"Se chorei ou se sorri, o importante é que em Poções eu vivi"

domingo, 20 de janeiro de 2013

Segurando o "mandu" - Os 100 anos de Chico

Chico Sangiovanni
Poções teve uma época áurea do comércio. Bastava ver o movimento dentro das lojas aos sábados. Os vendedores faziam rodízio para o almoço. Precisavam de reforço de gente.

Na loja de tecidos, eu era um desses reforços e ajudava a vender. Aprendi a conhecer a diferença entre bramante, chita, tricoline e os diversos tecidos. Camisa de “banlon” ainda era um experimento - o freguês ficava meio assustado com as cores, diferentes do uso nas estampas dos tecidos mais usuais. Vivíamos na era da camisa “Volta ao mundo”que eu achava meio fresca, literalmente, nos dois sentidos.
No final da tarde de sábado, os balcões estavam abarrotados de peças de tecidos, espalhadas e tudo por arrumar. Cartelas e mais cartelas vazias de enrolar tecidos eram guardadas para reposição do estoque durante a semana.

Era a época do "mandu". Pois é -"mandu'. A palavra mandu num velho dicionário Aurélio de 1986, que eu uso sempre, diz que é um tipo que sai no carnaval. Ninguém escreve que "mandu" tinha um significado mais parecido com "mandu' mesmo – "mandu' no sentido de “uma bronca”, “um problema”. Também não dizem que "mandu" é dinheiro velho, gasto ou rasgado e, até mesmo, sem valor.
Mas, o "mandu" que quero falar aqui é o dinheiro. Nesse movimento da loja, todo mundo jogava o recebido da venda em uma gaveta e passava o troco. O dinheiro velho era transferido para o cofre e depois para ser consertado nos dias seguintes. Hoje, lógico, você vai ao banco e troca o "mandu" velho por um "mandu" novo. Antigamente, pegávamos uma folha de papel de enrolar manteiga e colava as notas rasgadas sobre ele. Depois, o papel era recortado no tamanho da nota e o "mandu" tava pronto para ser trocado na Coletoria por dinheiro novo.

Depois dessa época áurea, o comércio de Poções começou a entrar em decadência. O advento das kombis para Vitória da Conquista levou todo mundo para gastar o seu "mandu" por lá. O que era pouco, diminuiu mais ainda. As lojas entraram em um marasmo e foi mesmo uma quebradeira. Conquista cresceu com os "mandus" de Poções e nós ficamos com um "mandu" na mão.
As portas da nossa loja foram encolhendo - fechadas. Me lembro de chegar em Poções e encontrar Chico sentado ao lado de minha mãe no tricô, na porta da loja, porque não havia nada para se fazer. Ela tomava conta do pouco ou quase nenhum movimento, pois não justificava manter pessoas empregadas. Para ajudar nas despesas, alugou a casa para Carlos Rizério e depois para Cristobal Marques (Badinho) e se mudou para a casa de Seu Corinto, que estava fechada. Eu era a despesa. Morava aqui em Salvador com meus irmãos numa pequena quitinete, mas existiam as despesas com as refeições no pensionato e o transporte, mantidas com o dinheiro do aluguel. O do cigarro não precisava – me virava no “se me dão”.

E esse "mandu", Chico segurou por algum tempo.

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O inventor de dois mundos - Os 100 anos de Chico

A fotografia do passeio em Roma é a prova do resultado. Ele criou um dispositivo para aumentar a produção de macarrão no Pastificio D´Alessandro, de Mormanno, em 1950. O patrão ofereceu uma viagem com direito a acompanhante, juntamente com um amigo.
O casal amigo, Anna Maria e Chico, passeio no Vaticano
Chico era engenhoso. Ficava estudando a forma mais fácil de fazer as coisas. Inventava dispositivos para melhorar as tarefas.

Quando surgiram os primeiros fogões metálicos à lenha, ele adaptou uma serpentina. Fez um pequeno tanque sobre a parede que dividia o banheiro e a cozinha. A água, por gravidade, vinha do tanque principal, circulava na serpentina, aquecia e era armazenada no pequeno tanque que servia ao chuveiro e a torneira da pia de lavar pratos.

Na época em que o chuveiro elétrico não existia, era uma maravilha tomar banho quente sem precisar esquentar a água e “temperar” no balde. Lavar pratos se tornava prático e agradável - não havia necessidade de remover a gordura com sabão e a água quente amenizava a temperatura gelada de Poções. 

Uma outra invenção mais engenhosa ele desenvolveu. Interessante do ponto de vista mecânico e marcou uma relação familiar muito importante. Havia um senhor em Poções que se chamava Nenen. Foi contratado para regularizar os tacos que Chico mandou colocar nos quartos e na sala de casa. Nenen fazia a raspagem com uma pequena chapa metálica e toda hora precisava ser amolada para que o serviço pudesse ser feito com precisão. A posição abaixada era penosa. Meu pai viu aquilo e num final de semana desenvolveu a “máquina”.

Era uma espécie de carroça de madeira. Instalou um motor elétrico para movimentar uma peça cilíndrica acionada por correia e polia, com lixas coladas, como se fosse a roda da carroça. Assim, o cilindro em movimento iria lixar os tacos.

Na segunda feira, ainda existia boa parte deles sem lixar. Chamou Nenen e foram testar a invenção. Não deu certo – a carroça só andava pra frente. Nenen disse: "Ei, Chico. O pó tá caindo na minha cara". Era preciso adaptar a “máquina”. Chico desistiu, pois Nenen foi muito mais rápido do que ele e terminou o serviço antes das modificações.
Seu Nenen e a neta Elizabete (Foto: Luiz Sangiovanni - 1978)
 
Anos depois, em Vitória da Conquista, encontrei Seu Nenen várias vezes. A conversa sempre era sobre o engenho que não deu certo. Tínhamos em comum a invenção e o meu namoro com sua neta Elizabete, hoje minha esposa. Nenen era Mem Fernandes Santos Freitas.

Tenho certeza que, na Poções do céu, Chico e Mem devem estar dando boas risadas. Não imaginavam que juntariam as famílias, que colheriam bons frutos e que a invenção não funcionaria.

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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Dificuldades da língua - Os 100 anos de Chico

A adaptação com a língua é o primeiro obstáculo que um estrangeiro enfrenta. Mesmo conhecendo outros patrícios, sempre existe a incompreensão de algum termo e aí a comunicação não fica tão bem.

Chico, quando desembarcou no aeroporto de Salvador, foi recebido por Vicente Sarno, que era o primogênito da família do cunhado Corinto Sarno.

E o primeiro diálogo traçado entre os dois foi:

 - Franceschino, tu hai quante male?

 - Non c´è male nessuno. Abbiamo fatto un buon viaggio.

Vicente retrucou: - come non c´è male?

- Noi  siamo in buona salute, non abbiamo nessuna malatia, respondeu meu pai.

Aí que Vicente caiu a ficha e se desculpou,  perguntando: - Quante valige ci sono?

Na verdade, Vicente queria saber quantas malas (valige) meu pai tinha. Ele entendia a pergunta como se Vicente quisesse saber se havia algum doente na família.

(na língua italiana, o plural de palavras femininas se faz trocando a letra “a” pela letra “e”) 


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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Despachando o funeral - Os 100 anos de Chico

Como marceneiro, meu pai contava o seu desempenho na fabricação de móveis e de uma atividade não muito comum à profissão, que era fazer caixões de defunto.

Disse que quando uma pessoa morria na pequena Mormanno, na Itália, ele era encarregado de fazer o caixão. Chamava um amigo e, em menos de duas horas, a encomenda já estava pronta. 
Local onde funcionou a marcenaria de Chico, em Mormanno
Eu acreditava piamente nesse caso contado. Um dia, viajando pela região, cheguei em Poções e perguntei por meu pai. - Ta lá em cima, vá ver o que ele está fazendo, me falou Michele. Encontrei-o terminando um caixão feito com alguns restos de tábuas que havia juntado por longo tempo. Já estava lixando as laterais.

- Veja essa junta da parte mais larga, coloquei um reforço e ficou muito bom. Se sua mãe não reclamasse, eu ia guardar para mim. Vou fazer um acolchoado dos bons, o defunto não vai reclamar.

Ele respeitava o pavor de minha mãe pelos caixões. Revendia modelos industrializados e os deixava no pequeno quarto da loja, escondidos para ela não ver. A gente sabia que ele gostava de tirar uma soneca. Quando saia depois do almoço de domingo, ia direto para a loja tirar a soneca dentro do caixão. Justificava dizendo que estava testando os mesmos para saber qual era o melhor.

Mas, minha mãe sabia que quando alguém batia à porta fora de hora, principalmente se a pessoa estava a cavalo, era para Chico despachar um funeral. Cansei de acompanhá-lo diversas vezes nesses atendimentos, uma recomendação dela para que ele não ficasse só.

Primeiro, perguntava o sexo e a idade. Fazia diferença no que ia oferecer. Depois, perguntava a causa da morte. Normalmente, balançando a cabeça, respondia ao freguês: “coitado”. Começava, então, a separar os tecidos do caixão pelas cores correspondentes às respostas. O normal era enterrar as pessoas com uma mortalha. Branco se fosse um “anjo” (criança) ou mulher. Azul para homens. O cordão de Santo Antônio era de uso comum.

A depender do peso, reforçava na quantidade de alças – de quatro, pulava para seis unidades. Chegava a hora de escolher os enfeites do caixão, que eram figuras de anjos, palmas, o crucifixo, o rosto de Cristo ou de Nossa Senhora, os arremates laterais e as quinas – todos de papelão revestidos de material laminado. Vela e incenso eram de graça.

Na hora de embrulhar, cortava o papel e relacionava os itens com os preços para o freguês levar para prestar conta à família do falecido. Colocava tudo num embornal e seguia viagem a cavalo. Normalmente, a pessoa que comprava era a mesma para cada interior do município.

Essa foi a contribuição que Chico deu na época em que não existiam funerárias em Poções.


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domingo, 13 de janeiro de 2013

Os 100 anos de Chico (parte 2)

Nada melhor que o historiador da família colaborar com informações precisas, neste breve rascunho histórico da vida de Chico Sangiovanni.

Recebo a colaboração de Eduardo Sarno, seu sobrinho, nessa série especial:


Amedeo Giovanni Sebastiano Sangiovanni – Breve relato histórico
  • Nasce um ano antes da morte prematura  do pai, às vésperas da Primeira Guerra Mundial.
  • Recebe um nome pomposo, certamente para homenagear parentes ou agradecer aos santos.
  • É criado por uma mãe que recebe, nos duros anos da guerra, autorização do governo para vender sal e tabaco.
  • Convive com os amigos em Mormanno, pequena cidade da Calábria.
Com os amigos, em Mormanno, de camisa branca. Na mão, uma serra.

  • Conhece a todos, forma grupos para se divertir, aprende um oficio, o de marceneiro.
  • Participa da Segunda Guerra Mundial na frente italiana na África.
  • Viaja pela Itália, conhece a cultura clássica, como óperas e poesias, que canta e recita de cor.
  • Casualmente, encontra-se com o Marechal Badoglio.
  • Tem posições nitidamente anti-comunistas e pró-monarquia, mas isso não faz dele um fascista convicto, prefere manter sua liberdade de pensamento e seu estilo amistoso.
  • Trabalha com um colega no Pastificio D' Alessandro, onde se destaca pela sua capacidade técnica de criar e aprimorar máquinários  de produção.
  • Casa-se com noiva de cidade próxima, Rotonda, e vivem uma longa paixão por toda a vida. A lista de convidados em Mormanno é extensa.
  • O pai já havia estado no Brasil  e ele tb para aqui veio, a convite do cunhado, com uma carta de chamada.. Era o pós guerra, havia o interesse dos Estados Unidos de incentivar a imigração italiana.
  • O amigo do Pastifício havia falecido e as possibilidades locais de trabalho eram reduzidas.
Em Poções, na Casa Sarno, na loja de tecidos
  • Vive e trabalha em Poções junto a outros patrícios, desenvolvendo atividade no comércio.
  • Cria e educa os filhos dentro dos padrões possíveis na época, mesmo tendo de enviá-los para a capital.
  • Reproduz em Poções o mesmo estilo comunicativo e religioso que tinha em Mormanno. Cultiva extensas amizades em todas as classes.
Em Morrinhos, no seu sítio
  • Realiza o sonho de possuir um sitio e nele poder plantar e colher, além de repousar e festejar.
  • Onde chega trás sempre o espírito de descontração, de piadas e brincadeiras.
Comemorando o São João, em Morrinhos
  • Revela-se tb um excelente administrador, ao cuidar da loja e da fazenda de uma sobrinha.
  • Pouco viaja, passa a maior  parte da sua vida em Poções, cercado por uma comunidade que lhe é grata e amistosa.

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sábado, 12 de janeiro de 2013

Os 100 anos de Chico (parte 1)

No próximo dia 28, comemoram-se os 100 anos de nascimento de Amedeo Sangiovanni, meu pai, que muitos de vocês conheceram como “Chico” e outras tantas derivações. O Blog publicará crônicas sobre os 100 anos desse ítalo-poçoense a título de homenageá-lo e registrar a sua participação como cidadão de dois mundos - Mormanno e Poções, as terras amadas por ele.

Amedeo ou Chico?  - alguém pode perguntar.

Isso mesmo. Chico era o apelido, já que o nome Francisco foi escolhido muito antes de nascer. O pai Pietro, o registrou como Amedeo e não falou com ninguém. Nove meses depois, morria o seu pai. Anos depois, ao se providenciar uma cópia do registro em nome de Francisco, o tabelião foi quem lembrou o fato e revelou que Francisco era Amedeo.  

Em agosto de 1933, faz o serviço militar e, em 1934, vai servir no 78° Regimento de Infantaria, em Bérgamo, no norte da Itália. Em 1936, serviu a Guerra da Abissínia (Etiópia), na África. No mesmo ano, foi transferido para o Distrito Militare de Cosenza, na região da Calábria. Em 1939, serviu no 16° Regimento Fanteria Savona, de Cosenza, e embarcou para a Líbia, servindo no Comando de Zaviet, em Misurata (www.regioesercito.it).

Entre 1941 e 1943, serviu no Regimento de Infantaria, em Corigliano (província de Lecce, no calcanhar da bota). De 1943 até 1945, foi dirigente técnico em “lavori forestali” (trabalhos florestais).

Terminada a Guerra, já em 1946, aos 33 anos, casa-se com Anna Maria Caputo, em Mormanno, na cidade natal. Ali, nascem Pietro (1947) e Michele (1949).

No dia 28 de dezembro de 1951, o casal e os dois filhos partem do porto de Genova (norte da Itália) para o Brasil a bordo do navio Provence. Em 09 de janeiro de 1952, desembarcou no porto de Santos , aqui no Brasil. Veio para Salvador e, dias depois, definitivamente para Poções.

Já estabelecido em Poções, nascem Elisa Maria (1953) e Luiz Eduardo – Lulu (1956).


A família em 1956.
 Da esquerda para a direita: Michele, Pietro, Anna Maria, Lulu (no colo), Chico e Elisa.


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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Os "ennes" da burocracia


Resolvemos adiantar os inventários de meu pai e minha mãe. Fiquei com a incumbência de providenciar as certidões na Receita Federal, o maior órgão de inteligência do Brasil.
Pontualíssimo o atendimento agendado. Parecia até horário britânico e, depois das 18, quando todas as repartições públicas já estão “dormindo”.
Assim se passou a conversa entre esse blogueiro, a minha filha e o preposto do Leão:
- Nós queremos tirar uma certidão do meu avô, falou minha filha.
- Já tem o inventariante nomeado? A senhora é a inventariante?
- Não, precisamos deste documento para fazer a papelada.
- Só pode ser solicitada por um dos herdeiros.
- Sim, o meu pai aqui é filho, herdeiro.
- Então, preciso da identidade dele e da certidão de óbito.
- Estão aqui.
- Deixe me ver o documento…  Infelizmente não será possível extrair a informação do sistema. A certidão de óbito não é original, é uma cópia. Só posso fazer com a certidão original ou cópia autenticada.
- Mas moço, só por isso. O senhor poderia apenas verificar o que está bloqueando a emissão pela internet?
- Não posso, tenho que atestar a originalidade do documento, fazer uma cópia e anexar à solicitação. Lembra do caso de José Serra?
- Lembramos. Mas, meu pai é filho e está aqui presente, dá no mesmo.
- Não, não posso.
- Está bem, compreendemos mas não entendemos. O senhor poderia, então, verificar o CIC da minha avó, a mãe dele? Temos a certidão original.
O atendente pega o documento, examina e responde:
- Infelizmente também não, o nome dela está escrito com dois enes (Anna) e na Identidade do seu pai está apenas com um ene (Ana). Só se o supervisor liberar.
- O senhor poderia perguntar ao supervisor?
- Sim.
Passados alguns minutos, ele volta sorridente e diz:
- O supervisor liberou. Vou poder acessar o sistema.
Alegria geral no lado de cá do balcão. Conseguimos o nada-consta de Dona Anna (ou Dona Ana). O de seu Chico, só quando chegar o documento original ou a cópia autênticada e preciso saber qual dos meus irmãos tem dois enes no documento de identidade para o leão liberar o documento.
Desde 1956, o nome da minha mãe está grafado na certidão de nascimento com apenas uma letra ene e todos os meus documentos foram assim obtidos a partir deste.
Quem sabe, na hora da aposentadoria, eu não precise desse ene.
E viva os tempos modernos. Viva o país de todos os ennes!!!
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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O Homem-Livro


O homem-livro é de Poções. Ele é Eduardo Sarno, um dos maiores colaboradores e entusiastas desse blog. Com prazer, eu ressalto o fato:
Ontem, no jornal A TARDE (edição de 07/01/2013), ele foi o destaque de capa do Caderno2, que conta a sua história no mundo dos livros usados, se tornando o maior livreiro desse ramo na Bahia. Ele é dono da Graúna, fundada em 1986. Além da sua história, a reportagem cita algumas passagens interessantes e fala da Feira de Livros Usados, onde qualquer exemplar custa R$ 5,00 (propaganda nesse blog).
Estou tentando copiar a reportagem na íntegra para poder publicar aqui no Blog.

Pelo que lí na reportagem e conheço dessa história, vem de longe a dedicação pelos livros. Vem de Poções.
Ele era estudante e o seu quarto tinha um estante com dezenas de livros, umas cabeças entalhadas na madeira e distribuídas pelas prateleira. Na parede, um cartaz com o desenho de um esqueleto humano, com os nomes de todos os ossos. Mas acho que o esqueleto era para amedrontar os curiosos e mante-los afastados daquele ambiente.
Teve época em que a casa dos pais de Eduardo ficou fechada devido às constantes viagens dos meus tios Corinto e Annina para Salvador. Eu tinha “passe-livre” e folheava todos os livros da estante. Existia a recomendação da minha tia que aqueles livros não podiam sair dali.
Na época em que eu cursava o Ginásio, tinha como colega Gilberto Luz – o Pancho. Comentei sobre a existência desses livros e ele se empolgou. Eram livros avançados para aquele tempo. Um dia, levei Pancho para conhecer a pequena biblioteca e separou logo uma meia dúzia de livros e colocou pé firme que os levaria emprestados e devolveria rapidamente. Contrariando a ordem da minha tia, não tive opção - uma casa fechada e um mundo de livros parados eram as mesmas coisas – emprestei por conta e risco e Pancho devolvia na data prevista, quando levava outros.
Outra vez, na época da ditadura militar (eu tinha oito anos de idade em 1964), a casa estava fechada e fui fazer a minha inspeção rotineira e catar goiabas no quintal para minha mãe fazer doce, quando vi  sob a porta um corte que permitia a passagem de uma chave. O suposto “detetive” habilmente derrubou a chave no chão e a laçou com um arame passando pelo corte feito.
A surpresa foi encontrar os livros remexidos como se procurassem por títulos que pudessem ser contrários ao regime. Restou a meu pai reforçar a porta com uma tranca de ferro. O “detetive” não voltou mais.
Então, essa foram  as minhas primeiras lembranças de Eduardo com os livros.
Parabéns Homem-Livro!!!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Galeria de fotografias

A partir de hoje, está disponível no Blog uma galeria de fotos. Basta rolar os textos para baixo e verificar que elas estão na coluna à direita da caixa dos textos. Cada dia serão inseridas novas fotos.

Elas são da minha autoria e podem ser utilizadas desde que citada a fonte.

Boa visita.


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O viking de Morrinhos

O pequeno sítio em Morrinhos nos traz boas recordações familiares. Alí, os nossos filhos passaram muitas férias com os avós Chico e Anna Maria.

Não deixa de ser um local de brincadeiras, de matar as saudades e relembrar as alegrias mesmo quando rapidamente passamos por lá.

Michele e o sobrinho Ricardo Fagundes Sangiovanni

Em uma recente manhã de sábado, colocamos as "barbas de macaco" na cabeça de Michele e o transformamos em um viking. Pelo tamanho do corpo, grossura das pernas e agora com a vasta "cabeleira", é "veramente" um nórdico, como dizemos aqui em casa.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Puxa lo pugnale, Giovanni!!!

(Crônica dedicada a Gilmar Magalhães, Gilmar de Maneca, o maior conhecedor das histórias de Giovanni Sola)

Falando de Gregório Guarda, me lembro de uma passagem que eu ouvi do mesmo.

- Puxa lo pugnale, Giovanni!!! Uma expressão que imita o italiano. O correto seria “prende il pugnale, Giovanni!!!”. Gregório abrasileirou a fala.
A tradução da frase é a história.

Lá pelo início dos anos 60, minha tia Lina estava tomando conta de Bruno Sola, ainda garoto. Um preso fugiu da cadeia de Poções e pulou o muro do quintal da casa de dona Mariquinha, a mãe de Lurdinha Amaral. Como percebeu que Gregório estava no seu encalço, o ladrão pulou o muro do quintal vizinho, que era o de Giovanni Sola.
O ladrão percebeu que saiu da panela de água quente e caiu na frigideira. Giovanni tinha a caça como hobby e certamente poderia alvejá-lo com um tiro de espingarda. Continuou a sua fuga passando por dentro da casa dele, pulando a janela e alcançando a Rua Félix Gaspar (hoje a Av. Olímpio Rolim).

Como Gregório fez o mesmo percurso do ladrão, ele viu o momento em que a minha tia se deparou, de cara, com o ladrão e tomou um empurrão. Nesse instante, segundo Gregório, ela gritou: “puxa lo pugnale Giovanni”.
Ficou a questão daquele grito e, na verdade, não houve punhal. Meu tio usava algumas facas bem amoladas para descascar frutas e comer cebola com pão, que ele gostava muito. Não para se proteger de ladrão.  

Como imitar a fala de italiano era uma coisa comum, ficou a expressão. E todas as vezes que eu encontrava Gregório, um dizia para o outro:
“Puxa lo pugnale, Giovanni”


P.S. - Quem souber de Gregório, me atualize.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

O preso era Agenor...

Domingo, dia da macarronada na casa dos italianos. Na hora de temperar o macarrão, uma travessa era separada para um preso na cadeia de Poções.

O dedo inchava, havia necessidade de cortar a aliança, bastava ir na cadeia e o preso resolvia.
Diferente dos carrinhos de brinquedos que eram vendidos no Bazar Natal, o preso era quem fabricava os melhores e mais bonitos da cidade.

Faltando alguém para bater um bom papo, bastava ir na cadeia e conversar com o preso.
Das três celas existentes, apenas uma era usada. As outras desocupadas. Só havia um preso em toda a cidade. Não deu trabalho para Gregório Guarda.

O preso, olhos verdes, era o mais querido da cidade. Parecia que ele retribuia tanta reciprocidade que nunca aproveitou as oportunidades para fugir.
Não me lembro qual foi o seu crime e porque estava preso - não importava. Ficou famoso na sua simplicidade.

O preso era Agenor…


(a cadeia também era conhecida como quartel)

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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Os caras de Salvador

Nada a ver com a música de Roberto Carlos.

Muitas vezes, em Poções, ouví dizer que “esses caras de Salvador só servem para reclamar da cidade”. Verdade e mentira. Precisa saber quem fala e qual o nível de ajuda que foi solicitada. É importante saber as necessidades para que as pessoas possam ajudar.
Fico muito a vontade para falar sobre esse assunto. Como profissional do ramo de máquinas de terraplenagem e construção, já dei minha contribuição várias vezes e continuo à disposição para tantas mais forem necessárias. Contribuí com orientações aos governos de Otávio, Eurípedes, João Bosco, Tonhe Gordo, Almino e Luciano.
Poções é um celeiro de profissionais aqui em Salvador e nos outros lugares do Brasil. Na área em que se falar ou pensar, existirá um filho experiente ou influente para “correr atrás” e ajudar nas necessidades que existem no município. Profissionais de renome nacional e internacional, pessoas ligadas à medicina, cultura, música e educação. Já ofereci  os pedidos de filhos da terra para trabalharem pela cidade e foram, simplesmente, rejeitados. Falei semana passada com um desses na tentativa de reatar o pedido e me disse: - Estou trabalhando num projeto cultural em Jequié e Juazeiro. Poções não me quis!
As iniciativas particulares e louváveis de alguns poucos permitiram o retorno de gente de renome à cidade – estou falando do Cineclube Tela em Transe, da equipe de Fábio Agra, que fez a I Mostra de Cinema, e levou o cineasta Tuna Espinheira.

É necessária a integração da cidade com esses diversos profissionais. Há de se criar uma secretária do “exterior” para ajudar nessa ligação e buscar as pessoas corretas. Outro dia, falando com um conterrâneo, lembrava da quantidade de pessoas aposentadas morando aqui e com disponibilidade para trabalhar pela nossa cidade, gente que já trabalhou em Poções e aguardando um chamado apenas e com o intuito de ajudar.
Uma idéia a pensar.
 
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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Quem é esse?

Recebi essa fotografia e aguardo os dados para fazer a apresentação no Por Anda...?
Enquanto não chegam as informações, quem acertar vai ganhar um ano de assinatura grátis do Blog.

Algumas dicas: Estudou no Ginásio de Poções, está numa fotografia de conclusão de curso no clube, não tenho certeza, mas acho que foi colega do atual prefeito Otto - se não foi, é daquela época. Era o mais baixo da turma e era conhecido por seu nome na forma diminutiva.

Com tanta dica, ficou fácil reconhecer a pessoa. Respostas para os comentários do blog ou para o meu email.



Recebi informação de José Carlos Leto e do Dr. Cesário Magalhães e os dois acertaram: é mesmo Barretinho - Aguardem informações complementares. Parabéns aos acertadores.

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Parabéns Poções!!!

Parabenizo o novo prefeito Dr. Otto Wagner de Magalhães, o vice-prefeito João Bonfim, os vereadores e demais secretários municipais pelos honrosos cargos que hoje assumem, administrando o município por quatro anos.
Torço pelo sucesso de todos e que tragam desenvolvimento, saúde, educação e melhores dias para o nosso povo.
Tenho a certeza que procurarão fazer o melhor pela nossa querida Poções.
Boa sorte a todos!!!

 Com a colaboração de Fábio Lopes do www.uniaoperfeita.com
 
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

31 de dezembro

O 31 de dezembro era um dia muito especial em Poções. Mais que a passagem do ano, o dia da confraternização na festa do Clube Social. Um corre-corre para se arranjar o paletó que coubesse na medida para usar como traje da festa – só era permitida a entrada da pessoa trajando paletó e gravata. O nó da gravata, uma preocupação a mais. Em épocas mais recentes, mais maleáveis, se permitia o uso de camisa cacharrel com paletó – última moda.

O réveillon era muito concorrido e tinha a participação de famílias inteiras distribuídas pelas mesas numeradas, reservadas ou vendidas com bastante antecedência. Essa coisa de ceia nas casas era apenas para aquelas famílias que não frequentavam as festas do clube de forma alguma. A grande maioria estava presente na festa desde as vinte e duas horas.
Meia noite em ponto, a banda anunciava a passagem do ano e todos se cumprimentavam, ficando uma metade da hora só para isso. Eram cumprimentos respeitosos, sinceros e tradicionais. Naturalmente, a gente atrasava o convite da dança para poder cumprimentar um amigo ou uma família inteira – dançar era secundário.

Depois dos cumprimentos, sempre rolava uma galinha assada que as pessoas levavam e colocavam sobre as mesas, enroladas em papel celofane vermelho. Uma ação natural - era permitida e de bom costume. O bar do clube apenas fornecia bebidas, mas não impedia que o seu associado levasse para a mesa a garrafa (ou as garrafas) de uísque NatuNobilis, Passport, Old Eight ou Bell´s, os mais comuns, e aquela velha Sidra Cereser. Cerveja e refrigerantes complementavam as variedades de bebidas.
Um grande festa que rolava até o amanhecer do dia. Geralmente, via de regra, o réveillon não tinha as famosas brigas do clube devido ao espírito de paz que a própria festa trazia.

No dia seguinte, era famoso o almoço das famílias. Um encontro para saudar o novo ano e reunir aqueles que não estavam na festa.
Um grande abraço e Feliz 2013 com ares dos anos 70.

 
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domingo, 30 de dezembro de 2012

Mutá - Um paraíso perdido

Aqui bem pertinho, do outro lado da Ilha de Itaparica. Passou a ponte, virou a direita - é Mutá, município de Jaguaribe - Ba.

De férias, dei um pulinho de dois dias nesse paraíso (ainda não tão descoberto).

Praia de Mutá


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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Roberto Dantas, o Doutor

Na semana passada, eu andei pelo bairro do Tororó, aqui em Salvador, e me lembrei de uma época em que morei na rua Marujos do Brasil, Ed. Custódio de Melo, ap. 101, entre 1975 e 1978. A rua fica entre a José Duarte e a estação da Lapa, que ainda não existia naquela época.

Naquele apartamento de quarto e sala moravam, também, os irmãos e primos da família Sola (Miguel e Pinuccio), Michele, meu irmão, e Roberto Dantas, que é irmão de Jorge Bufão.
Cada um tinha sua tarefa na limpeza e na cozinha, naquele pequeno fogareiro de duas bocas e na bancada da pia de menos de um metro. Éramos conhecidos internamente na "república" pelos apelidos que Roberto colocava na gente. Michele era conhecido como “O Mestre” porque era professor e colecionava garrafas de cachaça de marcas diversas. Miguel, trabalhava no pólo petroquímico e acordava de madrugada para pegar o ônibus na Av. Joana Angélica, era o Peão”. Pinuccio, que já era conhecido como Sola, tinha o apelido de “Solista”.
Lulu e Roberto Silva Dantas
Roberto Dantas, era formado em Farmácia e Bioquímica, estudava Medicina e nós colocamos o apelido de “Doutor”. O engraçado é que quando faltavam adjetivos ele nos chamava de “bicho arrombado”, como forma de expressar qualquer falta de qualidade.
Assim, convivemos esses anos todos até que cada um tomou o seu rumo. Ficaram boas lembranças dessa época e bons ensinamentos. Não tenho dúvida que as conversas que tive com Roberto me ajudaram bastante na percepção de coisas profissionais e até mesmo pessoais. Na foto, um momento de descontração em festa no Clube Social de Poções.

Ainda continuamos a nos tratar pelos apelidos.

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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Fotos inéditas 12 - Cadete, o Cardeal e o Bispo

Cadete, Dom Avelar e Dom Climério (Foto arquivo pessoal)
 
Revendo alguns arquivos, achei a foto do Cardeal Avelar Brandão Vilela (1912/1986), Arcebispo Primaz, celebrando uma missa campal na Festa do Divino, em Poções, acompanhado do Bispo Dom Climério Almeida de Andrade (1924/1981), Bispo Diocesano de Vitória da Conquista. Dom Avelar era irmão do Senador Teotônio Vilela.

Ao lado, segurando o microfone, o famoso fotógrafo Antonio Francisco da Costa Neto, Cadete (1933/), do Foto Cadete, de Vitória da Conquista. Nessa época, ele andava em Poções com um potente carro de som.

(por comparação com outras imagens do arquivo, estimo que a foto acima tenha sido feita em 1978, ano que se comemorou o Centenário da Paróquia do Divino Espirito Santo)


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O novo Flamengo

Vem aí o novo Flamengo para 2013. Espero mais alegrias na nova temporada.

Numa dessas saídas fotográficas na Marina de Aratu, no Centro Industrial, aqui em Simões Filho-Ba, encontrei essa seleção na trave de um pequeno campo de futebol.

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Dóminus Vobíscum

As missas tridentinas estão voltando. O bispo da Diocese de Rio Preto –SP autorizou esse tipo de missa atendendo ao pedido de um grupo de fiéis tradicionalistas da cidade. Missa tridentina é a missa celebrada em latim.

Algumas poucas vezes ajudei na celebração da missa em latim na Igreja de Poções. O padre Honorato rezava de costas para os fiéis. Minha função era levar os guias de um lado para o outro do altar para que o padre pudesse fazer as leituras. O fato de ser em latim, significava que muitos fiéis não entendiam as orações, aliada a baixa participação. Como ele falava baixo, dava para ouvir algumas poucas sílabas das palavras. De longe, eu acompanhava a leitura dos guias para saber a hora e o que responder.
A prática (sermão) era em português - a melhor parte da missa. Todos entendiam os ataques às diversas estruturas da cidade. Mas, com grande esforço, Honorato conseguiu fazer a transição do altar-mor para o altar de madeira, voltado para os fiéis. Nessa época, comprou-se o sistema de alto-falantes para que todos pudessem ouví-lo.

Eu fiquei com algumas frases gravadas e até hoje me lembro quando, no final da missa, o padre, voltado para os paroquianos, rezava:
Padre: - Dóminus Vobíscum (O Senhor esteja convosco)
Fiéis: Et cum Spíritum tuo (Ele está no meio de nós)

Padre: Benedícat vos omnipotens Deus, Pater, et Fílius, et Spíritus Sanctus (Abençoe-vos Deus todo poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo)
Fiéis: Amém
Padre: Ite, Missa est (ide em paz e o Senhor vos acompanhe)
Fiéis: Déo Gratias (Graças a Deus)
Ele beijava o altar e a gente seguia para a Sacristia.

 
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domingo, 23 de dezembro de 2012

PEO

Quando se escreve um email nos dias de hoje, pouco se imagina como as coisas funcionavam antigamente.

Bastava a notícia correr que alguém ia viajar para Salvador e as cartas começavam a chegar. Na verdade, quando se reservava uma passagem de ônibus, as pessoas já ficavam sabendo. Passavam em Netário (agente da Camurugipe) e procuravam pela informação da data da viagem. Podiam escolher o portador mais confiável ou aquele que morava mais próximo do destinatário.
Além das cartas, as pessoas não se acanhavam em mandar um pacotinho contendo doces, frutas ou carne. Para não dar trabalho, levavam a caixa até a agencia e já colocavam no bagageiro do ônibus. Agradeciam pela tarefa e tchau. Quem optava por viajar sem bagagens, recebia o “pacote” sem aviso prévio.

Agora era respirar e cuidar da encomenda,  carregar da rodoviária até a casa e depois entregar no domicílio indicado. Estava escrito na caixa o endereço completo do cidadão – lógico, que era para o portador não errar a porta.

Se soubessem que a viagem era de “carro próprio”, aí a estratégia era outra. A pessoa entregava dois pacotes e dizia: Se o carro tiver cheio, basta levar um. Meu tio Luiz Sarno era mestre nessa arte. Tinha em casa um depósito com várias caixas vazias e de diversos tamanhos. Bastava achar uma “presa” para escolher o tamanho da caixa.

Mas, as cartas sempre foram as preferidas das pessoas. Traziam dinheiro e todo tipo de mensagem, cartões, cheques, etc. Normalmente eram lacradas e com o nome e endereço. Como forma de agradecer e identificar o portador, os pacotes e as cartas vinham grafadas com a frase “PEO de fulano”.

PEO era as iniciais de Por Especial Obséquio.


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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Duzentas postagens

Neste Natal, estou comemorando 200 postagens no blog. Foram postagens diversas, histórias alegres, notícias tristes, resgaste de pessoas, fotografias novas, antigas e inéditas, enfim, aquilo que meus amigos dizem que só eu tive coragem de fazer, de escrever, de lembrar e por fazer ainda.

Tenho certeza que o desfecho da história de Elpídio foi a postagem que me deu a maior alegria. Não esperava aquele final feliz.
Foram mensagens diversas, comentários de que eu estou velho na foto e porque não escrevo todos os dias – Fico chateado quando entro no seu blog e ele não tem postagem nova, disse Sérgio Libonati nesse final de semana. Me defendo que não tenho mais tantas lembranças para escrever crônicas todos os dias – tenho que trabalhar e isso aqui é hobby.

Então, eu sigo com o blog enquanto dizem que é charme ter um – Você já leu o blog de Sangiovanni? Ele tem um blog, acesse pra ver, diz o meu colega de trabalho Ademir Ribeiro (filho de uma mãe, todo dia fala mal do meu Poções, que nem existe mais).
Lá, do Bacural de Brotas, Domingos Schettini traz as notícias de Siri Caçola – mandou um abraço pra você e que tem lido o seu blog.

Meu incentivador, comentarista fiel, leitor assíduo, Eduardo Sarno, em off, faz as correções de alguns termos inseridos nos textos. Enquanto isso, Libonati comenta que não consegue inserir um comentário, mas que adora ler as crônicas e diz – que cabeça essa sua, como você lembra de coisas.
De Vitória do Espirito Santo, Salvador Vaz  manda comentários molhados pelas lágrimas de saudades da terrinha. De Goiás, vem o outro balde de lágrimas de Nilton Porquinho.

Os fiéis colaboradores: Bruno, meu sobrinho, e Jorge Bufão me mantêm informados dos últimos acontecimentos e ajudam no obtuário. Zé Carlos Leto tá ligado e fica me convidando para o Facebook – calma aí Zé, não tenho tempo para tantas coisas. Vinicius Dantas sempre com um apoio moral. Nossa vereadora Zezel some, mas sempre aparece com seus pertinentes comentários.
Enquanto as postagens foram para o ar, a vida passou. Pessoas queridas passaram para outro patamar – um susto de vez em quando. São notícias que não gostaria de dar, mas trata-se de uma obrigação para o conterrâneo que está longe da cidade.

Agradeço a todos que não mencionei aqui, mas sintam-se representados por aqueles citados acima. Se não escrevi, tenha a certeza que não esqueci de ninguém. Vocês são os meus maiores incentivadores.
Sinto-me alegre e recompensado em poder contar aqui uma lembrança. De forma alegre, deixar uma pequena contribuição na memória dos meus amigos e da cidade – um presente desembrulhado, diria.

Feliz Natal, Boas Festas e que 2013 seja um ano de abundantes realizações e muito mais crônicas.
Grande abraço e muito obrigado pela companhia e apoio!!!

 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O Almoço dos afilhados

O almoço dos afilhados, ontem, na casa do padrinho Antonio Rocco Libonati foi maravilhoso. Muita lembrança dos tempos de Poções, histórias de Mormanno e até mesmo a promessa de uma ida à próxima Festa do Divino - por enquanto uma van, mas pode se transformar em um micro-ônibus.

Além dos meus, estavam todos da família Libonati. Acompanhando Marcelo, o outro afilhado homenageado, esteve o pai Vincenzo Sarno com a sua família.

A todos que estavam presentes, os nossos sinceros agradecimentos por proporcionarem esse dia belíssimo e de saudável companhia.

O brinde comemorativo
 

Os primos italianos Vincenzo e Libonati disputam a sopressatta

O padrinho e seus dois afilhados

Mais uma vez, bom Natal e que 2013 possa nos trazer domingos ainda mais alegres.


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domingo, 16 de dezembro de 2012

Benção, Padrinho!!!

Tem um amigo que tá doido para ser o meu padrinho na maçonaria. Não me disse, mas eu sei que vão revistar toda a minha vida para saberem se sou digno de ser maçom, de assinar e fazer três pontinhos. Então, sou quase maçom - já pingo dois pontos na minha rubrica.

Não vou aceitar. Tive a oportunidade de estudar o primário na escola União das Classes, que era inserida na Maçonaria de Poções, e tinha aquelas histórias do bode preto, que assustava todo mundo. Só fui uma vez na sala das reuniões do lugar quando Bruno Sola se casou e a festa foi ali.
 “Deixe para lá, para não complicar” como diz o sergipano - o assunto, na verdade, não é maçonaria.

Semana passada, tomando umas com meus cunhados, firmamos o papo nessa conversa do significado de ser padrinho. Eles insistiam no argumento que é aquele que deve substituir o pai na eventual falta deste. O dicionário popular, na internet, diz que ser padrinho significa fazer o afilhado trilhar por caminhos que o levem a Jesus.
Deu nó na cabeça, mas acho que não foi com esse propósito religioso que meu irmão e meus cunhados me escolheram para padrinho dos seus filhos. Acho que eles decidiram pela opção da substituição do pai e foi a tônica da discussão. Na  verdade, sou padrinho de Marcelo, filho de Pepone – de Léo, filho de André, e Monnaliza, filha de Ricardo (meus cunhados)  devido a íntima convivência com eles enquanto os afilhados se criavam nas barrigas - já nasceram afilhados, portanto. Bom, decisões e barrigas à parte, todos os três afilhados me chamam de “meu dindo”, o que também me faz olhar com distinção especial.

E, assim, todas as vezes que olhei para os meus padrinhos, eu senti essa diferença. Meu pai escolheu  Terezinha Sarno (Tereza de Valentim). Ela morava no Rio de Janeiro e tivemos pouquíssimas oportunidade de relacionamento. Depois que ela faleceu, elegi a prima Ada Sarno para ser a minha madrinha. Falei dessa ocorrência para o Padre José Hamilton e ele achou adequado fazer uma consagração a São José. Vejo Ada como uma pessoa especial e uma troca de carinho diferente das outras primas.
              Antonio Rocco Libonati
Para padrinho, meu pai escolheu o patrício italiano Antonio Libonati devido ao relacionamento que tinham quando este ainda era rapazote na pequena Mormanno, na Itália. Voltou a morar um tempo em Poções, quando se formou e exerceu a medicina em um consultório na praça onde tem o Coreto. Depois, ao visitar a cidade, já com os filhos Sérgio e Paulinho, trazia entre tantos presentes, aqueles que ficaram na minha memória – um pequeno avião de guerra, de montar, da Revell. O outro foi um joguinho de gudes chamado Bolibox. Sem contar, também, o dia em que um tijolo caiu no dedão do meu pé. Libonati tinha chegado naquele dia e fez uma incisão para drenar o sangue sob a unha.
Na condição de afilhado, nunca tive dúvidas dessa relação e dos cuidados recebidos. Mas, o aprendizado maior foi a relação dele com meu pai, o que me dava a certeza da escolha. Os olhos de Libonati sempre brilharam (e brilham até hoje) quando o assunto é essa relação afetiva trazida da Itália.

Pois é, dando sequencia a essa relação de padrinho e afilhado, estou tendo o prazer de ir almoçar com ele no dia de hoje, retribuindo toda essa atenção junto ao seu outro afilhado Marcelo, filho de Vincenzo (irmão de Fidelão), escolha que também foi fruto de uma amizade consolidada entre primos italianos, de igual convivência na pequena Mormanno.
Nada mais justo que comemorarmos o encontro “assaggiando un picolo pezzo di sopressatta” (tradução: saboreando um pequeno pedaço de sopressata ) com um salame caseiro que trouxe de Mormanno e guardado até hoje, na geladeira, a sete chaves.

- Benção, Padrinho!!!

 
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domingo, 9 de dezembro de 2012

Oitentões (tão) da gente...

Nessa última semana, mais dois poçoenses queridos completaram oitenta anos.


Ada Maria Sarno de Santana, minha querida madrinha, filha de Corinto e Annina Sarno entrou para o rol daqueles oitentões sarados, disposta a enfrentar qualquer parada. Outro dia, quando a encontrei, trazia sob o braço um monte de fotos da sua última viagem ao Egito. Em vez de reclamar, vangloriava-se do prazer de ter andado à pé uma boa parte da viagem. Que disposição. Parabéns minha dinda querida.


O outro coroa que completou a idade foi Valmir Fagundes Santos, meu sogro, um poçoense de qualidade, filho do inesquecível Vei Nenen (Mem Fernandes Santos Freitas) e Maria das Dores Fagundes Santos. De quebra, comemorou cinquenta e cinco anos de casamento com a minha querida sogra Iraildes. Taí, casaram-se na Igrejinha de Poções e estão com cara que ainda vão comemorar um tanto de dezenas de anos.

Meus parabéns a esses 215 anos de comemorações.

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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Relembrando Vitinho e Zelinho

Já anunciei que estava fazendo um curso de fotografia e nada mais justo que publicar os resultados. Como temos saídas fotográficas todas as semanas, vou passar a publicar a melhor foto da semana. Se não conseguir fazer uma foto boa (que é difícil), publicarei de saídas anteriores.

Hoje eu publicarei duas. Uma feita na cidade de São Félix do Paraguaçu, que retrata a famosa ponte entre essa cidade e a vizinha Cachoeira. A segunda foto, foi feita em Maragojipe, quando as mulheres comandadas por dona Cadu queimam as cerâmicas feitas na beira do rio. Além de lazer, cultura.

Se você ficou com vontade, veja a terceira foto, onde estão as informações para se matricular e me fazer companhia. Você vai gostar da galera e aprender as técnicas para excelentes fotos. Será a oportunidade de aperfeiçoar as técnicas dos nossos fotógrafos Zelinho Fagundes, Vitinho e Giovanni Borba (pai e filho).

 Reflexo da ponte

 
Cerâmicas de Maragojipe
 
 
Convite da Câmara Solar


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Grande Feira de Livros - Graúna

Livro usado de R$ 5,00 cada. Essa é a oferta na grande feira de livros que a Graúna está realizando aqui em Salvador.

A empresa pertence ao poçoense Eduardo Sarno e quando completou 25 anos publiquei aqui no blog um breve histórico da Graúna

Além da Feira, também há a possibilidade do acesso virtual www.graunalivros.com.br

O Blog deseja sucesso e apoia esse evento cultural. Então, aproveite a oportunidade:

 
 
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domingo, 2 de dezembro de 2012

Domenica Sangiovanni (Miminna)

Miminna Sangiovanni - 1990
 
Na tarde de ontem, em Mormanno, Itália, faleceu a minha tia Miminna. Era irmã do meu pai Chico Sangiovanni, e estava com 102 anos de idade.

Fazia parte de uma família de cinco irmãos: Miminna e Luigi eram os mais velhos, nunca deixaram a Itália. Vincenzo, Aninna e Amedeo (Chico) vieram para o Brasil e se radicaram, respectivamente, em Porto Alegre-Rs e Poções-Ba. Então, a família Sangiovanni cresceu e se multiplicou nesses lugares. Deixa duas filhas – Maria e Agatina e vários netos – As duas filhas já estiveram aqui no Brasil e visitaram Poções.
Minha tia era uma espécie de porto seguro e foi a grande responsável por manter essa ponte entre Mormanno e Poções.

Em maio passado, estivemos juntos na pequena cidade italiana e já apresentava sinais de cansaço pela idade avançada. Pude abraça-la e comentamos entre os outros primos que poderia ser uma despedida final.

Fiz a fotografia da placa de homenagem prestada na comemoração do aniversário de 100 anos, em 2010, pela prefeitura de Mormanno e diz:
“Parabéns pelo seu centenário. Que a sua figura possa servir de referência para as gerações futuras”  

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