros, as casuarinas, o Alexandre Porfírio, Corinto Sarno, a Praça da Liberdade…

Adilson e o amigo de infância João Batatinha
Quanta liberdade a memória tem neste dia para desfilar entre uma boca e outra, entre um ouvido e outro suas histórias. Enquanto Adilson Santos ia autografando os livros, Michele Sangiovanni narrava inúmeras delas. O ponto de partida para os relatos do filho de Amedeo Sangiovanni foi a chegada de mais um ilustre. Por toda minha vida ouvia em alguma esquina, em algum campo de futebol, em qualquer praça, o nome do maior jogador de futebol que Poções já teve. Então, Michele diz – João Batatinha! Olhei para traz sabendo que ia encontrar uma pessoa mítica. Esse senhor de cabelos grisalhos, estatura média, que adentrava o local sorrindo, era o grande ex-jogador João Batatinha.

Cresci ouvindo esse nome e, agora, eu estava ali bem diante do maior de todos. Sentou-se à mesa com uma simplicidade e simpatia colossal, após alguns minutos do reencontro com Adilson Santos. Com João Batatinha, Michele, Carlos Rizério e Rita, esposa de Michele, o passado de Poções veio à flora.

João Batatinha falava da Praça da Liberdade, que ele se recusa a chamá-la de Praça da Bandeira; lembrou do Obelisco e também das árvores que parecem pinheiros, as casuarinas. Michele, então, revela uma traquinagem de infância. Eles pegavam as pastas que cada estudante tinha e as colocavam em nos galhos das árvores. Puxavam até embaixo e depois soltavam. “As pastas voavam longe”. Para ele, foi inevitável não recordar os tempos de estudo no Alexandre Porfírio, a única escola da cidade e com uniforme cor de cáqui que alguns alunos compravam e às vezes o governo dava. “Eu sempre usava o do governo”, conta João Batatinha em meio à risada. “Enquanto vocês estudavam eu ficava jogando bola”, acrescenta. “Ele jogava bola de manhã, de tarde e de noite”, Michele puxa à memória aqueles dias na Praça da Liberdade. Adilson Santos mais tarde senta e diz que o time tinha um bom quarteto formado por Zoma, João Batatinha, ele e…
José Carlos Leto chega e Michele logo trata de dizer que é preciso resgatar algumas tradições italianas na cidade. Eu conhecia José Carlos Leto de nome, de sua ligação com o cinema, do grupo do Facebook Velhas Fotografias de Poções, que nos tem brindado com um acervo brilhante e foi criado por Lulu Sangiovanni. Tive então o prazer também de conhecê-lo pessoalmente durante o lançamento.

Entre tantos nome e mitos que iam se juntando a nós, Michele relembra de Corinto Sarno, que para ele foi um dos maiores homens que já viveu em Poções. Contribuiu para a chegada da energia elétrica, foi o primeiro a ter um aparelho de telefone, era um dos responsáveis pela construção da Igreja Matriz, entre tantos outros atributos. “Merece muito mais do que um nome de rua”, diz inconformado. Ouvi atentamente Michele falar também sobre os tropeiros que tinham suas longas capas e chegavam na sexta-feira para dormir na cidade e vender suas mercadorias no outro dia. Falou da tipografia que João Batatinha ainda mantém como uma herança de família, do seu pai Alcides.

O passado e suas memórias estão batendo à porta. Deixemos entrá-los e vamos expandi-los. Como disse Lulu Sangiovanni em recente publicação em seu blog, “Os lançamentos dos livros de Affonso Manta e Adilson Santos coroam a cultura poçõense”. Tive sorte de presenciar os dois lançamentos, a Antologia Affonso Manta, organizada por Ruy Espinheira Filho, lançada em Salvador em novembro de 2013, e agora “O exercício livre da memória”, de Adilson Santos.

Fábio Agra, autor deste texto, e Adilson Santos
De lá para cá, li os poemas de Affonso, apertei as mãos de Adilson Santos e quase me ajoelhei diante dos pés de João Batatinha, o maior jogador que Poções já ouviu falar. Para Michelle, só não foi melhor que Pelé. Nossos heróis, mitos e personagens estão aparecendo, estão se materializando, por ora em livros, memórias alheias e fotografias. Precisamos ainda de muito mais, esse é só o começo, é só o ponta pé inicial, mas agora com João Batatinha e Adilson Santos em campo.

.