"Se chorei ou se sorri, o importante é que em Poções eu vivi"

terça-feira, 13 de junho de 2017

Caminhos musicais

Por Roberto Fagundes Prudente (*)

Há quase cinquenta anos atrás, os caminhos musicais de nossa terra mudariam para sempre. Celeiro de grandes músicos, naquela época imperava a Filarmônica de Poções, também chamada de “A Furiosa”, competentemente comandada pelo Maestro Bernardino Fagundes (tio Nadinho) e composta de grandes músicos: Arnaldo Fagundes, Antônio Fagundes, Alcides Bordado, Quito, entre outros tantos. Essa orquestra, aliada a outros músicos boêmios, como Deusdete Fagundes, Pedro França etc., fazia das calçadas de nossa infância verdadeiras noites de serestas. E como era gostoso viver cada um daqueles momentos!

Mas o mundo estava mudando e uma nova geração musical surgia. O “trio ASA”, composto por Antônio Fagundes (Tonhe Banana), Sandoval Lago França (Gazo) e Albérico Fagundes de Sá (Berecó), já dava os primeiros passos para essa mudança no horizonte poçoense. Mais tarde, transformado no “quarteto JASA”, com a inclusão de Jeová Fagundes Prudente (Géo), praticamente, ou especificamente, na sala da casa de Alcides da Silva Fagundes (vovô Cide) e Alzira Lago Fagundes (vovó Dila), iniciava a gestação de “Os Fantasmas”. Sem muitos recursos, o grupo ensaiava com violões e uma bateria improvisada, composta de dois carotes (barris de madeira usados para carregar água em lombo de jegue, do chafariz para casa), um grande e um pequeno, com a tampa da face superior substituída por couro, e um prato cedido pela “Furiosa”. Assim os primeiros acordes começavam a ser ouvidos na Rua Benjamim Constant.

Aí veio a primeira apresentação em público. Festa marcada para um sábado à noite, de umas férias de Natal em 1966 (não recordo exatamente a data). Com violões eletrificados artesanalmente e amplificadores montados sobre plataformas de velhos rádios valvulados (obra fantástica de Rone, meu irmão mais velho, e de Tonhe Banana, mestres na eletrônica já naquela época). E a bateria... E a bateria? Como tocar numa festa com uma bateria feita de carotes? Foi aí que meu pai, Roberto de Souza Prudente, já totalmente envolvido com a história, resolveu alugar, em Conquista, uma bateria para o evento, só que, por exigência do locador, o baterista teria que vir junto (era o quinto Fantasma, rsrsrsrs). E assim Jeová entrou como vocalista e o grupo estava pronto para o grande show. 
Local: Clube da Sociedade União das Classes (vulgo “Mela Cueca”), clube construído pelas famílias de Poções através da Sociedade União das Classes, na gestão de meu avô, Alcides Fagundes, como presidente.

Apresentador: Pietro Sangiovanni, o Pepone (nem sei se ele se lembra disso). A emoção era tanta que o apresentador trocou até o nome do conjunto, anunciando “Os Fagundes” ao invés de “Os Fantasmas”.

Abertura do show: “Prá me conquistar” – Renato e seus Blue Caps.
Esse show marcou realmente uma nova era musical em Poções e o conjunto “Os Fantasmas” inspirou tantas gerações, e tantos músicos começaram a despontar a partir deles (inclusive eu), que, hoje, Poções faz parte do circuito do rock brasileiro, com grande participação de bandas locais.
É com muito orgulho que voltamos em 2015, quase cinquenta anos depois, para tocar neste mesmo espaço, numa mesma tarde de “Chá Dançante”, como tantos que aconteceram aqui e relembrar as músicas que embalaram os “anos dourados” de nossa juventude. Impossível não ficar emocionado e, como bem diz Lulu: “O importante é que em Poções eu vivi!”

(*) Roberto Fagundes Prudente é engenheiro e músico da Banda Pop78.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Educação à italiana

Dia das mães passado, fiquei pensando em Anna Maria, a minha mãe. Lembranças saudosas e alegres do tempo em que eu ainda era estudante de escola primária.
                           Anna Maria Caputo Sangiovanni
Uma italiana com o estudo incompleto, mas que se esforçara para aprender o português. Falava com o sotaque carregado e os vícios do aprendizado, da convivência com parentes italianos e com os vizinhos de Poções. Uma nova língua, talvez. Usava o aumentativo das palavras com terminações que as confundiam se eram certas ou erradas. Por exemplo: a palavra fogão era pronunciada “fogone” no lugar de “fornello”.

Nesse embalo, eu aprendia um “italiano misturado” - o suficiente para entender os assuntos que os tios falavam durante as reuniões de família. Quando uma tia brasileira conversava com outra tia italiana, a conversa era em português. Quando o grupo era só de italianos, rolava o dialeto original de Mormanno. Os filhos e primos que circulavam entre os grupos podiam entender tranquilamente.

A vivência no núcleo familiar, no dia a dia, era sempre surpreendente. Falava-se com a conveniência do momento. Na presença de estranhos ou amigos, quando se fazia um comentário mais particular, era em italiano. Quando chegava aquela visita meio inesperada, alguém lembrava para que fosse colocada uma vassoura atrás da porta da despensa, de cabeça para baixo – uma simpatia para que a visita não demorasse muito. Se dizia em italiano: “Mete la scopa dietro a la porta”. E quando a visita insistia em permanecer, colocávamos um pano de prato enrolado nas palhas, já que as vassouras eram feitas com esse material. Mesmo quando a visita era o Padre Honorato, falávamos em italiano. Ele era surdo e poderia fazer leitura labial. As visitas do Padre eram sempre próximas ao meio dia e, nesse caso, a vassoura não funcionava. Restavam duas opções: ou convidá-lo para o almoço ou prometer entregar um prato de comida na sua casa.

Durante as refeições, geralmente sempre se falava em italiano quando era para contar algo. O português, a gente falava para pedir a garrafa d´água, o pão, um talher, etc. As refeições eram pontuais e a reclamação por atraso era em italiano.

Chegava a vez de minha mãe controlar os estudos. Ela não tinha experiência suficiente porque meus irmãos mais velhos trilharam caminhos que não necessitaram dos ensinamentos. Pepone estudou no Ginásio de Jequié desde os 10 anos de idade. Michele e Elisa estudaram em Poções – eram bons alunos e minha mãe conseguia controla-los pelas notas dos boletins. Eu sempre fui desatento para estudar e ela habituou-se em “tomar a lição”. Tinha que ler o texto completo, pois ela não dividia os assuntos e nem fazia perguntas. Era uma tarde inteira para aprender.

Se não tivesse aprendido, me devolvia o livro até que eu decorasse a lição. Levei sempre na “valsa” e quando não dava conta de concluir a tarefa, fazíamos um acordo para estudar nas primeiras horas de dia claro do dia seguinte. Como dormia no quarto do meio e só havia janela no quarto ao lado, passava um cordão sobre a porta do quarto de Elisa e assim que o despertador tocava, puxava a persiana da janela para deixar a luz entrar. Ficava deitado de lado e o livro aberto voltado para mim. Minha mãe levantava e ia ver se estava estudando. Nessa hora, o coração de mãe batia mais forte e ela perguntava: Tá estudando? Eu despertava do cochilo e apenas mostrava o sinal de positivo com o dedo. Ela não ia conferir.

Mas havia uma outra crença que fazia questão de recomendar. Pedia para que eu dormisse com o livro debaixo do travesseiro. Assim, dizia, a lição entraria mais fácil na cabeça.

Quando o motor da usina quebrava, restava estudar à luz de velas. Era hora de rezar o terço.

Não dava conta de entender algumas palavras pela rapidez que pronunciava. Ao rezar a Salve Rainha, as primeiras palavras eram: Salve Rainha, Mãe de Misericórdia, Vida, doçura e esperança nossa... As palavras Vida, doçura, eu só conseguia entender como se fosse “Vida do Sul”.

No Pai Nosso, a frase que dizia “venha a nós ao vosso reino” só ouvia como se fosse “venha nós a vassourinha”  

Hoje, quando ouço a música “Salve o Divino, Espirito Santo, puro paráclito, consolador. Aceitai, as lindas rosas, tão preciosas do nosso amor” a lembrança da minha mãe é tão presente porque ela gostava de arrumar a casa cantando esta música. Vinha toda tranquila e quando entrava no quarto, parava de cantar, me sacudia e perguntava “perché non si sveglia?” (porque não acorda?). Ao cantar a música, ela não conseguia falar a palavra “aceitai”. No sotaque carregado, pronunciava: a-zz-eitai signor...

Enfim, a religião se fazia presente. Quando ela sentia que eu não estava preparado para uma prova, pedia ajuda aos santos. Recomendava que eu colocasse um “santinho” no bolso da farda. Enquanto isso, mantinha uma vela acesa junto às imagens dos santos. Quando o resultado da prova era bom, o santo havia ajudado. Quando era ruim, a culpa era só minha.

Oggi, mia cara Anna Maria, il mondo è molto cambiato.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Meu Pai: era o Cara

Por Elisa Maria Sangiovanni Lima







Hoje faria 100 anos!!!! Viveu até os 91. Aos 80, dizia que já estava no lucro, mas que queria viver a passagem do século.... Fico agora a me perguntar o que ele gostaria de viver depois dos 100? Com múltiplas habilidades se adaptaria a qualquer situação: criativo, inovador, responsável, companheiro, dedicado, alegre, feliz. Serviu a 2ª guerra, atravessou o oceano e aprendeu sempre com todas as suas experiências.
Com seu espírito inventivo criava e consertava coisas e casos, histórias e personagens.... orgulhava-se de dizer que ganhara uma viagem a Roma por ter inventado uma máquina de secar a massa em um Pastifício que trabalhava. Seus poucos anos de estudo não impediram de aprender coisas novas, de tentar e fazer .... Certa feita fez uma máquina para raspar os tacos de madeira do assoalho da sala, pois ele achava um absurdo o esforço que Sr Nenen tinha cada vez que era chamado para fazer este trabalho, precisavam ver a felicidade dele ao ligar aquela “geringonça”. Consertar máquina de costura entre um e outro cliente era a sua diversão, assim como confeccionar peças com madeira, entre cortes e recortes, transformava a madeira velha em novas peças.
Seu bom humor fidelizava os seus clientes e com isto ele era o “Tio” da moçada da cidade ... mais tarde, usava a bengala para fazer mágicas e atrair as crianças, assim a bengala ganhava uma função mais nobre.
Ficava absorto olhando o computador, querendo entender o que acontecia dentro daquela máquina. Com certeza não deixaria de admirar as façanhas e facilidades da internet para ajudá-lo a escrever suas longas cartas, que às vezes não as colocava no correio.
Amante e amado pela família, pelos amigos e pelas comunidades em que viveu, este era o nosso Chico cujo nome original era Amedeo Giovanni Sebastiano Sangiovanni, dizia ele de que era mais nome que gente..... acho que por isso era conhecido simplesmente por Chico, mais gente do que nome.
Saudades e ao mesmo tempo um sentimento bom de poder recordar.
Parabéns meu pai!   

(Nota do Blog - Elisa escreveu o texto em 2013)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Quante male hai?


A vinda de Chico, meu pai, para o Brasil ocorreu no Natal de 1951, quando viajou para Gênova. Embarcaria no dia 28 no navio Provence, em companhia de Anna Maria - minha mãe, e meus dois irmãos – Pietro e Michele, com cinco e três anos, respectivamente. Desembarcaram no porto de Santos em 09 de janeiro de 1952.

Foram doze dias de viagem. Michele ficou doente por um bom tempo que esteve embarcado. Meus pais revezavam na enfermaria do navio para acompanhá-lo no internamento.

A bagagem estava acomodada em grandes baús que foram embarcados por via terrestre, diretos para Poções. Chegaram de avião em Salvador no Aeródromo de Santo Amaro do Ipitanga (assim se chamava o atual Dois de Julho) e foi recebido por Vincenzo Sarno (pai de Fidélis do Arroz).

Vincenzo morava no Brasil desde os doze anos de idade. Dominava a língua portuguesa, mas ainda carregava o sotaque italiano de criança. Recebeu a nossa família e perguntou sobre as malas:

- Quante male hai? (Quantas doenças você têm?)
- Non c´è male, respondeu meu pai. (Não tem doença)
- Come non? (Como não?)
- Michele è stato malatto sulla nave, adesso stà bene! (Michele esteve doente no navio, agora está bem!)

Vincenzo, ouvindo a resposta do meu pai, percebeu a troca das palavras e refez a pergunta:

- Scusate, quante valigie hai? (Desculpe, quantas malas você têm?)

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Para os que chegavam em Poções, a preocupação era aprender rapidamente o português. Os italianos que já estavam ali, por força das circunstâncias da nova terra e dos diferentes dialetos do sul da Itália, falavam uma terceira língua, misturando italiano e português. Era comum falarem entre eles na língua pátria. Talvez, a explicação porque os italianos continuaram com o sotaque carregado por muito tempo e os seus descendentes não desenvolveram a língua italiana, naturalmente.

Fornello (fogão), já havia se transformado em Fogone.

Assucaro se pronunciava a palavra açúcar. Era a mistura de Zuchero com açúcar.

Já a palavra Feijão (fagioli) se transformou em Fejon.


domingo, 6 de dezembro de 2015

Lampando

Giuseppe Schettini, mais conhecido como Zé Schettini, era um dos personagens italianos da nossa Rua da Itália. Morava no casarão. Certas épocas, em Poções, o frio em Poções era de “doer”. Vestia a capa Colonial, um chapéu e ficava imóvel na porta da casa, observando o pouco movimento no início da noite.

Naquela momento, relampejava muito. O sobe e desce era sempre de moradores e de outros italianos que tinham o costume de andar depois das refeições. Zé Schettini era dessas pessoas fechadas, mas de um humor presente.

No vai-e-vem, outro italiano passou e perguntou pra ele em clássico dialeto:

- “Giuseppe, vedere come stà lampando...”

Ele respondeu na lata:

- “Lampando stà il culo toio, cazzo...”

quarta-feira, 6 de maio de 2015

O homem que redescobriu o Brasil

Em 1982, quando fui a Poções votar, algumas pessoas me cobraram se já havia escolhido o candidato a Deputado Federal. Desconversava e dizia que sim. Logo, vinha a pergunta indiscreta:

- Quem é? Vai votar em quem?
E eu respondia: Carlos de Andrade.
Carlos de Andrade? quem é esse? Nunca ouvi falar!!!

Naquele ano, houve o acidente de helicóptero que vitimou o candidato Clériston Andrade. Foi escolhido o ilustre desconhecido João Durval e este ganhou a eleição para o governo do estado, após quinze dias de campanha política por conta do apoio de ACM (assim começou a nascer João Henrique Barradas Carneiro, ex-prefeito de Salvador).

Eu convivi muitos finais de semanas em Conquista e havia conhecido o candidato Carlos de Andrade em reuniões de família quando ainda namorava Bete. Gostava da forma que ele governava a cidade (era o prefeito) e que poderia ser um grande Deputado Federal, como assim foi.

Carlos de Andrade é o mesmo Raul Carlos de Andrade Ferraz e se elegeu com exatos 38.872 votos. Depois, em 1987, tornou a se candidatar e se reelegeu.
Raul Ferraz (Foto: Luiz Sangiovanni)
Agora, em março, estava numa festa na cidade de Conquista e veio aquele senhor vistoso sentar-se à nossa mesa e foi contando a história do redescobrimento do Brasil. Apresentei-me como seu eleitor e fiquei ali pensando que Raul Ferraz poderia imaginar que eu fosse um aventureiro querendo fazer “média”, mas fui logo contando a história de Carlos de Andrade.

Raul, depois de vastos estudos, escreveu, em 2008, o livro O Prado e o Descobrimento do Brasil (Thesaurus Editora), que teve a sua segunda edição lançada em 2010. Ele prova que Pedro Álvares Cabral esteve no Prado antes de seguir para Porto Seguro. Sob a luz da carta de Pero Vaz de Caminha, fundamenta a verdadeira história do descobrimento.

Em resumo, Raul cita que a esquadra de Cabral, no dia 22 de abril, fez o primeiro avistamento, a primeira ancoragem, batizou o monte com o nome de Monte Pascoal e deu o primeiro nome à TERRA DE VERA CRUZ, passando a primeira noite ancorado sob o céu do Brasil, exatamente na costa do município do Prado.

Ainda no dia 23, efetuou a segunda ancoragem a meia légua da barra do Rio Cahy. Ocorreu a ida de Nicolau Coelho para ver o rio. Houve a tomada de posse da terra e a solenidade do primeiro encontro com 18 a 20 homens pardos, todos nus. Dormiu ancorado na barra do Rio Cahy, na costa do Prado.

No dia 24, descreve Raul, houve uma reunião com os Capitães na nau capitânea e depois rumaram ao norte a procura de um porto, quando chegaram a Porto Seguro.

Ele ainda me perguntou se eu conseguia ver o Monte Pascoal a partir de Porto Seguro. Viajo constantemente por aquela região, principalmente de Eunápolis a Teixeira de Freitas, e afirmei que o Monte Pascoal pode ser visto a partir da BR101, mas pro lado de Itamaraju, e nunca a partir de Porto Seguro.

O livro é uma viagem ao descobrimento com as inúmeras afirmações corretas e é um documento que prova que o Brasil foi mesmo descoberto no município do Prado. Comercialmente, não interessa para Porto Seguro que estes fatos sejam divulgados, mas o meu candidato e historiador, Carlos de Andrade, está corretíssimo na sua interpretação.

Viva o Brasil, viva o Prado!!!


segunda-feira, 4 de maio de 2015

Maio

Chegada das Bandeiras, em Poções (Foto: Ricardo Sangiovanni)
Por Suerlange Ferraz
Os primeiros sinais que maio está chegando é o vento que circunda a madrugada, as nuvens cinzentas que escondem o brilho das estrelas.
Maio chegou!  Para muitos, um mês como outro qualquer, mas para quem mora ou é filho de Poções, o mês é repleto de emoção, simbolismo e, sobretudo, muita fé.
É mês dos Devotos do Divino. É o mês de a emoção percorrer a cidade, da memória ser revivida. É época de agradecer por tudo que temos e somos. É recordar-se dos devotos que foram habitar o plano celestial e que, de lá, devem estar louvando e em comunhão conosco.
A cidade ganha uma nova rotina. Uma festa tão esperada que finda tão rapidamente. Momentos que ficam eternizados na memória de quem com emoção repete a cada ano que “ Os Devotos do Divino vão abrir sua morada [...] que o perdão seja sagrado e que a fé seja infinita [...] que a justiça sobreviva [...] a bandeira segue em frente atrás de melhores dias”. Que a justiça sempre sobreviva, talvez essa parte tenha se tornado um refrão na vida de muitos. Muitos que vivem a vagar pelas noites frias, outros tantos que lutam bravamente por uma sociedade mais igual e mais humanitária. Que os representantes do povo nunca esqueçam que a justiça deve sobreviver sempre.
Que a fé seja sempre infinita. Fé em si mesmo, fé na vida, fé em tudo que fores fazer. Que assim como os devotos, nossa fé seja renovada constantemente.
Flores e lágrimas, fé e emoção, diversão e música, frio e devoção: é a festa do Divino ou Festa de Pentecostes dando seus primeiros sinais. Quantos aguardam ansiosamente o estourar dos fogos anunciando que a Festa começou? O barulho dos cavalos no decorrer da chegada das Bandeiras já pode ser sentido na memória. De quem ficou, emoção; de quem se foi, saudade doída.
É festa do Divino! É época de aconchegar-se em meio à multidão na festa de largo. Época de divertir-se no meio do encanto dos parques. Dar um pulo na Mostra Cultural e desfrutar de uma boa música. Tempo propício aos bons encontros, tempo propício para recordar de tantos cidadãos que foram responsáveis por transformar a festa em um evento que ultrapassa as barreiras.
Cresci ouvindo e vendo a magia da festa. Cresci ouvindo os “causos” contados por meu pai (Gil) e minha avó (Dona Filinha) sobre como eram confeccionadas as inúmeras bandeiras que eram costuradas na casa de vovó. Lembro-me do meu pai contar como era realizada a alvorada. Tornei-me uma adulta que sempre leva na memória os tantos significados que essa festa tem em minha vida.
Tantos devotos espalhados pela dimensão terrestre, mas que se juntam espiritualmente para saudar o Divino.
As flores nas janelas já foram postas. Venha Divino, venha. Abençoa-nos! Depois que a bandeira passa, a vida é mais alegre e a fé é renovada.
Bem vindo, Maio!
Que o fogo abrasador reacenda a chama que havia apagado no coração de quem anda descrente.
Fé, justiça e emoção. É a Festa do Divino!
Suerlange Ferraz Su Ferraz é professora de História e contista
http://suferraz17.blogspot.com.br/

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Fedele e o Centro Cultural

Fedele Sarno (foto arquivo pessoal Eduardo Sarno)
Tão logo foi lançado o nome do Centro Cultural, em Poções, eu achei muito boa a ideia, mas confesso que achei um exagero a homenagem para uma pessoa que nunca esteve na nossa cidade.

Fiquei com esse sentimento por algum tempo e ninguém questionou a homenagem. Então, Fidelão, o dono do espaço, estava correto e o “público” satisfeito. Zero a zero.

Um dia depois da inauguração, eu estava no aniversário de uma das bisnetas de Fedele, ao lado de sete netos dele, quando me perguntaram como foi a inauguração do Centro. Havia lido os comentários e contei que tinha sido um sucesso.

Conversas à parte, um dos seus netos, Zé Fidélis, perguntou se eu poderia fazer uma palestra na sua empresa de engenharia.

- Qual o assunto que você quer que fale?

- Qualquer um, respondeu ele. Você escreveu uma crônica questionando o que uma pessoa de Mormanno foi fazer em Poções, lá pelos anos de 1900. Esse é um bom assunto, me disse Zé Fidélis.

Caiu a ficha, voltei para o Centro Cultural. De imediato, pensei, Fidelão tem razão! Tá explicada a razão do nome do Centro. Essa foi uma grande ideia.

Quem conta melhor a história da família é Eduardo Sarno, também neto de Fedele, no seu blog da familia Sarno. Eu tenho apenas de jusificar a queda da ficha.

Fedele nunca veio ao Brasil, tão menos a Poções. Quem veio nos anos 1890, foi o irmão de Fedele, Francesco Sarno (tio Chico), que iniciou a sua entrada no Brasil por Manaus e depois parou em Poções. Não da mesma forma que Pero Vaz de Caminha escreveu para o rei de Portugal, Francesco escreveu para Fedele e contou as boas novas de Poções e região. Fedele, então, mandou o seu filho Vincenzo com 12 anos de idade.

Talvez Fedele nem soubesse onde ficava Poções, mesmo assim decidiu. Pense você, vivendo em 1900, mandaria o seu filho morar na Itália? dez mil quilômetros de distância. Na época atual dos dedinhos na tela, dos zap-zaps, das comunicações gratuitas, do avião a jato, você não deixaria.

Vincenzo trouxe Corinto, e mandaram chamar Valentino, Luiz, Emilio, Camilo e Rosina. Depois, Corinto chamou Chico, meu pai, Giovanni, meu tio. Vieram as famílias Palladino, Labanca, Leto, Schettini e outras de Mormanno, Laino, Trecchina e regiões próximas, em função daquilo que contava os que estavam aqui. Descobriram a cidade. Até Jequié recebeu italianos em função desse “intercâmbio” criado por Francesco Sarno.

O comércio se desenvolveu, o crescimento chegou e os italianos de Poções proliferaram. A Rua da Itália representa esse marco. As famílias emprestaram os seus nomes a novas gerações e a cidade virou o que virou.

Então, se o velho Fedele não permitisse a vinda de Vincenzo, Poções teria outra cara. A fibra de Fedele representa a fibra de todos os outros que vieram e aqui se estabeleceram e cresceram.

Viva Fedele, viva Poções. Parabéns Fidelão, parabéns Centro Cultural!!!


domingo, 28 de dezembro de 2014

Paulo Espinheira

Por Eduardo Sarno, especialmente para o Blog
Paulo Espinheira (Foto: Mabel Oliveira)

Paulo não vai, ele fica na nossa memória. Todos juntos somos capazes de reconstruir a sua essência, a sua lembrança, o seu carinho para conosco.

Paulo tinha um grande depósito, um armazém, com portas largas, e na frente um enorme letreiro vermelho, escrito "Coração".

Era lá que ele guardava com carinho os amigos. Desde os amigos do pai, Dr. Ruy Espinheira, que ele manteve e cultivou, como os amigos do filho, ele mesmo, que durante sua vida ampliou e conservou. E, pasmem, guardava também, além dos amigos do pai, do filho, os amigos do Espírito Santo ! Estes eram os amigos de Poções, onde ele reencontrava na festa do padroeiro, Divino Espírito Santo.

Diferente de Glauber, Paulo tinha um copo na mão, um sorriso no rosto e muitas idéias na cabeça. Farrista, amistoso e culto. Era sempre um prazer para os amigos encontrá-lo nestes três momentos juntos.

Paulo Barão. Um merecido título de nobreza para quem enfrentou com tanta dignidade uma situação difícil, sem se abater, compartilhando com os amigos a mesma alegria de sempre.

O seu legado, para nós, não poderia deixar de ser o seu sorriso aberto, sempre franco e leal.

Adeus, primo, nós que ficamos te saudamos.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Os doidos

Por Eduardo Sarno
Eles estavam nas ruas e nas nossas cabeças. Quando ouvíamos a molecada gritar: “Ôôô Três Casaco !!!” corríamos para ver. Lá estava ele, barbudo, já de uma certa idade, carregando um saco cheio de coisas, correndo atrás dos moleques e jogando pedras. Ele costumava ficar na porta da casa do dr. Agripino Borges e chegou a dar um tapa em Adilson Santos. Era dos brabos. Mas tinha também os mansos: Isaulino era um deles. Magro, segurando as calças sujas para não cair, andava, ciscava com uma perna, catava um bago de cigarro no chão, dava uma corridinha, parava e ficava falando só. Quando o chamavam, resmungava e mal levantava a cabeça.

Para nós, atentar os doidos era um misto de brincadeira ingrata e perigosa. Não nos deixava satisfeitos. Havia ali algo que nosso entendimento infantil não alcançava. O máximo que ouvíamos os adultos comentarem eram sentimentos de pena: “coitados !!!”. Mas isso não era suficiente. Ficávamos a pensar de onde eles vinham, porque se tornaram assim e o que eram, finalmente. Às vezes alguém comentava que um doido havia sido um homem rico, fazendeiro ou negociante, ou que uma doida teria sido uma mulher muito bonita, que esteve quase noiva. Sentíamos o peso da fatalidade como o de uma rocha caindo em cima de uma formiga, pois ali estava o pobre coitado, na rua, sem absolutamente nada. O contraste conosco era total. Tínhamos de tudo e a comparação a que éramos submetidos quando víamos um doido era muito forte.

Joaninha, a empregada lá de casa, assim certamente como todas as outras de Poções, não perdia a oportunidade de recorrer às ameaças de chamar um doido para nos pegar em caso de desobediência ou malcriação. Os preferidos eram Buqueirão, um mulato barbudo, maltrapilho, feroz e que jogava pedra, e o outro era Medonho, olhos remelentos e uma cabeça enorme, que ele batia contra a parede.
A nossa ignorância fazia com que ficássemos aterrorizados, imaginando a obediência daqueles doidos aos desejos das empregadas, a vinda deles fisicamente durante o dia e metafisicamente durante o sono, nos atormentando.

Mas, com alguns doidos havia uma certa convivência ou aproximação. Lope, por exemplo, doido manso, contava as estrelas e quando errava recomeçava. Ao nos ver pedia “torresmim” para comer. Maria Putuquinha tinha até um trabalho, botava água de ganho nas casas, pois não existia ainda a água encanada de Morrinhos. Já com o Carrim, que era cego, a malvadeza da molecada era orientar erradamente e fazer ele tropeçar ou cair em um buraco. Quando davam comida para ele e não tinha carne, perguntava: “-Ô Sá Jô cadê a mastigadura ?” Quando a molecada deu um pau sujo de bosta para ele pegar acusou logo: tem um cagado por aqui !.
Os doidos tinham oscilações de humor e comportamento, e dizia-se que a lua cheia tinha a ver com isso. Gatinha era pequena, branquela, e quando braba deu um murro na barriga de Vone Macedo, que estava na porta da farmácia de Olimpio Rolim. Contudo, os filhos de comadre Dozinha Fagundes podiam xingar de Gatinha que ele não se incomodava. Pedia pedaços de sabão nas casas e suspendia a saia, para alegria da molecada.
Já Pêga, negra gorda, feia e suja, era sempre braba. O povo raspava a cabeça dela por causa dos piolhos.
Havia os que, se não eram doidos eram tipos estranhos. Zupero era um deles. Índio, caboclo das matas, onde morava, não saia de dia e só a noitinha é que passava nas casas. Lenço amarrado na cabeça, bermuda desfiada, brincos e colares Zupero trazia para a nossa curiosidade um novo elemento: o efeminado. Cantava versos do terno de Reis: “Ai duri duri ai, ai ai duri duri ai”, e dizia que na Sexta Feira Santa passava por dentro de um espelho.
O outro tipo estranho era Mazinho, filho de Dona Massú, que era lavadeira e fazia acarajé. O pai era seu Hermenegildo, guarda noturno, que o povo chamava de “Miligildo” e tinha um Reis de Boi onde, certa ocasião, pregou um rabo de verdade no “boi” que fedeu tanto que o povo não quis receber o Reis nas casas. Negro, alto, de andar rebolado, Mazinho era o outro efeminado que nos intrigava. Não sabíamos nem porque nem para que servia um efeminado. Achávamos que era só mania de querer imitar as mulheres.
Poções sempre foi pequeno e com três passadas os doidos iam da Rua da Itália à Rua São José e assim conheciam e eram conhecidos de toda a cidade que, tirante a molecada, não os hostilizava. Mas tinha um que só fazia ponto na Praça Coronel Magalhães. Era Jipe. Na verdade era um andarilho que saia de Jequié e ia até Conquista, pela Rio- Bahia, sem asfalto na época. Trazia pendurado no pescoço um volante e a tiracolo as buzinas e os faróis. Amarrado atrás um bagageiro pequeno, com os pertences de viagem. Os sapatos eram os pneus e as pessoas que o cercavam para ver a novidade davam dinheiro, que era para comprar a “gasolina”: café com leite e pão no Bar do João Liguori.
São lembranças de seres provisórios, sem passado e sem futuro, que só serviram para povoar a nossa imaginação. Eles ficaram no passado, mas nós mantemos incrustados em algum lugar das nossas mentes aqueles olhares perdidos que olhavam mas não viam , os olhares dos doidos de Poções.
Jul/97

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Irundy e o jogo de Xadrez

Com Irundy e Noélia - junho 2014
(Foto: Fernanda Sanjuan)
O dia 02 iniciou com uma triste notícia. Custava a acreditar que a notícia do falecimento de Irundy Manta Alves Dias era verdade, mesmo com a confirmação passada pelos meus amigos mais próximos.
A tristeza foi grande. Restava lembrar das histórias contadas pelo Seu Dy no blog dele. Lembrar das suas passagens no ginásio, na cadeira do consultório odontológico e na convivência do dia-a-dia como amigo nos diversos encontros em sequenciadas Festas do Divino, onde a presença era certa.
Além de professor de matemática, dentista, diretor, escrutinador, pai, marido, avô, cidadão presente, Irundy também ensinou o jogo de Xadrez nos intervalos pós provas no ginásio. Eu fui seu aluno, acompanhado de Fernando Schettini Filho (Coêlho), Tõe de Doca e Gracinha Almeida (irmã de Gessy).
Até hoje, quando olho a formação de um tabuleiro de Xadrez me lembro de Irundy. Cada peça tem uma função importante. O rei e a rainha, segundo ele, estavam protegidos pelo clero - os bispos. Eles podiam dar a proteção religiosa. Os cavalos serviam para que pudessem fugir do campo de batalha. As torres dariam a proteção de um castelo. A linha de peões era formada pelos soldados, os que protegiam as demais peças.
Não era uma aula, era uma batalha. A movimentação das peças, mostradas detalhadamente, acompanhadas de macetes de quais peças eram importantes a sua manutenção.
Fizemos um campeonato de Xadrez. Disputei com Gracinha, ganhei e fui enfrentar Fernandinho na final. Deu Fernandinho campeão. Meu primeiro título, portanto, Vice Campeão de Xadrez.
Histórias à parte, quero externar o meu sentimento pela perda irreparável de Irundy. Dizer a minha pró Noélia, aos filhos Sibele, Mercês, Dino e Guga, genros, noras e netos que sinto muito orgulho de ter convivido dessa forma com o Seu Dy. Um grande abraço a todos e resgatarei outras passagens.

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domingo, 21 de setembro de 2014

A barbearia

(publicada em setembro de 2007, no site www.terradodivino.com.br)

No sábado, após o sete de setembro, fui cortar o cabelo com Nildinho. Não havia tanta necessidade assim, não estava grande. A verdadeira intenção era relembrar os bons tempos da barbearia de Hermes.

De cara, na porta, estava João Batatinha - uma cena histórica. Perguntou logo por Adilson Santos, o mais famoso artista plástico de Poções. Eu e Nildinho, começamos a trocar algumas poucas palavras enquanto observava o ambiente. A minha primeira lembrança veio do nome fundido no suporte dos pés – “Ferrante”, que confirmava ser ainda a mesma cadeira, modelo 27, fabricada nos anos 40 por Gennaro Ferrante.

À esquerda, um pouco mais acima, bem à mostra, no pequeno armário de porta de vidro estavam expostas as aposentadas máquinas manuais de cortar cabelo. Tava lá a máquina mais famosa e mais temida - a que cortava no tamanho “zero”.

Até os penduradores de toalhas são os mesmos. Lembrava-me de quanto tempo passava ali, sentado, de cabeça baixa, para que Hermes ajeitasse o pé do cabelo que nasce, até hoje, arrepiado, ouvindo as histórias contadas por aqueles que esperavam a sua vez.

Tinha dúvida se estava no museu ou na grande escola de profissionais cabeleireiros que Poções formou. Perguntei por Elias, Barbeirin e Juscelino. Nildinho fez conta do tempo de trabalho, das idades, me disse o paradeiro de cada uma das pessoas e ainda comentou: - Você sumiu mas me lembro desde que era pequeno, já cortei seu cabelo e cortava o de Chico (meu pai) até os seus últimos dias.

É verdade, as contas bateram e a nossa diferença de idade é de 7 anos.

Como gira a cadeira do barbeiro, gira também o pensamento. Ela parou apontada para um dos bares que ainda existem na travessa Lions Club. Pude avistar “Já Modeu” e lembramos da origem do seu apelido. Perguntei por Celso Relojoeiro. Nildinho ria, ficou impressionado como me lembrava das coisas. Talvez ele nem soubesse das minhas lembranças nas colunas.


Como poderia esquecer de uma das travessas mais famosas da cidade? Ali nascia e acabava a saudade. Dali partiam e chegavam os ônibus - a “rodoviária de Poções”. Era como se estivesse vendo juntos, Netário, Everaldino, Abílio Roxo e Jió despachando tantos poçõenses para o mundo.


P.S. Mais sobre a Barbearia de Nildinho aqui no Blog

domingo, 14 de setembro de 2014

Prego e o rádio

Em 1984, passei a ser Gerente de Peças e tive a incumbência de visitar as filiais, residências e clientes no interior da Bahia.

Durante muitos roteiros, fiz parceria com Lauro Matta, experiente vendedor de máquinas e um tremendo gozador. Ele era residente em Vitória da Conquista. De lá, partíamos para o roteiro do Sul da Bahia até Teixeira de Freitas. Itabuna era a primeira parada para dormir.

Sempre nos hospedávamos no Lord. Havia um bar no térreo que era o ponto de encontro dos viajantes da região. Hotel simples, com uma particularidade nos apartamentos – um rádio de cabeceira da marca Semp.

Em toda viagem a gente se juntava ao residente da região de Itabuna José Carlos, o Prego. Assim o chamavam porque era magro e a cabeça grande. A gente se reunia no apartamento que me hospedava. 

Prego viu o rádio e pensando que era meu, perguntou:

Mas você leva esse rádio toda vez que viaja? – é pra ouvir jogo do Flamengo? É muito sacrifício”.

O rádio é bom. Pega até a Rádio Globo antes das 5 da tarde. Já me acompanha desde rapaz”, respondi.

Você quer vender? É pra meu irmão Deco, aquele lá de Teixeira de Freitas. Ele fica sozinho e o rádio seria uma boa companhia. Pago com cheque pré-datado”.

Lauro, mostrando desinteresse na conversa, disse:

Olha San, lá em Conquista tem desses rádios, você compra outro. Deve custar um duzentos, piscando o olho para mim”.

É San, Deco vai gostar, fica lá na filial sem ouvir nada. Nem televisão ele tem. Vou levar o rádio pra testar por alguns dias” disse Zé Carlos.

É de pilha e de energia, ele vai gostar, Tá bom, Zé, pague 150 e a gente fecha o negócio. Faça dois cheques para os dias dos salários seguintes”

Terminada a reunião, Prego colocou o rádio sob o braço direito e empunhou a pasta 007 com a mão esquerda e me pediu para chamar o elevador. Lauro esperava por esse momento, pegou o telefone e ligou para a recepção:

Olha, aquele cara que subiu vai levando o rádio do hotel. Pegue ele aí”.

A recepcionista já o conhecia e, meio embaraçada, falou: “Seu Zé, ei seu Zé”. Apontou o dedo para o rádio mas não disse nada. Continuou apontando e falou “Seu Zé, Seu Zé, oh ..........., oh ...........

Ah! O rádio? Acabei de comprar na mão dos meninos! É pra Deco, meu irmão”

Certo, seu Zé, só que o rádio pertence ao hotel”.

Desapontado, subiu e foi direto para o apartamento de Lauro. Só se acalmou quando viu outro rádio igual na cabeceira da cama. Ele compreendeu a brincadeira e descemos para o bar. Meia hora depois, chegou com um rádio comprado na Avenida Cinqüentenário para o irmão.

Meses depois Deco faleceu. Zé Carlos fundou a Silmar, uma loja de peças para tratores em companhia de Josivaldo, o Rivelino. 

Notas do Blog
Depois de muitos anos sem contato com Zé Carlos, semana passada me ligou Zé Palladino e estava na loja dele, em Itabuna. 

Lauro Matta, hoje, aposentado, mora em Salvador e é o Presidente da AMARV - Associação dos Moradores e Amigos do Rio Vermelho.

- Crônica inicialmente publicada no extinto site Terradodivino.com.br 


Ruy Espinheira lança novo livro


segunda-feira, 28 de julho de 2014

Um adeus a Bada...

Hoje pela manhã, assim que cheguei no trabalho, alguém me pediu o telefone de uma pessoa com a letra Z. Fui na agenda e quando procurava vi o nome de Zé de Dôca e o número que Adriana, a sua irmã, me passou. Naquele momento, comentei comigo mesmo: - como a gente não liga para os amigos? Imaginei ligar pra Zé Francisco (o Zé de Dôca) e dizer o quanto sentia vontade de dar um abraço, religar o passado. No entanto, não fiz a ligação.

Passou aquele momento e estava reunido com um cliente quando o telefone tocou. Vi que era Michele, meu irmão. Comentei com a pessoa: - Dá licença, pois essa hora pra meu irmão ligar é pra dar notícia ruim! Eu disse: - morreu alguém no nosso interior, lá em Poções. Não deu outra. Dava conta do fulminante infarto que tirara a vida de Bada (Zilovaldo Ferreira Ramos), irmão de Zé Francisco.
Zilovaldo Ferreira Ramos (Bada) - Foto: Luiz Sangiovanni

Fui buscar nos meus arquivos a foto que fiz dele, em outubro de 2012, e tive o triste cuidado de informar o ocorrido para os amigos de Poções.

Passei o dia pensando na rua da Itália, na família Ferreira Ramos, nossos vizinhos-imãos de casa e o quanto convivi com eles. Pessoas fortes de espírito, de educação firme dada por Dôca e Zilda, seus pais. Em vários momentos do dia eu recordei passagens. Afinal, a minha infância estava ali. A formação do caráter nas brincadeiras do dia-a-dia, a convivência ajudando-os na limpeza dos diversos motores dos jipes e Rurais que Dôca ensinava o manuseio a todos nós. Olhei para a Oficina de máquinas pesadas que hoje dirijo e agradeci pela convivência e experiência que adquiri. Vêm de lá – nasceram ali.

Lembrava que o nome Zilovaldo era a junção de parte dos nomes dos pais Zilda e Florisvaldo. Do tempo de namoro dele com Ládia (Ladinha), a filha de Dahil, que pareciam ter nascidos um para o outro - namoro de menino, feito na rua da Itália. Da figura de pacificar os irmãos em opiniões diversas. Os “cãos de Dôca”, como eram chamados, tinha um líder calmo e justo para uma palavra de harmonia que era Bada. O fato de uma família ser grande também no número de filhos (Tonhe, Paulin, Eraldo, Bada, Zé Francisco, Marcos, Marília, Adriana e Alex) precisava de uma mão extra nas ordens para ajudar aos pais na atitude sempre correta e justa – essa era a tarefa de Bada.

A Rua da Itália não é mais a mesma. Esvazia-se o passado. Troca-se por lembranças povoadas nas memórias de brincadeiras e convivências próximas, do frequentar a casa do outro. De pular o muro pra tirar frutas. Da confiança na intimidade, na revelação das mudanças adquiridas na puberdade. De como se transformar em verdadeiros homens e levar adiante a educação recebida pelos nossos pais. 

Essas lições a Rua da Itália nos deu.

Enfim, um momento de dor em nossa cidade. A falta de uma pessoa que ali conviveu anos e que prometia encerrar os seus dias naquele lugar será sentida. Vai-se Bada, vai a opinião comedida e certeira dos seus comentários. Toda as vezes que eu ia a Poções, era passagem obrigatória na sua casa de negócio para tomar uma pinga temperada que sempre fazia a questão de dizer a origem e oferecer como cortesia da casa. Naqueles banquinhos, sempre trocávamos algumas palavras, nem que fosse para atualizar as novidades das famílias ou comentar as publicações aqui no Blog.

Salve Bada!!! um dia muito triste para todos nós, como descreveu a sua irmã Adriana. Porém, tristeza em Poções e festa no céu. Festa na Rua da Itália da eternidade. Zilda, Dôca e os irmãos que estão lá os recebem de corações abertos e saudosos junto com os vizinhos da nossa rua, lugar onde todos nós nos encontraremos.




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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Homenagem a Affonso Manta

Por RUY ESPINHEIRA FILHO

A vereadora Zezel Leite, de Poções, confirmou-me a notícia: a antiga escola estadual Luiz Viana Filho foi municipalizada e hoje se chama Affonso Manta Alves Dias – nome completo do poeta Affonso Manta. Nada mais justo, já que ele, embora tenha nascido em Salvador e passado a infância em Iguaí (então distrito de Poções), foi naquela cidade que morou quase toda a vida – com exceção do tempo em Iguaí, dos anos de estudo em Salvador e dos que viveu no Rio de Janeiro, como inspetor dos Correios e Telégrafos. Aposentado por motivos de saúde, retornou a Poções e lá permaneceu de 1975 até sua morte, em 2003.

A poesia de Affonso Manta é marcada de profundo lirismo, oscilando (como dividi a antologia que dele organizei e foi lançada no ano passado) entre a poética confessional, a amorosa, a de temática variada e a de cunho religioso ou místico. Minha amizade com o poeta começou na juventude: eu com treze ou catorze anos, ele com dezesseis ou dezessete. Todas as tardes nos sentávamos no coreto do jardim de Poções, ao lado da velha Matriz, perto da qual ele viveu grande parte da vida, e conversávamos até depois do crepúsculo. Ou, mais exatamente, ele falava e eu escutava — maravilhado com aquele rapaz que já tinha lido tanto e se referia desenvoltamente a ficcionistas, filósofos, sobretudo a poetas e poesia.

Nossos contatos se intensificaram a partir de 1961, quando vim estudar em Salvador, onde ele já se encontrava. Poeta respeitado, boêmio impenitente, foi quem me apresentou a pessoas brilhantes da literatura e das artes — como Carlos Anísio Melhor, Fred Souza Castro, Jehová de Carvalho e Ângelo Roberto, entre outros. De personalidade muito complexa, foi ele um solitário e um boêmio. Seu lirismo é pungente, às vezes delirante, muitas vezes sábio e compassivo. A sua poética é densa de magia, como se lê em “Lá vai Affonso Manta”, que assim começa: “Com estrelas na testa de rapaz./Com uma sede enorme na garganta,/Lá vai, lá vai, lá vai Affonso Manta/Pela rua lilás.” A pungência do confessional pode ser exemplificada pela primeira estrofe de “O realejo de vinho”: “Para quem me queira ouvir: /Sou um homem aos frangalhos. /Parte por culpa de tudo. /Parte por culpa de nada.” De seu lirismo de sabedoria, colhemos o final de “Criação”: “Crie esses bois de chifres de açucenas/Que pairam nos céus das manhãs serenas.(...)/Crie raiz no amor de uma mulher/E espere calmamente o que vier.”

Affonso foi poeta pouco conhecido. Mas reservei alguns exemplares da sua antologia para enviar a escritores, críticos e leitores especiais pelo país afora, despertando manifestações de admiração e de espanto pela descoberta de um autor tão importante e de quem nunca tinham ouvido falar.

O nome do poeta numa escola honra o poeta – e principalmente honra a cidade em que ele viveu e que sempre amou. Nomes de políticos e apaniguados são dados a tudo, sem falar nos abominavelmente vergonhosos. Todas as cidades estão densamente poluídas por tais excrescências e ninguém parece se incomodar com tamanho horror.

Portanto, é algo que lava a alma ver o nome de um poeta ser lembrado. De parabéns Affonso Manta, Poções - e a poesia brasileira.

(Publicado no jornal A TARDE, 24/07/2014)

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Centro Cultural Fedele Sarno

Fedele Sarno
Ontem, 16, em Poções, foi aprovado o Estatuto e eleita a Diretoria provisória do Centro Cultural Fedele Sarno para os próximos seis meses. Após este período, será escolhida a diretoria definitiva para um mandato de dois anos.

Assim ficou definida a direção do Centro:

- Fábio Agra e Gildásio Júnior – Direção Geral
- Diana Lucard - Secretária Geral.
- Samara/Rubens – Tesouraria
- Leonel Nunes/João Dias e Ariana Amaral assumem o Conselho Fiscal.
- Jânio Rocha, Zezel Leite, Manoel Alex, Wellinton Fagundes, Léo, Carlos Rizério, Adilson Santos, Fidélis e Geraldo Sarno fazem parte do Conselho Consultivo.

Durante os trabalhos, estava presente o artista plástico Adilson Fagundes Santos, que prometeu doar um quadro pintado por ele para que se faça um leilão com o objetivo de arrecadar fundos. O fotógrafo Carlos Rizério Filho doará um dos seus trabalhos fotográficos com o mesmo objetivo.

Enfim, o trabalho foi inciado e outras doações serão bem-vindas. Parabéns e sucesso à Diretoria no desenvolvimento do Centro.

Lembrando que o prédio onde funcionará o Centro foi uma concessão de Fidélis Mário Sarno e leva o nome do seu avô Fedele. Para muitos, vale lembrar que Fedele Sarno é o grande patriarca da família Sarno. 

Ele sempre se manteve na Itália, mas todos os filhos se mudaram para Poções e foram importantes no crescimento de diversos segmentos na cidade, principalmente o comércio. Criaram as suas famílias e hoje conta com mais de 200 descendentes. Mas, eu pedirei a Eduardo Sarno, seu neto historiador, para que nos conte um pouco dessa história.


(Com informações de Zezel Leite)

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domingo, 6 de julho de 2014

Comônio aí!!!

Texto original publicado em 2009 no extinto site Guia Poções


Nesse final de semana, eu estive rapidamente em Poções. Atualizei-me sobre a Festa do Divino. Quis saber se as notícias dadas pela pomba branca eram verdadeiras. Só ouvi comentários e nenhuma confirmação da programação da Festa da divisão. O sagrado e o profano ainda não se decidiram. O certo é que no calendário, o último dia será em 31 de maio.

Se a pomba estiver certa, teremos o ano da mudança. Festa dividida e o Poções caindo para a 2ª divisão do futebol baiano.

Fiquei conversando com o meu irmão Pepone na varanda de casa, lembrando de coisas do passado, principalmente das brincadeiras. Da mesma forma que a gente sentia que a hora não passava, parecia que as nossas brincadeiras haviam acabado de acontecer.

Numa época em que não havia internet, quais eram as nossas brincadeiras?

Ali mesmo, na Rua da Itália, transformávamos um pedaço dela num campo de futebol. O poste ao lado da varanda da nossa casa era um gol. O outro gol  era no limite entre o armazém de Fernando Schettini com a casa de Zóstenes Vaz. O único lugar do mundo onde os gols ficavam no lugar do escanteio. O local era exclusivo da criançada moradora da Rua da Itália e a gente só perdia a vez quando Luiz Bosteiro chegava para passar as férias em Poções. Era um terror, ninguém mais tinha direito a nada, só ele mandava.

Também era no armazém de Fernando que a gente brincava de esconder entre as imensas pilhas de sacos de mamona e café que eram comercializados naquela época (hoje funciona a academia de Rosita Palladino).

Durante o dia, lá na praça da prefeitura, a brincadeira era com o pré-histórico pião. Pobre dos piões pequenos, as carrapetas ou catatais. Normalmente, eles tinham o castelo “bizocado”. Na roda, a gente só colocava o catatau.

Quando não era pião, chegava a temporada do triângulo ou da gude. As gudes eram compradas em Seu Emério Pithon, no Bazar Natal. Com o “cocão” (gude grande) a gente dava o “aço” (bater na gude menor para afastá-la da “casa”).

Ladrão e polícia era a brincadeira preferida. Tinha mesmo que pegar o cara no braço e levar para a “cadeia”. Normalmente a gente usava as varandas das casas para fazer o cativeiro. Se bobeasse, o ladrão invadia e bastava passar a mão na cabeça do preso para ele se livrar.

Das telas do cinema para a rua, foi trazido o “cowboy”, que era uma variação “western” do ladrão e polícia. A imobilização do bandido se dava com a expressão “comônio aí” uma espécie de mãos ao alto. Normalmente, o bandido usava um lenço amarrado no rosto, o que dava maior realidade e originalidade à brincadeira. A atividade física era tão ativa que a sensação do frio passava e ainda dava para brincar sem camisa. Esquentava o frio, como dizemos.

Com os pequenos revólveres de brinquedo na cintura, daqueles de cabo branco e rolinho de espoleta, a gente transformava a Rua da Itália numa verdadeira praça de guerra.

Hoje, nenhum sinal de brincadeiras. Naquela noite, apenas duas crianças convenciam o velho Zica, caído e embriagado, para que encontrasse o rumo da sua casa, evitando que fosse roubado e “judiado” pelos malandros.


Durante as quatro horas que ficamos na varanda conversando, tivemos a presença de alguns amigos que participaram das brincadeiras do passado, pararam seus carros e trocaram alguns minutos de boas lembranças.

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sábado, 5 de julho de 2014

Novo Blog do Irundy

Nosso mestre Irundy Dias atualiza o endereço do seu blog. Conta de forma detalhada passagens da sua vida e, com elas, histórias de uma Poções antiga.
Os queridos mestres Irundy e Noélia, sua espôsa
Parabéns a Irundy por nos presentear com detalhes que só uma memória privilegiada possibilita.

Poções agradece ao mestre de nós todos.

Acesse o blog através do endereço:
Blog do Irundy

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Pedro Alves Cunha - Falecimento

Pedro Alves Cunha
Recebo a notícia do falecimento do Sr. Pedro Alves Cunha. Ele foi prefeito de Poções em duas gestões: de 1967 a 1970, sucedendo a Aníbal Carvalho. Se elegeu novamente em 1973, permanecendo até 1976, quando foi sucedido por Octávio José Curvelo.

Era casado com Dona Regina Novaes Cunha e pai dos amigos Pedro Cunha Filho, Rosângela, Ruy e Solange Cunha.

À família, um abraço e os sentimentos da família Sangiovanni.

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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Pop78 - Uma viagem ao passado



Ensaio da Banda Pop78
As notícias que chegam de Poções, dão conta de uma onda de euforia e expectativa com a Festa do Divino. Tenho a impressão que este ano será o fim do “divisor de águas” entre o antigo e o novo – enfim, diversão para todos os gostos e idades. 
A festa do grupo de amigos do Velhas Fotografias de Poções também promete (07/06). Um reencontro de amigos como nunca visto - casa cheia, como se diz no futebol. Tenho lido confirmações de presenças de pessoas que já haviam dado como encerrada a participação na adoração ao Divino.
Uma das maiores atrações, com certeza, será a Banda Pop78. A antiga banda Os Fantasmas, de Poções, se manteve travestida durante anos com nomes que fizeram sucesso, sendo o Fase Cinco um dos grandes. Chegou a vez de voltar pra casa. Tocar no Clube de Poções é reviver a sua origem.

Nessa euforia de voltar, a convite de Robertinho Prudente, eu fui conferir o ensaio que a banda fez há duas semanas e vem repetindo quase todos os dias.

Fui recebido por Jeová, Robertinho e Albérico no estúdio do Itaigara com a alegria de quem não se via há anos. Os olhos de todos brilhavam na mesma intensidade. Respirávamos um ar de nostalgia, e ansiedade para começar o ensaio de imediato, mas ainda existia um mundo de fios a ser conectado nos aparelhos.

Carlos Senna
Ao lado deles, o experiente contrabaixista Carlos Sena dava as coordenadas para o ensaio começar com um “ar” muito espontâneo e sorridente. André Barbosa, o Pixinguinha, tocava no teclado umas notas querendo ensaiar aquilo que já estava planejado. Enquanto isso, Jeov
á montava o pedal na bateria e escolhia as baquetas sob a gozação de Albérico. Robertinho me apresentou a lista com todo o repertório e o que tocarão nas sequencias.

Como não entendo muito, fiquei na cerveja anotando e fotografando enquanto cada música era ensaiada. Entre uma e outra, a pausa para lembrar dos detalhes do passado. “Milionários” foi a única liberada para dizer que está no repertório. Mas, eu disse que “Georgia” deveria ser no início de algum intervalo para a gente se lembrar do momento em que cruzávamos o salão para neutralizar a concorrência na hora de formar o par para dançar.

Jeová Prudente
As baquetas de Jeová soavam como uma marcação de tempo, literalmente. Pra marcar o tempo de entrada de uma nova música, bem como uma marcação do nosso tempo de adolescente . Robertinho olhou para Albérico e puxaram o sucesso antigo - “Cândida”. Sucesso total no estúdio, os cinco cantaram e se formou um coro bonito, harmonioso. Era como estar no meio do salão do Clube de Poções. Embalaram o ensaio ao som de Creedence Crewater Revival e eu, grudado na Skol, imaginando como será a nossa festa. A sequencia dos Beatles é fantástica (chega, pois prometi que não contaria).

Enquanto trocava os pedais de solo da guitarra, Albérico comentou que a banda promete surpresas e fortes emoções. Relembrar o passado é o presente da confraternização com os nossos companheiros. Os estilos de cada um estão mantidos e isso faz parte do espetáculo. Animação e disposição pra tocar durante horas não vão faltar, prometeram.

Só posso garantir que tudo aquilo que vi e anotei não é metade do que a Pop78 vai mostrar. Quem quiser conferir essa empolgação envolvente vai poder viajar no passado – nós, a plateia delirante – eles, os músicos apaixonados pelo passado. Um casamento perfeito!!!

A festa promete e quem viver (revi)verá sempre...

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