Durante
aproximados cinco dias, recebeu os cuidados de minha mãe, da minha irmã Elisa e
dos vizinhos da rua. Ficamos triste pelo fato, mas alegres pela presença
daquela criança de poucos meses de nascida em nosso meio. A gente se debruçava
na cama e ficava esperando pelo choro de fome. Mamadeira pronta, logo ele se
calava e voltava a dormir.
Se chamava Elpídio, nascido em Andaraí, na porta da Chapada Diamantina. Os seus parentes vieram buscar e nunca mais tivemos notícias. Todas as vezes que ia ao cemitério, quando via o túmulo de Dona Maria de Lourdes, a sua mãe, lembrava-me de Elpídio.
Comentei
várias vezes com Elisa e a pergunta sempre era a mesma: - Será como está aquela criança que ficou lá em casa? Se chamava Elpídio, nascido em Andaraí, na porta da Chapada Diamantina. Os seus parentes vieram buscar e nunca mais tivemos notícias. Todas as vezes que ia ao cemitério, quando via o túmulo de Dona Maria de Lourdes, a sua mãe, lembrava-me de Elpídio.
Pois bem. No início dos anos 80, eu viajei e passei por Andaraí. Enquanto consertava o pneu do carro, perguntei ao borracheiro se conhecia Elpídio, se tinha notícias de como estava ele. Soube responder que o pai era advogado, se chamava Luiz e havia se mudado para Salvador.
Recentemente, meu filho Ricardo viajou para um final de semana em Andaraí. Eu lhe contei a história e pedi que perguntasse por Elpídio. Ele não fez e entre diversos contos da viagem falou que uma pessoa esteve sempre presente desde a compra da passagem, mesmo ônibus de ida e no mesmo de volta. Para sua surpresa, quando chegou na porta de casa, essa pessoa passava em direção ao prédio vizinho. Falou que era uma pessoa que usava barbas, um senhor nos seus 60 anos. Registrei a informação.
Outro dia, desci e fui aqui no
mercadinho de Antônio, vizinho do meu prédio. Sempre encontro alguém do
interior e nesse dia encontrei Pedro, o vascaíno, que é de Ibotirama. Chegou um
senhor de barba e Pedro gritou logo –
esse daí é de Andaraí. Era Gerson, a pessoa que estava na viagem do meu
filho. Liguei os fatos e perguntei logo se ele conhecia Elpídio. Ele coçou a
barba e fui municiando com outros dados e ele se lembrou.
- Ah, ele é filho de Luiz Gomes Fonseca, sua história está certa, eu me
lembro desse fato. Elpídio, hoje, mora em São Paulo e é um grande magistrado,
homem inteligente. Se chama Elpídio Dantas Fonseca.Que essa história chegue a Elpídio e ele saiba o quanto a rápida convivencia nos marcou (o Google mostra que Elpídio Mário Dantas Fonseca é um tradutor de grandes obras literárias - será a mesma pessoa?).
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