"Se chorei ou se sorri, o importante é que em Poções eu vivi"

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Você sabia? (Annina Sarno)


Você sabia?

Anna Maria Sangiovanni Sarno (Annina)
Que a senhora ANNINA SARNO, já falecida, teve a bela e feliz iniciativa de fazer a "CAMPANHA DO CRUZEIRO", com a finalidade de angariar fundos para a construção da atual IGREJA MATRIZ DO DIVINO ESPÍRITO SANTO?

Ela saía sozinha, somente aos sábados, de casa em casa, de barraca em barraca, com a sua enorme simpatia, recebendo ajuda até dos pequenos feirantes e donativos que cada um podia dar.

Lembro-me bem, que ela chegava ao meu Consultório Dentário e dizia : -"Campanha do Cruzeiro!"

Aquele cruzeiro, eu já deixava separado pois sabia que ela nunca deixaria de passar, a não ser se estivesse acamada. Mesmo sendo idosa, doença era difícil de pegá-la desprevenida.

Vou agora, reclamar de viva voz, que até hoje, nenhuma autoridade constituída desse Município, lembrou-se dela.

E há tanta gente, que nada fez por esta Cidade, e já consta o seu nome em placas de ruas ou de escolas e por aí afora...

Caso tenha acontecido algum agradecimento ou manifestação de apreço pelo o que ela fez por Poções, não houve A DIVULGAÇÃO NECESSÁRIA. Eu mesmo não soube.


VOCÊ SABIA ?

sábado, 12 de abril de 2014

Baltazar, um encontro de Reis

Meu amigo e irmão Lourival, o rei Baltazar, em 2008 (Foto: Ricardo Sangiovanni)
Quem acompanhou a cruzadinha eucarística de Dona Fetinha sabia o quanto era difícil ser algum personagem nos ternos de Reis ou na semana Santa, na igreja de Poções.

Em todo evento religioso, havia a caracterização de um personagem bíblico. Fetinha escolhia sempre pela presença na igreja, nas missas. Zé Marinho, seu neto, tinha lugar cativo no papel de apóstolo, de um dos Reis Magos e um cargo não tão bíblico, o de porta estandarte. Isso nos deixava furioso. Às vezes, revezávamos esses “papéis”, mas tinha que ter o aval da nossa líder. Melchior e Gaspar, dois dos reis, eram sempre disputados na surdina, entre nós da cruzadinha.

Portanto, quem não foi Rei Mago em Poções?

Mesmo no papel de Baltazar, que era um rei negro, tinha concorrência - Uma vez era assumido por Lourinho (Lourival), outras por João Queiróz ou por Rosivaldo (Nêgo Rosi), pois eram nossos colegas negros.

O tempo passou. Fomos para o curso de admissão e o Vanderlei (Nêgo Vando) tratou de colocar apelido em todo mundo. Omoplata era um deles, pois dizia que era quem andava com a mão no ombro do outro. Tenaz, porque a amizade era muito boa e o cara colava mesmo. Sobrou para Lourinho o apelido de Baltazar, por ter sido um dos mais famosos Reis Magos de Poções.

Solidificamos o apelido durante o curso do Ginásio e ficou até hoje. Além do apelido, uma amizade  daquelas que não precisa de muito grude, de cola Tenaz, mas de grande qualidade quando a gente se encontra – um verdadeiro encontro de Reis.

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sábado, 5 de abril de 2014

Monnaliza e Leonardo Mascarenhas

Nas minhas andanças, fui parar em Ribeirão Preto pela terceira vez. Agora, participamos da formatura da especialização da minha afilhada Monnaliza Porto Fagundes Mascarenhas.

Lulu e Bete com Monnaliza e Leonardo Mascarenhas (Foto Ricardo Fagundes)
Monnaliza se casou com Leonardo. Interessante, pois a arte diz que Leonardo pintou a Monnaliza. Leonardo, também médico, já trabalha em Vitória da Conquista. Me disse que quando atende alguém de Poções, fala que é meu sobrinho e as pessoas respondem: O cara do blog? Lulu?

Pois é, Vitória da Conquista e região ganharam um grande reforço médico. Dois jovens que fizeram  medicina com uma dedicação extrema e competência nas suas especializações. Migraram de Salvador para Ribeirão Preto e voltam com a força total e dedicação nas suas ambições profissionais.

Leonardo é Ortopedista com especialização em Cirurgia do Joelho, formação de quatro anos na USP, trabalhando hoje no Hospital SAMUR, IBR e Hospital de Base de Vitória da Conquista. 

Monnaliza, fez especialização em Anestesiologia durante três anos na Santa Casa de Ribeirão Preto e também exerce suas funções no IBR e no Hospital São Vicente de Paula. Continua no constante crescimento e se especializa em Dor, durante mais um ano na instituição de Ribeirão Preto.  

Ela é sobrinha da minha esposa Bete, neta de Valmir Fagundes Santos /Iraildes Moitinho Santos e bisneta de Mem Santos. Portanto, uma descendência direta de poçoenses.
Monnaliza e os seus colegas de turma em Ribeirão Preto (Foto Arquivo Lulu Sangiovanni)
Quero registrar toda a minha admiração e orgulho aos meus queridos sobrinhos e desejar-lhes a plena realização das suas escolhas profissionais na nossa região. 

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terça-feira, 1 de abril de 2014

Poções recebe espaço para criação de Equipamento Cultural.

Por Gidásio Júnior  - O Coreto Notícias
A cidade de Poções recebeu um presente, no início desta semana, vindo de uma importante personalidade do município.
O senhor Fidélis Sarno, também conhecido como “Fidelão”, cedeu para a comunidade poçõense no ultimo  domingo, uma casa para a implantação de um equipamento cultural.
Fidélis Mário Sarno - Foto: Arquivo Eduardo Sarno
A casa é situada na rua  Santos Dumont  ao lado do Colégio Municipal Alexandre Porfírio. A cessão foi feita em caráter de comodato e terá duração inicial de três anos.
O acordo foi firmado após uma reunião na casa do Senhor Fidélis à qual estive presente e  que envolveram pessoas ilustres do nosso município como o Cineasta poçõense Geraldo Sarno, o fotógrafo Carlos Rizério, o professor Jânio Rocha, a então vereadora Zezel Leite além do Jornalista Fábio Agra.
De acordo o professor Jânio Rocha, “Não ficou definido que tipo equipamento será implantado no local, o que vai depender das condições do espaço e também da demanda da comunidade que participará ativamente deste processo. Mas esse já é um passo importante que representa uma conquista da nossa sociedade, sobretudo da classe cultural que a muito tempo briga por um espaço próprio.”
O novo equipamento cultural deverá iniciar suas atividades a partir segundo semestre, a intenção é de que sejam realizadas parcerias junto à iniciativa privada e os governos estadual e municipal.

Nota do blog - O gesto de Fidélis Mário demonstra toda a sua generosidade com a cidade de Poções - a terra que o acolheu e que aqui plantou frutos. Parabéns Fidélis, por essa colaboração com a cultura da nossa cidade. Parabéns, também, àqueles que acreditam numa proposta cultural e foram em busca do objetivo. 


sábado, 29 de março de 2014

Sopa de leite (Benção Padrinho 2)

No último domingo, fomos almoçar na casa de meu padrinho Antônio Libonati, que também convidou Elisa e Pepone, meus irmãos.
Elisa, Libonati (de pé), Pepone e Lulu
O que rola em um almoço na casa de italiano são as lembranças da Itália, especialmente de Mormanno, a terra natal de todos os nossos. Ainda mais que, na parede da sala, havia um quadro reproduzido a partir de uma fotografia da casa onde Libonati morou na pequena cidade italiana. O quadro foi pintado por Gerson, meu cunhado, há mais de trinta anos.
As famílias Libonati e Sangiovanni: Pepone, Elisa, Bete, Eliane, Zilma, Delza, Libonati, Lulu e Sérgio.

Além da tradição do almoço em família no domingo, as músicas tocadas são especiais da região sul da Itália.

O quadro era o pretexto para iniciarmos a conversa sobre Mormanno, embalados pela música. As lembranças traziam fortes e emoções quase que contidas, não fossem os brilhos dos olhos à medida que iam sendo contadas. Em determinado momento, Libonati chamou os convidados e disse: “Esse almoço é uma homenagem especial a vocês e a Chico e Anna Maria, seus pais, pela amizade e apreço que eu tinha com eles. Isso era recíproco. Então, estando com vocês, estou com eles”.

Perpetuando essa alegria, eu contei que poderíamos comemorar, pois o costume reza que os italianos comem macarrão na quinta-feira e no domingo. Libonati achou estranho o costume e demorou a se lembrar. Era assim mesmo e a notícia corria longe, falei. Os viajantes, os pracistas que visitavam Poções, ficavam horas vendendo e eram gentilmente convidados para o almoço nas casas dos tios devido a falta de restaurantes na cidade, onde apenas poucas pensões ofereciam esse recurso. Eles ficavam mesmo enrolando para serem convidados.

Tinha viajante que só aparecia na quinta. Um dia, um deles foi convidado. Sentando-se à mesa, quando imaginava que comeria uma bela macarronada, foi surpreendido por um prato inusitado – sopa de leite. Pois é, sopa, minestra ou minestrone eram os pratos prediletos nos almoços na nossa e nas casas dos tios. Sopa de feijão era a mais comum. Mas, no dia em que o leite da fazenda Caetitú sobrava, tinha uma receita de sopa de leite.

O gosto era salgado, mas muito gostosa. A aparência branca do leite gerava sempre uma reação de desagrado. Então, surpreendendo-se com o inesperado prato, nosso viajante não podia se desfazer da “novidade” e, para agradar, disse que adorava sopa de leite. O primeiro prato servido ele tomou em rápidas colheradas. Minha tia, sabendo que o convidado adorava a sopa e como havia tomado rapidamente, tratou de servir logo mais duas enormes conchas.


Coitado, nunca mais aceitou o convite para o almoço.

domingo, 23 de março de 2014

João Bôsco Freitas - Falecimento

Registro o falecimento prematuro de João Bôsco Freitas, ocorrido semana passada.
João Bôsco (foto Facebook)
João Bôsco, um empresário potiguar, veio morar em Poções, virou prefeito e transformou-se em um autêntico conterrâneo, juntamente com a sua espôsa Eletícia e filhos,  protagonizando uma invejável relação de amor à cidade que o adotou.

Parabéns João, você será eterno na nossa cidade.


Fim das férias

Meio de férias, o blog ficou paralisado por algumas semanas. Aproveitei o período para alimentar as baterias com a chegada da página do Facebook, as Velhas Fotografias de Poções, com uma expressiva participação de meus amigos e conterrâneos poçoenses.


Assim, retomo hoje a normalidade do blog com novas boas histórias e lembranças.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Monsenhor Estevam é nomeado Bispo da Arquidiocese de Salvador

Monsenhor Estevam Santos Silva Filho
Nesta Quarta feira, 29, a sua Santidade o Papa Francisco, nomeou o Monsenhor Estevam Santos Silva Filho como Bispo Auxiliar da Arquidiocese Primaz do Brasil São Salvador da Bahia.

O Monsenhor Estevam foi pároco da nossa cidade por muitos anos. Pela firmeza do seu trabalho religioso, seu caráter, principio moral e outras tantas qualidades, a escolha é merecida. 

Padre Estevam, em Poções, na tradicional busca do Mastro (foto: Lulu Sangiovanni)
 
O Blog deseja os parabéns e boa sorte ao padre Estevam e que o seu trabalho possa atingir milhares de pessoas de todo o Brasil.    
 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Opinião - Nosso irmão Mufula!!!

Por Zóstenes Ribeiro

Com sua permissão gostaria de falar de Poções, mas especificamente de uma das figuras carismáticas dessa terra que é o nossso irmão MUFULA - O Radialista das multidões e o poeta dos sertões. Esse cara é um dos maiores artistas do Brasil, e um dos maiores talentos da comunicação contemporânea. 
O radialista Mufula
Podemos comparar o velho Mufa aos grandes decanos da radiofonia. Sinceramente, não consigo entender porque homens como Mufula são tão discriminados pelo sociedade elitista desse país. Mufula, indubitavelmente é o maior comunicador nato dessa cidade. 

Poções e Mufula se fundem na integridade, na poesia e na nobreza do sertanejo. Como eu poderia falar de Poções, a minha cidade, a cidade dos meus pais, sem falar de Mufula, meu dileto companheiro de Rádio. Fui conhecer de forma clara e definida, na sua essência e em todo seu teor intelectual, mas especificamente em Jaguaquara, onde trabalhamos durante vários anos na então Rádio Vale Aprazível, onde Mufula comandava um dos programas mais ouvidos e até hoje lembrados da emissora. 

Em Gandu, uma das cidades mais emblemáticas do Sul do estado, o nosso poeta apresentou praticamente todos os programas, mas fez história mesmo foi na crônica policial. Surpreendendo a todos, o nosso poeta incorporou o maior repórter policial do Brasil, e ao meu lado, comandou as reportagens policias que ficaram nos anais da radiofonia regional. 

Amanhecer na mais linda cidade da região, sem ouvir a voz de Mufula, não tem mais graça!  Não é mais a mesma coisa!  E só. 

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domingo, 26 de janeiro de 2014

Rosa Alba Sarno faz exposição de pinturas


Rosa Alba convida a todos para a sua exposição de pinturas ONDE, a ser realizada na Galeria Nelson Dahia, no Largo do Pelourinho, com abertura programada para o dia 30 de janeiro, próxima quinta-feira.

Rosa é poçoense e reside em Salvador, irmã do cineasta Geraldo Sarno.


Pinturas de Rosa Alba Sarno

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Reinaugurado o PSF Amedeo Sangiovanni

Com informações e foto do site da Prefeitura Municipal de Poções www.pocoes.ba.gov.br

Dirigentes municipais de Poções e Michele
A Prefeitura Municipal de Poções, através da Secretaria Municipal de Saúde, entregou para a população, nesta sexta-feira (17), a reforma do Posto de Saúde da Família Amedeo Sangiovanni, no bairro Bela Vista. A obra foi feita com recursos próprios. Estiveram presentes à reinauguração várias autoridades, como o prefeito Otto Magalhães, o vice-prefeito João Bonfim, o secretário de saúde, Mateus Cruz, o presidente da câmara, José Mauro, além dos demais vereadores da base aliada e secretários.

A comunidade compareceu em grande número e prestigiou a solenidade, que também contou com a presença do empresário e ex-secretário de saúde, Michele Sangiovanni – filho do saudoso Amedeo Sangiovanni. Ele disse que sempre visita a unidade, que carrega o nome de seu Pai, e que a mesma ficou durante anos abandonada. “Agora os moradores do bairro Bela Vista terão mais conforto, parabenizo o prefeito Otto Magalhães pelo investimento em saúde”, disse Sangiovanni.

O médico Dr. Yuri Gusmão, que trabalha na unidade, salientou que a reforma e ampliação da Unidade de Saúde atendeu a uma reivindicação dos usuários e funcionários, que consideravam o local sem condições de trabalho. “Hoje se tornou uma unidade bastante acolhedora e que, junto à ótima equipe, proporcionaremos um melhor atendimento a população”, disse o jovem e competente médico.

Nota do Blog
A família Sangiovanni já se sentia honrada por essa homenagem anterior. Agora, parabenizamos e agradecemos aos dirigentes pela reinauguração do Posto de Saúde, mantendo a lembrança de Amedeo (Chico) Sangiovanni, nosso pai, permitindo, principalmente, o acesso da população à saúde.  


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Livro de Adilson Fagundes Santos é lançado em Poções

Texto de Fábio Agra
Fotos: Márcio Fagundes

Lançamento do livro em Poções
 Muitas pessoas da minha geração, dos 30 anos para baixo, não conhecem Adilson Santos nem sua obra. 

Não sabem que este artista, nascido em Poções, pequeno no tamanho, grande em pinturas surrealistas e flamengas, carrega em suas tintas, em seus estreitos ombros, o nome da cidade mundo afora. Nesta sexta-feira,17, Poções recebeu o mundo, fez-se parte do mundo pelas páginas dos dois livros que compõem a caixa de “O Exercício Livre da Memória”. Além dos livros, a caixa tem um documentário sobre Adilson Santos e traz também uma Poções de outrora, de um céu e luar estonteantes, da igrejinha, dos quintais livres para se brincar com o peão… As pinturas e desenhos de Adilson dizem muito sobre Poções, sobre seus fundos de quintais. Enquanto o pião de Adilson Santos gira, gira e gira, as memórias dos que adentravam o Cerimonial Garden, para participar do lançamento dos livros, são expostas e sentidas em cada passo dado em direção à pessoa que está à mesa autografando. O olhar de quem chega está compenetrado, hipnotizado em direção à mão que agora rabisca piões e nomes em um dos livros. Quando os olhares se encontram, o do artista e dos velhos amigos, os sorrisos temem em se guardar para que os lábios possam ficar livres e enfim pronunciar qualquer lembrança; os abraços parecem eternos. Adilson Santos tem diante de si o seu passado agora em carne e osso, e não somente em memórias, paletas, pincéis, telas e papeis.

O título dos livros faz jus ao final de tarde e restante da noite. A memória dos que compareceram ao lançamento esteve todo o tempo correndo naquele ambiente, como uma criança, entre uma Poções da década de 1950 e a presente. Incansável, ela puxava para as mesas os fundos de quintais, os tropeiros, as casuarinas, o Alexandre Porfírio, Corinto Sarno, a Praça da Liberdade…

Adilson e o amigo de infância João Batatinha
Quanta liberdade a memória tem neste dia para desfilar entre uma boca e outra, entre um ouvido e outro suas histórias. Enquanto Adilson Santos ia autografando os livros, Michele Sangiovanni narrava inúmeras delas. O ponto de partida para os relatos do filho de Amedeo Sangiovanni foi a chegada de mais um ilustre. Por toda minha vida ouvia em alguma esquina, em algum campo de futebol, em qualquer praça, o nome do maior jogador de futebol que Poções já teve. Então, Michele diz – João Batatinha! Olhei para traz sabendo que ia encontrar uma pessoa mítica. Esse senhor de cabelos grisalhos, estatura média, que adentrava o local sorrindo, era o grande ex-jogador João Batatinha.

Cresci ouvindo esse nome e, agora, eu estava ali bem diante do maior de todos. Sentou-se à mesa com uma simplicidade e simpatia colossal, após alguns minutos do reencontro com Adilson Santos. Com João Batatinha, Michele, Carlos Rizério e Rita, esposa de Michele, o passado de Poções veio à flora.

João Batatinha falava da Praça da Liberdade, que ele se recusa a chamá-la de Praça da Bandeira; lembrou do Obelisco e também das árvores que parecem pinheiros, as casuarinas. Michele, então, revela uma traquinagem de infância. Eles pegavam as pastas que cada estudante tinha e as colocavam em nos galhos das árvores. Puxavam até embaixo e depois soltavam. “As pastas voavam longe”. Para ele, foi inevitável não recordar os tempos de estudo no Alexandre Porfírio, a única escola da cidade e com uniforme cor de cáqui que alguns alunos compravam e às vezes o governo dava. “Eu sempre usava o do governo”, conta João Batatinha em meio à risada. “Enquanto vocês estudavam eu ficava jogando bola”, acrescenta. “Ele jogava bola de manhã, de tarde e de noite”, Michele puxa à memória aqueles dias na Praça da Liberdade. Adilson Santos mais tarde senta e diz que o time tinha um bom quarteto formado por Zoma, João Batatinha, ele e…
José Carlos Leto chega e Michele logo trata de dizer que é preciso resgatar algumas tradições italianas na cidade. Eu conhecia José Carlos Leto de nome, de sua ligação com o cinema, do grupo do Facebook Velhas Fotografias de Poções, que nos tem brindado com um acervo brilhante e foi criado por Lulu Sangiovanni. Tive então o prazer também de conhecê-lo pessoalmente durante o lançamento.

Entre tantos nome e mitos que iam se juntando a nós, Michele relembra de Corinto Sarno, que para ele foi um dos maiores homens que já viveu em Poções. Contribuiu para a chegada da energia elétrica, foi o primeiro a ter um aparelho de telefone, era um dos responsáveis pela construção da Igreja Matriz, entre tantos outros atributos. “Merece muito mais do que um nome de rua”, diz inconformado. Ouvi atentamente Michele falar também sobre os tropeiros que tinham suas longas capas e chegavam na sexta-feira para dormir na cidade e vender suas mercadorias no outro dia. Falou da tipografia que João Batatinha ainda mantém como uma herança de família, do seu pai Alcides.

O passado e suas memórias estão batendo à porta. Deixemos entrá-los e vamos expandi-los. Como disse Lulu Sangiovanni em recente publicação em seu blog, “Os lançamentos dos livros de Affonso Manta e Adilson Santos coroam a cultura poçõense”. Tive sorte de presenciar os dois lançamentos, a Antologia Affonso Manta, organizada por Ruy Espinheira Filho, lançada em Salvador em novembro de 2013, e agora “O exercício livre da memória”, de Adilson Santos.

Fábio Agra, autor deste texto, e Adilson Santos
De lá para cá, li os poemas de Affonso, apertei as mãos de Adilson Santos e quase me ajoelhei diante dos pés de João Batatinha, o maior jogador que Poções já ouviu falar. Para Michelle, só não foi melhor que Pelé. Nossos heróis, mitos e personagens estão aparecendo, estão se materializando, por ora em livros, memórias alheias e fotografias. Precisamos ainda de muito mais, esse é só o começo, é só o ponta pé inicial, mas agora com João Batatinha e Adilson Santos em campo.

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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O Obelisco

Por Eduardo Sarno (escrito em 1998)

A nossa geração tem esta marca indelével de apego sentimental à cidadezinha do interior que albergou nossa infância e juventude.

Lembramos o nosso saudoso obelisco, de base hexagonal,que afinava à medida que subia, construído por Paulo Barbosa do Amaral e inaugurado a 10 de novembro de 1941, na Praça da Bandeira, na gestão do Dr. Peixoto. Era um dos raros e talvez único monumento dedicado à Bandeira Pátria. A descrição e a foto do obelisco, garboso na sua originalidade, consta no livro "Monumentos Nacionais".

O conjunto do obelisco era composto de quatro postes com luminárias e quatro bancos de granito, sem encosto, com um largo passeio em volta. Na praça, as casuarinas ,plantas originárias da Austrália, lembrando árvores de Natal simétricas, lindas no seu verde fosco, contrapondo com o céu azul e as nuvens multiformes e alvas. Seus raminhos verdes cilíndricos, que substituem as folhas, divididos em pequenas secções, serviam para uma brincadeira inocente: partido em dois, e depois perfeitamente encaixado, tratava-se de adivinhar qual o gomo que havia sido secionado.

Velhuscas, nodosas, as casuarinas ainda estão lá. Quando passamos perto o som do vento nos galhos parece dizer: “ - Olha quem está aí ! lembram daquele menino ?”

Quem não está mais é o obelisco. Ferrugem? descaso? mas era um obelisco importante. Além das casuarinas ele era cercado pela casa de Luis Sarno, onde antes funcionou o Dopolavoro Umberto Maddalena, a Igreja dos Crentes (como a chamávamos), do pastor Alcides “Batatinha” (como o chamávamos), a Escola Alexandre Porfírio, a casa de Argemiro Pinheiro, a dos Mascarenhas, a de Juvenal Oliveira, a de Ioiô Macedo, a de Brás Labanca, pela antiga sede do Clube Social, a de Dr. Trindade, a casa de Américo Libonati e a da Escola da Cooperativa da professora Lusmar e pela atual Prefeitura, que já foi clube e jardim de infância, onde cursei.

Era lá no obelisco , nos seus degrauzinhos, que as crianças sentavam em grupo para tirar fotos, que nas tardes de domingo Antonio Leto passeava com Dalva e suas futuras cunhadas Dolores e Alina, que Félix Magalhães e Maita Curvelo, namorados, pensavam que tinham por única testemunha dos seus amores o solitário obelisco, sem saber que a meninada olhava tudo de longe.

Era lá que o Dr. Fernando Costa realizava os atos cívicos, quando da sua gestão na Prefeitura, perfilando a Filarmônica de Mestre Nadinho e o Tiro de Guerra. Era no obelisco que, na hora do “baba” sentavam os que não estavam jogando.

Nele, no tempo de Getúlio Vargas, eram colados os cartazes convocando os reservistas para defender a Pátria e o povo para aprender o ABC. Era lá que acontecia tanta coisa que eu nem sei contar...

Com o tempo o obelisco ficou esclerosado, descamado, feio e ninguém cuidou dele. Parecia que diziam: “-Cai logo, peste!” Mas ele não caiu, foi demolido.

No seu lugar foi construído um lindo jardim florido e bem cuidado.

Sem desmerecer as flores acho que jogamos fora um obelisco cheinho de lembranças e emoções.

Eduardo Sarno
Fev/98

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Velhas Fotografias de Poções - Uma realidade

Tonhe Banana, Albérico, Jeová e Sandoval  formavam Os Fantasmas, primeira banda de Poções
Faço parte de uma página italiana do Facebook, intitulada Vecchie Fotografie di Mormanno ed intorno (Velhas Fotografias de Mormanno e região). Tenho, ali, a oportunidade de publicar as fotografias que recebemos nas cartas que foram enviadas durante vários anos pelos nossos tios e primos.

São fotos únicas. As pessoas eram fotografadas e mandavam nas cartas sem se preocuparem em deixar ou mandar fazer uma cópia. Então, as manifestações das pessoas no FB eram de surpresa, como se fossem vistas pela primeira vez.

Eles (a página italiana) detalham as fotos e, praticamente, contam as histórias, citam nomes e são incentivados a publicarem outras fotos. Então, uma memória pode ser resgatada.

Pensei a mesma coisa para Poções, apesar do nosso acervo fotográfico ter sido bem diferente e mais fácil. Por exemplo: na nossa cidade, os fotógrafos existiam em maior número. Os filmes eram revelados e sempre faziam-se cópias extras na ampliação para ajustar tempo de exposição, revelação e foco. Inúmeras vezes, Vitinho e Zelinho fizeram isso e mandavam as fotos extras para a família que encomendava. Por sua vez, essas fotos eram mandadas como lembranças para as outras famílias e colcadas em álbuns.

É comum na nossa família a existência da mesma foto em vários álbuns.

Por outro lado, os museus de Zé Onildo e do Iecem não se desenvolvem e as fotos exibidas são sempre as mesmas. Enquanto isso, as gavetas das pessoas estão cheias de fotos, se perdendo com a ação do tempo. Um dos objetivos é alimentar os museus com as fotos.

O Cine Glória de Poções anunciando o filme A Marca do Vingador
Criei a página em novembro e fiz alguns testes até o lançamento no dia de hoje. Em pouco tempo, já são dezenas de publicações e centenas de visualizações. Meu amigo Fábio Agra mandou uma mensagem “in-box” dizendo que logo apareceria alguma pérola. Não demorou muito e José Olavo Lago mandou uma foto do Cine Glória. Na sequencia, Robertinho Fagundes Prudente manda as fotos do primeiro grupo musical, Os Fantasmas.

Os próprios museus podem copiar ou solicitar aos proprietários as cópias com maiores resoluções e próprias para ampliação. O colaborador deve se esforçar para citar nomes das pessoas, locais e datas.

Posteriormente, farei uma classificação por assunto para que os historiadores se interessem em contar a história da cidade.

A Filarmônica em uma das suas formações
Por outro lado, enquanto as fotos chegam, vamos ficando nesse “frisson” que as postagens está causando e aguardando por outras pessoas que ainda não conhecem a página e têm muito a colaborar.


Velhas Fotografias de Poções tem o seguinte endereço no Facebook: https://www.facebook.com/groups/213813892124248/

Obrigado a todos que estão contribuindo. A história de Poções agradece.

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domingo, 29 de dezembro de 2013

Feliz 2014 - Grandes emoções... Poções!!!

Quando eu estou aqui
Eu vivo esse momento lindo
Olhando pra você
E as mesmas emoções
Sentindo

São tantas já vividas
São momentos
Que eu não me esqueci
Detalhes de uma vida
Histórias que eu contei aqui

Amigos eu ganhei
Saudades eu senti partindo
E às vezes eu deixei
Você me ver chorar sorrindo

Sei tudo que o amor
É capaz de me dar
Eu sei já sofri
Mas não deixo de amar
Se chorei ou se sorri
O importante
É que em POÇÕES eu vivi

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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O Natal do papagipe

Era a hora de esperar o Papai Noel passar. O sono chegava e eu não resistia, dormia profundamente. Cansaço do dia ativo de qualquer criança naquela idade.

Pelos vidros canelados da porta do quarto, eu sabia que era dia e despertava correndo, ainda vestido com o pijama de flanela que minha mãe costurava. Ia direto para a árvore de Natal e estava lá o presente. Naquele ano, um velocípede novinho, reluzia debaixo do pisca-pisca. Sonhava com um “velocipe”, como eu pronunciava.

A letra da música fazia sentido: …Seja rico ou seja pobre o velhinho sempre vem! Significava, a cada ano, a capacidade financeira dos pais em fazer a alegria dos filhos.

O comércio de Poções era fraco para a compra dos presentes de Natal. O Bazar Natal, de Emério Pithon, era reforçado nessa época e o seu nome era sugestivo. Jaimevique Alves também fazia o mesmo. Por isso, os presentes eram simples, mas eram aqueles que ficávamos admirando dias antes da festa.

Os presentes dados pelos tios completavam as nossas esperanças. Debaixo de cada árvore, sempre tinha um presentinho e nos dava prazer visitá-los nessa manhã.  
Com a renovação dos brinquedos, era a hora de brincar nos passeios da rua da Itália. Juntava-me a Zé Marinho, Zostinho, Bada, Eraldo, Paulin, Zé de Dahil e Zé de Doca e cada um desfilava com o seu brinquedinho novo.

Certo ano, eu ganhei um caminhão “papagipe” (cegonha) de madeira. Uma perfeição de brinquedo. Bem colorido, bem pintado e media uns 45 cm de comprimento, onde podia separar o cavalinho do reboque.

Minha tia Lina fez uma “lona” com furos reforçados com ilhoses e podia, então,  cobrir os pedaços de madeira cortados no tamanho exato do reboque. Quando coberto e amarrado com cordão grosso, tinha a aparência desses jamantas carregadas. A vibração das rodas nos ressaltos do piso do passeio dava a impressão de imponente e realçava o meu “papagipe”.

A interação com as crianças vizinhas, papagipes, velocípedes, presentes dos tios e a expectativa de ver Papai Noel (principalmente, entender como ele entrava numa casa toda fechada) solidificaram a crença no espírito natalino.

Um grande abraço a todos e um feliz Natal.

Nota do blog
Após publicação, recebi um email com os dizeres, abri mesmo um grande sorriso e fiz a devida inserção. Obrigado amigo Zé:

José Carlos Meira Alves, filho de Poções e sempre emociono quando falam da minha terra natal, principalmente você Lulu, com quem tive a honra de brincar de "carrinho", foi muito bom ler você falando do Natal, porque lembrei de detalhes da minha infância, digo,maravilhosa infância. Obrigado Lulu. Não, não você não conhece José Carlos Meira Alves, mas se eu disser Zé de Dahil, tenho certeza que você dará um lindo sorriso. Um grande abraço Amigo irmão.
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Uma casa de velhinhos...

Dona Pureza era a mais exaltada do asilo. Hora da merenda e ela queria tomar o suco na caneca branca, a que tinha o seu nome. Ninguém achava a caneca e ela insistiu em um tom mais alto para que procurassem. Tentaram dar o suco em outro recipiente parecido e ela não quis saber.

Só parou de reclamar quando Lala e Edu começaram a tocar. Como música acalma as pessoas, isso estava estampado no sorriso do rosto largo de Dona Rita, outra moradora do asilo, nos seus 70 anos, sentada em um cadeira de rodas.

Terminada a primeira música, Rita perguntou: Como é o nome dessa música? Lala respondeu que se chamava Amor te Matar. Ela deu uma gargalhada e disse: Isso é nome de música?? Né boa não, continuando com a gargalhada.

Neste ano, resolvemos dar uma trégua a Papai Noel. Pedimos para que ele não trouxesse nenhum presente para as nossas casas. O acordo foi selado e todos da família Fagundes participaram - o dinheiro de cada presente seria gasto na compra de mantimentos para um asilo ou instituição de pessoas carentes. Edu e Lala, nossos artistas da música, tocariam e cantariam para animar o dia daquelas pessoas.

Essas manifestações de Pureza e Rita demonstram o bom clima e a harmonia existente entre as 35 mulheres e 60 homens, todos moradores do lugar. Mas, demonstram, também, a carência afetiva, o abandono das famílias e a necessidade de mais ajuda em todos os sentidos. É nessa hora, de coração apertado, que a gente enxerga o descaso do nosso país com pessoas idosas naquelas situações. Faltam os programas e as políticas públicas. Enfim, pessoas que o próprio mundo tenta descartar da sociedade, encontram outras que dedicam parte da sua vida para cuidá-los.

Enquanto a apresentação musical acontecia, em mim havia o misto de alegria e tristeza – alegria em ver como as pessoas vivem naquele momento - harmoniosas e cuidadas; tristeza por compreender que aquele tipo de abandono tende a crescer e, cada vez mais, teremos que contar com a caridade para solucionarmos os problemas em torno do nosso mundo.

Poucos conhecem essa realidade. Veio o sentimento de que doar bens é apenas muito pouco. Aquelas pessoas precisam mesmo é de carinho.

Uma senhora, sentada em outra cadeira de rodas, me fez lembrar daquilo que minha mãe chamava há dezenas de anos atrás, aí em Poções – a casa das velhas. Eram senhoras idosas abandonadas, com pouca mobilidade,  que algumas famílias se acertaram e cada dia levavam a comida para elas. A casa ficava no bairro do Tigre.

Outra casa, na Lagoa Grande, era de três senhoras cegas. Ali, as dificuldades eram maiores e os descuidos com a higiene eram evidentes pela própria deficiência visual.

Meu papel era acompanhar as minhas tias. Eu não imaginava que aqueles gestos de solidariedade ficariam marcados como os primeiros na minha vida. Depois, vieram as freiras para Poções e elas assumiram esse papel na nossa sociedade.

Na tarde de hoje, uma senhora nos conduziu por todos os quartos dos moradores daquele asilo. Ela aparentava os quase 70 anos de idade e um vigor físico impressionante fazia subir e descer escadas. Falava com todos eles de forma a ser atendida como transitasse por aquele lugar há anos.

Com um ar sereno, seus cabelos brancos e rosto gasto pelo tempo, aquela senhora tinha uma única função - de voluntária, decidida a dar todos os seus domingos para os velhinhos da Accabem, a instituição. 

Moradora vizinha do local, ela disse que a sua disponibilidade e dedicação era o que tinha no momento para ajudar àquela gente carente. 

Anônima estava e anônima se manteve.Uma lição de vida para todos nós nessa tarde.


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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Os livros de Poções - O Pintor

De repente, uma tempestade de cultura cai na nossa cidade, Poções.

Os lançamentos dos livros de Affonso Manta e Adilson Santos coroam a cultura poçõense em 2013. Talvez, nessa magnitude, coroem mais alguns anos pra trás e pra frente.

Confesso que foi uma semana muito emocionante pra mim. Na quarta feira, eu vi o trabalho de Adilson transformado em um livro, da forma que consagra e perpetua um artista, quando ele pode receber as homenagens que o reverenciam.

Acompanho-o como parte da minha família. Irmão de pessoas fantásticas como o meu sogro Valmir, de minha tia Dalva e dos falecidos Vandinho, Carlito, Alina e Dolores, pessoas que eu tive a maior admiração,  respeito e amizade – e me adotaram como sobrinho, genro, amigo e conterrâneo, é claro. A convivência com Seu Nenen (Mem Fernandes Santos Freitas), o pai de Adilson, cuja história contei aqui mesmo no Blog pela ocasião dos 100 anos de meu pai Chico, foi anterior e antes de conhecer a sua neta. Então, resumindo, uma família tradicionalmente ligada a nossa Poções com grande contribuição e participação na cultura musical.
Adilson  no Carnaval de Poções, com os seus irmãos Carlito, Dalva e Dolores e a nossa família
De graça, também, a amizade de Vane, prima de Bete, casada com o meu primo Eduardo, pai de Nessa. Pessoas que não tenho como ficar aqui elogiando e adjetivando, pois prefiro conviver com os três e os tenho como aquelas jóias raríssimas que não devem ficar guardadas em gavetas – gasto mesmo toda essa amizade em família.

Eu entrei na família por causa do casamento de Pepone com Rosilma, quando pude conhecer Bete – minha mulher e sobrinha queridíssima de Adilson, que foi a definitiva porta de entrada. Padrinho de casamento, em 1981 ele nos deu de presente a  hospedagem de lua-de-mel em um hotel cinco estrêlas em Campos do Jordão-SP, mas nos obrigou a retornar pelo Rio de Janeiro para um final de semana em Ipanema (devo revelar que Ipanema sempre foi o Rio de Janeiro para Adilson e, nas visitas ao Pão de Açúcar e Corcovado, fui eu que me virei para achar o caminho pois ele não sabia).
Lulu com Adilson Santos, no Corcovado, em 1985
Isso foi em 1985, quando partimos para o Rio de Janeiro em um Fiat 147, onde fomos especialmente participar de uma das suas tantas exposições.

Aqui em casa, nós temos nove quadros, sendo oito de Adilson e um de Roberto de Souza, amigo dele, que nos presenteou na viagem ao Rio de Janeiro. O mais importante é um que mostra a Igrejinha de Poções, duas escadas, uma galinha e a lua (leiam no livro o que cada elemento representa).

Além de apreciar a arte dele, apreciei também os seus carros. Bastava anunciar que estava vendendo e eu comprava (esse 147 foi um deles quando o modelo foi carro um dia na vida).

Sempre disse a Adilson que Raul Seixas se inspirou nele para escrever a música Sessão das Dez. Como se mudou de Conquista para o Rio, a letra de Raul era o retrato dele: "Ao chegar do interior, inocente puro e besta, fui morar em Ipanema, ver teatro, ver cinema, era a minha diversão".

No resumo final, em linhas bem traçadas, está a admiração por esse poçoense e o reconhecimento mais que pessoal pela sua arte e por colocar Poções no mundo como o berço de artistas de nível e reconhecida qualidade.


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Os livros de Poções - O Poeta

A vida tem suas coincidências. A gente depara com elas, mas algumas só tomam corpo com o passar dos tempos. 

Em janeiro de 2011, eu estava almoçando com Adilson Santos no restaurante Caminho da Roça, em Vitória da Conquista. Eis que entram Irundy e Nóelia acompanhado de seu filho Dino Augusto (Leia no Blog sobre o encontro - Dose tripla). 

Conversei com Adilson sobre os seus quadros e com Irundy sobre o livro que Ruy Espinheira Filho organizava com as poesias de Affonso Manta.

Isso, porque, em novembro de 2010, Ruy procurou alguém que pudesse ajudar a providenciar uma autorização de Irundy para a publicação dos contos. De imediato, contatei Michele e Bruno Sangiovanni e a tarefa foi cumprida.

Passados mais de três anos, o lançamento do livro foi feito. Ruy me pediu para providenciar a remessa dos livros para o lançamento em Poções, bem na semana em que o outro livro, o de Adilson, foi lançado. O mesmo Michele foi quem providenciou o transporte e pediu a Daniel Palladino para levá-los.

Hoje, pela manhã, fui até a Assembléia Legislativa do Estado para apanhar as quatro caixas com os livros de Affonso. No caminho, voltando para casa, a emoção tomou conta de mim. Os olhos encheram de lágrimas. Estava transportando a cultura de Poções, a poesia de Affonso, a poesia de Poções - o livro mais esperado na cidade.

Estavam seguindo para as mãos do seu povo, aqueles que o conheceram, admiraram e viram Affonso escrever as suas poesias. Me lembrava da mesa do bar "Sombra da Tarde", onde se juntava com outros amigos. Lembrava da emoção de Irundy com a concretização da obra.

Lembrava de Affonso, lembrava de Poções.


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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A arte do poçoense Adilson Santos é lançada em livros

Adilson em noite de lançamento (Foto: Luiz Sangiovanni)
Em uma concorrida noite de autógrafos, o poçoense Adilson Santos lança os dois livros de pinturas e desenhos numa coleção intitulada O Exercício Livre da Memória, organizada por Irene Santino e patrocinada pela Caixa Econômica Federal. Trata-se do programa cultural que incentiva os melhores artistas brasileiros.

A arte de Adilson, portanto, está exposta ainda mais ao mundo. Tenho a absoluta convicção que o nome de Poções entra de vez para a história da arte e revela-se através da série Poções Fundo de Quintal, pintada com detalhes da infância e adolescência do artista, quando morou na nossa cidade. A série é mostrada em quase metade de um dos livros.

Sexta feira será a vez de Vitória da Conquista conhecer a coleção. Em Poções, segundo revelou Adilson, o lançamento será no dia 10 de janeiro.

Esta coleção é uma obra de arte de tamanha significância para nós, poçoenses, que dá orgulho e trás prestígio no cenário mundial das artes.

Parabéns Adilson. Obrigado pela beleza do seu trabalho.

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domingo, 15 de dezembro de 2013

Ângelo Garrido - Campeão Europeu de Jiu-Jitsu e coração poçoense

Ângelo Garrido em Chieti, na Itália
Ângelo Garrido se tornou ontem (14) o novo CAMPEÃO EUROPEU DE JIU-JITSU, em competição realizada no norte da Itália, na cidade de Chieti.

Sendo casado com minha sobrinha Marianni Fagundes Sangiovanni e genro de Pietro Sangiovanni (Pepone), meu irmão, as ligações de Ângelo com Poções são fortíssimas, participando das Festas do Divino todos os anos, inclusive ministrou aulas de artes marciais na nossa cidade. Portanto, poçoense de coração.

O título é mais que merecido pela sua determinação e dedicação a este e outros esportes. A nossa família se sente honrada pelo fato de a conquista ter sido em solo italiano, a nossa terra de origem.

Ele retornará amanhã da Itália e trarei mais informações detalhadas dessa importante competição.

Ângelo (centro), no Mercado de Poções (com Marcelo, Lulu, Zitão, Raider e Pepone- Foto Arquivo Lulu Sangiovanni)
O blog parabeniza por importante conquista e tenho certeza que Ângelo divide a vitória com todos da nossa cidade.

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