"Se chorei ou se sorri, o importante é que em Poções eu vivi"

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Por onde anda Nilton Porquinho?

Na busca por amigos distantes e dando sequência à seção Por Onde Anda, encontrei através do blog o casal Nilton (Porquinho) e Glória, amigos de Poções, morando na cidade de Luziania, estado de Goiás.

Pelo que conta Nilton, eles também tem a Festa do Divino e matam a saudade, pois na sexta tem folia de rua, o povo rezando e outros tomando pinga, iguais a Poções. Ele diz que se emociona bastante ao ler notícias dos amigos e está sempre ligado no blog.

Com Glória, a sua mulher, também uma poçoense de fibra, forma um belo par. Pais de Crisneilara e Rosely, tem os netos Isadora de 17 anos, Maria Clara de 10 e Leonardo de 6.

Também conhecido como Niltinho, é uma figura que todos nós lembramos pela sua forma espontânea, dono de um humor diferenciado e um amigo especial. Extremo gozador e autor de vários apelidos da lista que publiquei. Ele assina os email´s como Nilton Porquinho, assumindo assim, a autêntica naturalidade do poçoense. 

Sinto saudades dos momentos de boa conversa aqui em Salvador, quando veio fazer vestibular, sem contar, é claro, com as histórias e os "causos" em Poções.
Pois é, quem quiser entrar em contato com o casal, mandar email para niltonconquista@hotmail.com

Grande abraço a esses "poçoenses goianos".

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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Mormanno, 22 anos depois


Direto de Mormanno - Itália
Depois de vinte e dois anos, retorno a cidade de Mormanno, ao sul da Itália. É sempre um caminho especial, o mesmo que foi feito pelos nossos pais, tios e demais italianos que viveram em Poções por muitos anos.

Os que não vieram de Mormanno, vieram de Trecchina – mesma região.

Percorrendo a auto-estrada em um ônibus, tento entender as dificuldades do passado, as dificuldades de atravessar regiões montanhosas até se atingir o porto de Napoli e enfrentar uma travessia de 11 dias, aportar em Santos – Sp. Daí, chegar em Salvador e depois Poções.

Uma cidade diferente das que estamos acostumados a ver, mas comum em toda aquela região. Em Mormanno, existem apenas quatro mil habitantes. Casas sobrepostas na montanha, uma única via principal que, às vezes, dois veículos não se cruzam. Uma praça pequena por onde a cidade circula, as notícias, as festas, comemorações e lembranças. Para eles, o mundo é aqui. Não é melhor porque Cristóvão Colombo descobriu a América e muita gente foi embora. Talvez a vida aqui tenha demorado de passar, mas os costumes continuam os mesmos.
Foto de 1990

Foto atual
Todas as pessoas na praça estão ali acompanhando as outras, conversando, comprando e vendendo ou apenas sentados. Entre caminhava e fotografava, fui apresentado a um senhor de nome  Faraco (Grisolia Raffaelle) e, ao saber que era “americano”, disse logo que eu era a cara de meu pai e que havia trabalhado com ele quando ainda morava na cidade (meu pai foi morar no Brasil em 1951).
Aqui, ainda vive Domenica Sangiovanni, 102 anos, irmã do meu pai. Giulia, a irmã de minha mãe, e primos de três gerações. Uma descendência que durará anos.
A cidade produz queijos, mussarela e salames diversos – produtos calabreses autênticos. Nas pequenas lojas de vendas de frios, a gente enxerga o quanto é forte a produção e dá vontade de levar todos esses produtos para o Brasil.
Existe uma cooperativa formada por dezoito produtores e investem no sistema de gado confinado e porcos para engorda. Produzem oito mil litros de leite e são transformados nos produtos finais. Os porcos são abatidos quando atingem 120 kg e transformados nos embutidos famosos em toda a região. Um dos administradores dessa cooperativa é Pietro Sangiovanni, nosso primo. Eles encontraram na Cooperativa Campotenese a forma de produzir em uma região montanhosa e aproveitar todos os espaços disponíveis.
Um fato histórico na cidade foi a descoberta de duas grandes criptas na área inferior da Catedral de Santa Maria del Colle, utilizadas antigamente como cemitério de pessoas comuns e de sacerdotes, muito bem mostrada e explicada pelo primo Giuseppe Fortunato.

Daqui do alto, no bairro San Biase, enxergo o movimento tranquilo da cidade, o verde das montanhas que a cercam e o penacho da torre da Igreja de San Rocco, o que marca a minha primeira lembrança de uma Mormanno que apenas conhecia de fotos trazidas pelos nossos parentes.

Vinte e dois anos depois, realimento o passado respirando um pouco desse clima, não só de quatorze graus, mas de onde saiu uma parte da nossa história. Convivendo com o dialeto da língua, vem na mente as reuniões dos tios nas varandas das casas em Poções. Comer o doce "bocconotto" original é sentir a tradição que ultrapassou o oceano e foi parar nos aniversários da família.

É muita lembrança.

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quinta-feira, 24 de maio de 2012

A pizza Margherita, por acaso!

Direto de Napoli - Itália

"Não deixe de provar a pizza Margherita, é a mais famosa de Napoli", recomendou minha mulher. Na noite anterior, atendi a recomendação e comi a pizza num lugar chamado Antonio&Antonio.

No dia seguinte, andando sem compromisso, vi um dos becos da cidade e fotografei. Quando olhei pra cima, deparei com a placa comemorativa dos 100 anos da famosa pizza e da pizzaria Brandi, que é de 1780. Estava no meio da história da pizza, sem querer.


O texto a seguir é do Wikipédia:

 Criada no ano de 1889 pelo pizzaiolo Rafaelle Esposito, para homenagear a rainha Margherita di Savoia durante sua visita à cidade de Nápoles. Os ingredientes usados foram escolhidos de forma que as cores fizessem referência a bandeira da Itália: branco representado pela mozarela, verde pelo manjericão e vermelho pelo tomate. 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A Itália protesta...

Direto de Napoli - Itália

Os noticiários da semana dão conta de fatos ligados à violência.

Todas as regiões protestam os vinte anos da morte do Juiz Giovanni Falcone, atentado ocorrido na cidade de Palermo, quando este declarava guerra à mafia italiana. Várias atividades estão sendo realizadas por todas as classes para lembrar o episódio.

Outro protesto que movimenta toda a Itália, principalmente os estudantes, é o da morte da jovem de 16 anos, Melissa Bassi, que ocorreu dias atrás na cidade de Brindisi, após um atentado a bomba. Acompanhei um protesto realizado por universitários no centro de Napoli (foto).

O terremoto na região da Emília também vem sendo muito explorado.

Com notícias desse nível, os canais de televisão discutem fortemente com os políticos, cobrando ações e posições claras.


A única boa notícia local foi a vitória do Napoli sobre a Juventus, pela Copa da Itália, na noite de domingo, enchendo as ruas, principalmente a região onde fica o hotel que me hospeda.


O cartaz acima anuncia a morte da Juventus e convida para o funeral que sairá de Roma para toda a Itália.

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terça-feira, 22 de maio de 2012

Ao pé do vulcão, fora da Festa

Infelizmente não estarei na Festa do Divino desse ano. Estou na cidade de Nápoles, na Itália, em viagem de trabalho, longe do terremoto, mas pertinho do vulcão.

Quando retornar, contarei algumas histórias e particularidades dessa bela cidade e também de Mormanno, onde viveram os meus pais.

Desejo a todos uma excelente Festa!!!


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sábado, 12 de maio de 2012

Por onde anda Salvador Agapito Vaz?

A partir de hoje, o Blog traz uma novidade: a seção “Por onde anda?”. Tem o objetivo principal de reencontrar filhos e amigos de Poções espalhados pelo mundo afora. Se você sabe ou quer saber de algum amigo distante, a seção terá essa função de divulgar.

Para inaugurar a seção, convidei o meu amigo Salvador Agapito Vaz. Ele se tornou um leitor habitual e sempre manifestou as suas opinões sobre a cidade e as histórias aqui contadas. Com certeza, foi uma reaproximação trazida pela existência do Blog. Leia o relato dele:   

"Eu nasci em Ipiaú, mas praticamente  não a conheço, pois viemos morar em Poções quando eu tinha 5 anos. Mas me considero poçoense vibrante e de coração.

A minha família chegou a Poções em março de 1955, com meus pais, Jugurtha Brandão Vaz e Tarcila Agapito Vaz (dona Nita) e meu irmão José Eduardo Agapito Vaz; meus avós,  Dr. Salvador Vaz Sampaio (médico) e Alice Brandão Vaz; meus tios Zóstenes Brandão Vaz e Hilda Cardoso Vaz e meus primos Enia, Stela, Zostinho e Paulo (este poçoense).
Estudei no Grupo Alexandre Porfírio e no Ginásio Estadual. Tenho muitos amigos aí, não os nominarei para não incorrer em esquecimento de alguns.

Muitos outros não estão mais entre nós, tiveram as suas vidas abreviadas, mas sempre estão presentes em minha memória.
Em 1965, fui morar em Vitória-ES, mas sempre nas minhas férias eu ia a Poções. Aqui em Vitória, estudei, casei e tive os meus três filhos e já tenho cinco netos. Estudei na Escola Politécnica de Engenharia do ES e formei em Engenharia Mecânica e fiz Pós- Graduação na FGV em Gestão Empresarial. Trabalhei no Senai, Vale do Rio Doce, Aracruz Celulose, Açominas e Siderúrgica de Tubarão. Hoje, estou aposentado e dou Consultoria na área de Gestão.

Meu e-mail: savaz@terra.com.br
Abraços,
Salvador Agapito Vaz"

Nota do blog:
Minha ligação com Salvador Vaz vem da época da Rua da Itália quando eu e Zostinho éramos parceiros nas brincadeiras com os demais amigos da rua. Através dessa amizade, eu frequentava as residências do avô Dr. Salvador (depois da casa de Félix Magalhães) e do seus pais Jugurtha e Dona Nita, quando a gente conversa assuntos diversos. Salvador, quando chegava em Poções, a gente sabia pela placa do carro, que era de Vitória-ES. Além dos tios e primos citados por Salvador, complementava a família o irmão do Sr. Jugurtha, Sr. Estácio e seus dois filhos Estacinho e Alicinha.
Agradeço a sua disponibilidade em mandar esse relato.


terça-feira, 8 de maio de 2012

Festa do Divino - entrevista

Entrevista concedida ao repórter Fábio Júnior Souza Lopes, publicada no site  www.uniaoperfeita.com


UP - O que é a Festa do Divino em Poções?
A Festa é tradicionalmente religiosa, uma devoção do povo poçoense. Alguns fatos marcam exatamente essa devoção e evidenciam atos religiosos ligados ao passado. Por exemplo: a Bandeira revive a chegada daqueles que fundaram a nossa cidade. O Mastro, relembra a mudança da capela que existia atrás do Grupo Escolar Alexandre Porfírio para a atual igrejinha.

Então, eu acredito que todas essas manifestações, ao longo dos anos, reforçaram a fé do povo e fortificaram a Festa, que se tornou, evidentemente, no importante marco religioso da nossa cidade.
UP - Quais foram as mudanças e as permanências que você observou da década de 90 para cá?
Permaneceram os dois eventos acima graças aos esforços de alguns poucos, capitaneados pelo Sr. Homero.  As particularidades da Festa de largo mudaram bastante. Antigamente, a praça era uma continuação festiva dos eventos religiosos – o parque era na praça principal com alto-falantes. O pavilhão pertencia à igreja e lá se realizava o leilão de objetos ofertadas pela população, inclusive quermeses de um modo geral. Essas coisas geravam recursos para a Igreja.

As barracas, que eram consideradas avançadas para a época, pertenciam aos estudantes das diversas séries do curso Ginasial, com o objetivo único – arrecadar dinheiro para se efetuar uma viagem quando se completava a quarta série ginasial, que nós chamávamos de “embaixada”. Então, se vc se posicionar fisicamente de costas para a Igrejinha, o pavilhão ficava ali. O parque na sua frente, no meio da praça. Do lado direito, as barracas do Ginásio. Do lado esquerdo, defronte ao Isaias Alves, as tradicionais Barracas de Dona Alvina, Dona Lourdes, entre outras. Ao lado da entrada da praça onde residia Afonso Manta, ficavam os “botequins”, que eram realmente a parte profana da época. 
No pavilhão, se apresentava a Filarmônica e, depois, alguma banda de música local ou contratada pela Prefeitura. Naquele momento, eu acho que a Prefeitura passou a assumir esse papel e “tomou” da Igreja o pavilhão da Festa. Daí em diante, a política imperou e cada vez mais as bandas e as atrações principais  passaram a tomar conta da praça. O parque foi empurrado para outro lado. As barracas passaram a ser estritamente comerciais e mudaram as características da praça. Tomou ares de uma grande festa de largo.

UP - Quais maneiras essas mudanças interferiram na vida das pessoas e no jeito de fazer e pensar a Festa do Divino em Poções?
Essa é uma boa pergunta. Houve uma mistura de velhos e tradicionais frequentadores da Festa com os jovens. Cada um tentou ocupar o seu espaço e o povo começou a sair do pavilhão e frequentar outras barracas. O barulho dos shows ampliado nas caixas de som espalhadas pela praça afastou quem queria conversar e trouxe a turma jovem para o local.

Há uma turma que ainda frequenta o pavilhão nas sextas e sábados – são pessoas da “velha guarda” procurando pelos velhos amigos. Então, aos poucos, a tradição de reencontrar amigos foi se acabando pela falta de opção e estímulo. Não vejo que isso possa ser recolocado no seu devido lugar se não houver bom senso. Esse espaço e o momento podem ser melhorados se a programação musical da tarde desses dias (sexta e sábado) for alterada para músicas adequadas ao pessoal de idade mais avançada. No ano passado, uma banda local tocava com o volume estridente e ninguém tinha coragem de ficar na frente daquele palco devido a baixa qualidade musical. Isso espanta e todos sabem que eventos tem a música como pano de fundo. Enfim, deve ser repensada uma relação custo-benefício.
Entretanto, não estou defendendo a volta ao passado. Defendo a utilização racional do espaço, agradando a todos o cleros. Os jovens devem ter os seus espaços e lotar as praças. Enfim, todos querem se divertir ao seu modo. Todos querem ver uma atração famosa. Quem não quis ver Leonardo, Daniel ou outras atrações? Até eu.

UP - Na sua opinião quais foram as razões que levaram a possível desvinculação entre o profano e religioso nos festejos do divino?
Sem dúvida, os dois maiores protagonistas da Festa são a Prefeitura e a Igreja, que representam o profano e o sagrado, respectivamente. A Igreja tá lotada e a praça mais lotada ainda. Teoricamente, os dois fazem bem os seus papéis e atraem as pessoas para os seus espaços. O que a Igreja reclama é que existe muita carência da população e poderia ser amenizada pelo dinheiro que a Prefeitura gasta. Isso gera o desgaste e se alfinetam. A Festa é um prato cheio para os políticos e cada um deles quer aproveitar para mostrar a sua força e garantir o apoio futuro.

Não acredito que em Poções as coisas tenham que ser diferentes dos outros lugares. Devoção, oração e festas andam juntas em todos os cantos desse mundo. Acho que deve existir bom senso e evitar os exageros. A Prefeitura pode reduzir os seus gastos com algumas inutilidades culturais (bandas sem estrutura e conhecimento musical). Deve incentivar para que os recursos gastos, na maioria, fiquem na cidade.
UP - Podemos dizer que a proposta da igreja em separar o profano do religioso causou uma guerra santa em Poções? Porque?
Não vejo que tenha se tornado uma guerra-santa, porque não se enxerga uma guerra definida entre duas posições religiosas. Acho que existem posições “políticas” pelos interesses que os dois lados têm. No meio dessas posições, está o povo, que imagino, sem opinião definida e na expectativa de uma boa solução. Ninguém, de sã consciência vai querer que a Festa se divida. Minha opinião é que existem dois eventos fundamentais - a Chegada da Bandeira e o Mastro. Numa possível separação de datas, haveria um esvaziamento e o fim da Festa seria decretado.

UP - De fato essa desvinculação aconteceu?
Com certeza elas estão desvinculadas nos seus interesses, mas unidas na tradição e na fé do seu povo.

UP - Quais valores prega hoje a Festa do Divino? E quais pregaram a 10 ou 15 anos atrás?
O mundo mudou rapidamente e Poções não poderia ficar de fora. Se quiser comparar os valores da Festa de antigamente com os dias de hoje, veja no Museu do Iecem uma gravação de imagens feitas por Pepone, meu irmão, nos anos 80, onde as opiniões das pessoas refletem esses valores. Nas entrevistas, duas perguntas foram básicas e simples: - Você acha que a Festa mudou? - Você acha que a Festa está melhor ou pior que o ano passado?
Veja que trinta anos atrás essa preocupação existia, já acontecia a inversão de papéis. Os tempos eram outros. A tradição era o pano de fundo. O povo se divertia com muito pouco. Era o bastante você reencontrar os seus amigos naquele ambiente. Os perfis da Festa são inteiramente diferentes se comparamos os comportamentos.

UP - Podemos dizer que hoje a Festa do Divino se tornou mais popular do que religiosa?
Popular nos dois aspectos. Mais popular religiosamente e mais popular profanamente. Graças ao Divino, não temos trios elétricos. Isso seria o fim.

Ainda temos orgulho de dizer que a Festa do Divino é nossa. Até quando? Só o Espirito Santo sabe.

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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Festa do Divino 2012

A Prefeitura divulgou o cartaz da Festa do Divino de 2012

sábado, 21 de abril de 2012

Nelito - Patrimônio de Poções

Nelito, um jovem de 80 anos, filho de Dona Julieta, viúvo da saudosa Ilse Gusmão, pai de Flávio, Marcos e Cláudia, irmão de Aracy, Juracy e Erbene, cunhado de Fidélis de Boa Nova, genro de Cícero Gusmão, tio de Aderbal Duarte (um dos maiores violonistas do país). Um cidadão de bem!

Todas as ligações familiares bastam para mostrar o quanto é importante. Mas, Nelito, Emanuel Campos de Sá, é um patrimônio da nossa cidade. Além de tantas realizações, foi ele quem renasceu a Filamônica 26 de Junho (http://filarmonica26dejunho.blogspot.com.br/), “toca” o projeto com alma e trata como uma grande família.

Os meus parabéns pelos seus 80 anos bem vividos.

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sexta-feira, 6 de abril de 2012

O dia da matraca

Não se faz mais Semana Santa como antigamente.

A programação iniciava-se no domingo de ramos e terminava no domingo de páscoa. Na quarta feira, já havia atividades na igreja e, praticamente, a quinta era de concentração com a tradição do lava-pés, no final da tarde, que simbolicamente traduz humildade e purificação. Os 11 apóstolos estavam lá representados com as suas faixas coloridas, já que Judas não participava porque havia vendido a sua alma para Satanás.

Padre Honorato fazia uma confusão e não beijava os pés da gente. Jogava um pouco de água, encostava o rosto quase um palmo de distância e fazia menção de beijar o pé, apenas. Passava para o outro apóstolo e repetia o gesto até lavar os pés de todos nós. Uma vez, quem beijou o meu pé foi o Bispo Dom Climério Almeida de Andrade, da Diocese de Vitória da Conquista.

Os santos e quadros já estavam cobertos com panos roxo, símbolos de penitência, dor e tristeza. Na missa de quinta, retirava-se a toalha do altar, talvez para demonstrar despojamento – a gente (como fui coroinha) fazia aquilo de forma mecânica porque não se explicava a razão, era tradição e bastava.

Na sexta, desde cedo, as rádios não apresentavam os programas normais e líderes de audiência. Era dia de folga para Aroldo de Andrade, na Rádio Globo, e para o Big-Ben, na Rádio Mundial. A programação era somente de músicas clássicas.

Havia pessoas que entravam em jejum completo. Invés, eu acordava cedo, tomava um café com pão e “jejuava” até meio-dia, bem na hora que começavam a chegar os vatapás e carurus diversos, já que lá em casa, por ser de tradição italiana, minha mãe nunca teve habilidade para fazer comida baiana. As vizinhas Zilda, tia Stela, Tidinha, tia Railda, Ziza, Dona Araci e Noélia (e outras que não me lembro agora) mandavam os pratos com as suas especialidades. Era uma festa poder provar tantas variedades.

- Dia de jejum, imagine! Como consciência e barriga cheia ninguém vê, ficava mais tranquilo para a gente comer tanto.

A tarde e noite de sexta ainda haviam atividades. Íamos para a procissão do Senhor Morto. Era bonita a apresentação de Margarida Nunes, representando a Madalena, descerrando a imagem de Cristo coroado com os espinhos. Ainda mais bonita, a manifestação de fé do Sr. Brasilino Neto, seu pai, levando o banquinho para que sua filha pudesse ganhar altura e todos ouvirem o seu canto, em latim, nas diversas estações da via Sacra.

No final da tarde, eu confesso que ficava tomado pela reflexão sobre a morte e o sentimento de culpa por alguém ter morrido por você. Enfim, eram as crenças trazidas pelo som da matraca.
Terminada a procissão, começava a cerimônia do beija-pé. O Senhor Morto era enrolado em um lençol e colocado dentro de uma caixa enorme revestida de pano roxo, com uma grande cruz onde a letra M era feita por outro lençol. A cerimônia era extremamente organizada, com a iluminação reduzida, as pessoas em fila e em silêncio, se dirigindo para a imagem a fim de beijar o pé.

Pra mim, a grandiosidade do ato também era demonstrada na imagem, onde o dedão já não existia mais devido ao buraco formado pela umidade dos lábios das pessoas.

O sentimento de dor no dia da matraca só seria amenizado no dia seguinte, sábado de aleluia, quando o sol briga com a lua, refletidos numa bacia esmaltada e cheia de água.

Nota do blog
MATRACA - Instrumento formado de tábuas ou argolas móveis que se agitam para fazer barulho e se usam em vez da campainha nas festas da Semana Santa (Dicionário Michaelis).


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terça-feira, 3 de abril de 2012

Mário Mamão

Não só me lembro da turma do Ginásio de Poções como também da minha turma de faculdade, aqui em Salvador. Depois de forçar a barra para passar em algum vestibular, consegui entrar para o curso de Administração de Empresas da EAEB – Escola de Administração de Empresas da Bahia, hoje denominada Facs, que comemora 40 anos de existência.

Lá pelos meados da década de 80, faziamos o curso noturno de Administração de Empresas. No meio de tantos jovens, formamos um grupo coeso de colegas apenas com aqueles que trabalhavam. Luiz Carlos Andrade, o mais experiente e o nosso “chefe”, era Gerente do Banco Itaú do Comércio, Luiz Cláudio Castro na Aliança de Seguros, Josemar Ferreira Carneiro era o Gerente da Caixa de Candeias, Raul Noya (dono da Movecil) e Mário Mamão, um jovem que apenas estudava e nos admirava pelo fato de trabalharmos. Tão jovem que me lembro das grandes espinhas no rosto.

Mário, todo dia me perguntava se eu era o dono da Pizzaria Don Giovanni, que ficava defronte ao Barravento. Associava o nome Sangiovanni com Don Giovanni. Acreditou tanto nessa possibilidade que caiu na armadilha de Luiz Carlos.

 – Caputo (como eu era chamado), porque você não dá uma cortesia pro Mário?

- Certo Luiz, Mário realmente merece!

Resolvi atender ao pedido de Luiz. Peguei um pedaço de papel e escrevi: VALE UM JANTAR e rubriquei para mostrar bastante autenticidade.

Mário, sorrindo, perguntou:  – Posso levar minha namorada?

– Claro, Mário, você pode levar toda a sua família, semana passada eu fui lá com a minha, disse Luiz.

Chamei Luiz em particular e perguntei:

- Será que a gente não vai complicar Mário? E se ele estiver sem dinheiro?

- Não se preocupe, ele tem conta na agência, eu pago o cheque.

Semana seguinte, Mamão chegou resmungando que o Gerente da pizzaria não havia acatado o vale, que não reconheceu a assinatura e ele teve que pagar a despesa, apresentando a nota fiscal para comprovar que havia ido lá.

Luiz, sem pestanejar, disse: - Caputo, dê um visto na nota e ele volta, janta e apresenta a nota assinada, já que está com crédito.

- Será que ele vai aceitar dessa vez? perguntou Mário.

Grande saudade dessa turma desfeita pelo tempo. Assim, estudamos vários anos e convivemos entre as salas de aula, os trabalhos em grupo e a barraca de Tia, a baiana do acarajé, tomando cerveja.

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quinta-feira, 29 de março de 2012

Água de barata

Semana passada, estava na casa de amigos para um churrasco. Do nada, apareceu um papo sobre baratas. A questão era saber como uma barata poderia chegar voando até o 14º. andar. 

Os mais experientes diziam que era impossível. Naquela altura, só se viesse da casa do vizinho, disse um dos amigos. O outro, retrucou e disse ser totalmente possível a barata ser voadora – elas vem voando dos prédios da beira mar para os prédios maiores da Av. Manoel Dias. Fazem escala e depois voam para os prédios mais altos.

Mas, barata e churrasco nunca combinaram e os amigos quiseram encerrar o assunto. Eu não deixei antes de contar a minha história.

Foi em Poções, na loja dos meus tios. Eles tinham o costume de tomar no meio da tarde uma garapa, um suco e, depois, um café. Eu gostava de jogar uma bolinha nas gramas e andar com uma bicicleta Caloi. No final da tarde, suado e cansado, fazia uma pausa na loja para filar o resto da garapa.

Havia um quartinho escuro onde as prateleiras serviam como uma pequena mesa. Nessa tarde, eu cheguei com tanta sede e não havia mais a garapa – só uma garrafa com água que foi deixada no dia anterior. Não contei conversa, comecei a beber diretamente no gargalo e tomei uns 10 goles. Alguma coisa estranha na água e parei imediatamente para ver o que era. Não deu outra:

- uma barata daquelas grandes e já afogada.

Chega, senão ninguém vai comer mais…falou Jorge Roberto, meu amigo que tem medo de baratas até em fotografia.

Depois disso, não coloco a boca no gargalo sem ohar o que tem dentro.

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quarta-feira, 28 de março de 2012

Chico Anysio em Poções

Calma!
Essa foi a frase que escrevi na pesquisa do Google e não retornou nada positivo. Mas, será que Chico Anysio andou mesmo em Poções? Claro que ele não andou. Deve ter passado por Poções, em 1938, quando saiu de Maranguape para ir morar no Rio de Janeiro. Quem sabe, qual o meio de transporte - Lombo de burro, nas carrocerias dos caminhões Ford ou Chevrolet ou qual outro meio?

Você pode até pensar que sou meio louco em buscar uma informação dessas na internet. Não tenho dúvidas – eu não sou nem meio, nem louco e não vou achar resposta. Eu queria que ele tivesse passado na cidade em outra época. Se tivesse a oportunidade de ir a uma sessão de cinema teria criado, de cara, três personagens para a escolinha de Raimundo – Luiz Bosteiro, Dôca e Lino Carregador.

Poções sempre foi um celeiro de bons humoristas e piadistas de plantão. Bastava um circo, uma tourada ou um filme para associarmos o artista com alguém da cidade. O circo ia embora e ficávamos repetindo o “apelido” do cidadão. Até um nome de tanque de guerra que apareceu em um filme virou apelido.

Enfim, vão ficar as expressões, os apelidos e os personagens. Foi embora aquele que sempre manteve as lembranças vivas dessa nossa criatividade.
 
Viva Chico!

sexta-feira, 16 de março de 2012

Isabel e Dé de Zabé

Sumiram as rezadeiras. Depois da velha Marcolina, só me lembro de Bel, a mãe de Cosme e Damião.

Em julho de 2011, em Capela do Alto Alegre, interior da Bahia, fui procurar por outra dona Isabel e não a encontrei. Fiz menção no blog e coloquei a foto dela no meio da roça de milho, que meu amigo Guilherme Junot tinha nos seus arquivos.

Recentemente, voltando de Jacobina, insistimos em procurar a rezadeira. Parece que o carrego era grande e uma força nos puxava para aquele lugar. Afinal, três pesos (eu, Guilherme e Vanderkleison – nome de centroavante do Bahia). Lugar simples, fogão a lenha e cozinha tomada pela fumaça de alguns tições que queimavam para esquentar uma “chicolateira” de café. No meio da sala, as cabras criadas ali na fazendola de Dé Simão, o Dé de Zabé, e da rezadeira Isabel.

Enquanto ela estava no terreiro pegando as folhas, Dé (José Francisco da Silva), 73 anos completados em 20 de agosto, contava as histórias de Zabé. “Ela curou um menino que ficou no hospital internado por dias e os médicos o liberaram para Zabé fazer o trabalho e dá remédio para gases – O menino ficou bom no mesmo dia com as rezas dela”.

Nos dividimos. Dois escutavam as histórias enquanto o outro era rezado. Não foi diferente da “abrição de boca” da velha Marcolina. Isabel respirava fundo e rezava. No final das rezas, o carrego era grande e o resultado foi: "Todo mundo de olhado e dos brabo".

De tão exaurida que ficou, o consolo foi ouvir Dé de Zabé dizer que aquilo era normal na vida de Isabel Souza da Silva, 69 anos de idade e 45 de rezadeira. "Ela reza esse povo todo daqui da região e ainda viaja para rezar gente grande na capital".

O casal nos fez acreditar que o alívio momentâneo não é somente com a reza e sim com a simplicidade. Me fizeram voltar ao passado.

Meus amigos Guilherme e Kleison, depois daquele dia, contaram que os negócios progrediram devido ao peso que eles carregavam. Vai duvidar?

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domingo, 11 de março de 2012

Pedro Marcos

Leio nos sites de Poções a notícia do falecimento de Pedro Marcos Ferreira Ramos, Marquinhos de Dôca, vítima de acidente automobilístico no centro da cidade.

Marquinhos foi meu vizinho durante anos na Rua da Itália, onde convivemos nas brincadeiras e no cotidiano daquele lugar. Na última festa do Divino, lembramos de casos vividos na nossa rua e da atenção que ele teve no cuidado com os meus pais.

Era filho de Florisvaldo Cruz Ramos e Zilda Ferreira Ramos, já falecidos. Deixa a filha Bruna Renata e os irmãos Antonio, Paulinho, Eraldo, José Francisco, Zilovaldo (Bada), Adriana e Alex.

Aos meus queridos vizinhos, os sentimentos por esta perda prematura.


A família, através de Alex e Bruna, convida a todos para a Missa de 7 dias do falecimento de Pedro Marcos, a ser realizada na Igreja Matriz de Poções, no dia 21 de Março de 2012.


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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A salvação do Carnaval

                                                                    Foto Correio da Bahia

Nem tudo é decepção. O Carnaval do Pelourinho visa a manutenção do passado. No sábado, fui ver a apresentação do grupo Paroano sai milhó, fundado em 09 de fevereiro de 1964. Não tem como não se emocionar ouvindo marchinhas de antigos carnavais, lembrando as batalhas de confetes do Clube Social de Poções.

O site do grupo é http://paroano.com.br Veja algumas letras abaixo:

ABRE ALAS
(Chiquinha Gonzaga, 1899)

Ó abre alas que eu quero passar
Ó abre alas que eu quero passar
Eu sou da lira não posso negar
Eu sou da lira não posso negar

Ó abre alas que eu quero passar
Ó abre alas que eu quero passar
Rosa de ouro é que vai ganhar
Rosa de ouro é que vai ganhar

ALLAH-LÁ-Ô
(Haroldo Lobo-Nássara, 1940)

Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô

Mas que calor, ô ô ô ô ô ô
Atravessamos o deserto do Saara
O sol estava quente
Queimou a nossa cara

Viemos do Egito
E muitas vezes
Nós tivemos que rezar
Allah! allah! allah, meu bom allah!
Mande água pra ioiô
Mande água pra iaiá
Allah! meu bom allah

AURORA
(Mário Lago-Roberto Roberti, 1940)

Se você fosse sincera
Ô ô ô ô Aurora
Veja só que bom que era
Ô ô ô ô Aurora

Um lindo apartamento
Com porteiro e elevador
E ar refrigerado
Para os dias de calor
Madame antes do nome
Você teria agora
Ô ô ô ô Aurora

Direto de Ondina

Depois de alguns anos sem ir ao circuito do Carnaval, fui parar na pipoca do Barra-Ondina. Se percebe algumas mudanças. Se transformou no carnaval da diversidade e também da contrariedade.

Os antigos bares montados a meio metro do chão deram lugar aos megas camarotes. Os espaços da área foram totalmente loteados. Um dos donos do espaço é a Brahma, que inovou com mijadores centralizados montados em containers, longes do circuito. Sumiram com os banheiros químicos, aqueles de PVC. O cara bebe a cerveja, brinca e na hora de mijar, tem que fazer no muro. Aí, passa a PM e distribui “fanta” nos mijões. O povo não tem vez, ou mija ou apanha. A rua é um mijódromo e poças do líquido estão espalhadas em toda parte.

Daqui, da janela da minha casa, enxergo o estacionamento de carros rebocados pela Transalvador. Não cabe mais nenhum e eles ainda insistem em trazer mais. Não existe local para estacionar nas ruas. Alguns poucos meio-fios são disputados a R$ 15,00 por cartela. Quem achar outro local para estacionar, acaba voltando a pé para casa, pois a “Transjoão” resolve atuar nas madrugadas do Carnaval. As três da manhã, a Centenário estava travada por causa do excesso de falta de planejamento e desorganização.

Falar em voltar a pé, os táxis não andam em percursos que lhes dêem pouco dinheiro. Nem te dão atenção. Cresce a quantidade de mototáxis no circuito e a região vira um inferno, sem tamanho.

Para entrar ou sair dalí, circula-se entre mijo, caixas de isopor e fogareiros com espetinhos de gato. Não se criam os corredores para o povo.

A PM anda bem pela multidão e dá empurrões mesmo quando escolta foliões de camarotes – turistas na maioria, é claro, por uma questão de marketing. Para dar segurança a poucos, ela maltrata outros tantos. Os seguranças particulares estão em toda parte. São uns guarda-roupas abertos e a regra é empurrar.

Ontem mesmo, tanto a PM quanto esses seguranças formaram um aparato tão grande para transportar uma "celebridade" que pensei ser o presidente Obama. Era tanto empurrão no povo que chamou a atenção. Perguntei quem era e me disseram: É Deni, é Deni da Timbalada...

Muito prazer!

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domingo, 12 de fevereiro de 2012

O dono de Poções



A novidade da internet é o site www.tici.es. É um grande guia de cidades e qualquer pessoa pode ser dona de uma cidade do Mundo, através de um sistema de leilão.

Fiz isso e me tornei o dono de Poções.

O passo seguinte é cadastrar estabelecimentos comerciais na página exclusiva de Poções. A inserção não custa para o empresário e o seu negócio estará disponível para consultas e divulgação.

A partir de amanhã, 13/02, iniciarei o cadastramento. Quem quiser, pode enviar os dados como: Razão Social, nome fantasia, ramo do negócio, endereço e telefone que farei o cadastramento sem qualquer custo.

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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Estados d´Alma

Recebo do meu amigo Ricardo De Benedictis a notícia da publicação do livro 'coletânea' de alguns poemas da sua autoria com o título de Estados d'Alma, ocorrida em Vitória da Conquista. Na capa e orelhas estão ilustradas algumas fotos de pessoas que lhe são caras.

Cita o autor: "Entre estas está uma que guardei da festa do Divino de 2008, em que estamos juntos".
Parabenizo a Ricardo pelo lançamento e agradeço imensamente pela amizade e inserção de fotografia que eterniza os bons momentos do reencontro dos amigos na nossa Festa do Divino.

Abaixo, os endereços dos blogs e o site de Ricardo De Benedictis. Vale conferir e acompanhar (eles estarão fixos na barra lateral do meu blog)
www.opiniaodaimprensa.com
www.cidadeemfoco.tk
www.apoloacademiadeletras.com.br


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domingo, 5 de fevereiro de 2012

O fim do Poções

Leio no Portal Poções que o time do Poções está prestes a se acabar. Pelo que está escrito, a culpa é do prefeito Luciano. Não entro nessa perrenga política e tenho cá as minhas convicções pelo que acompanho do futebol baiano. Também, não entro na avaliação dos dirigentes, mas acho que estes são os principais responsáveis. Saudades do tempo de Pedro Sibim.

Agora mesmo, acabo de assistir ao jogo entre o Itabuna e o Bahia (3x4). Quem entende um mínimo de futebol viu que o juiz favoreceu ao time da capital e o Itabuna perdeu nos seus próprios domínios.

Vou mais longe. Em abril de 2007, eu vi o Poções ser garfado na Fonte Nova com um gol claríssimo não validado pelo trio de arbitragem (Gleidson Oliveira e os bandeirinhas Marcos Welb Amorim e Antônio César Brasileiro Oliveira).

No cai-cai, primeiro foi o Juazeiro, depois o Poções e, na sequencia, o Ipitanga, que optou jogar em Senhor do Bonfim. No jogo de acesso à primeira divisão, o Guanambi já tentou duas vezes e se formou uma “lambança” porque o time ganhou por mais de dez de um time de cachaceiros que foi jogar a partida final do acesso.

É facil entender. Todos os times que caem ou querem subir são distantes da capital. A imprensa que faz a cobertura funciona assim: a TV transmite de dentro do estúdio; o jornal faz a reportagem a partir das informações do rádio e da TV; Sobra, portanto, para o pessoal do rádio que tem que ir para o estádio narrar o jogo. Portanto, esse pessoal faz tudo para que somente os times próximos à capital permaneçam. Daqui, eu ouvia os comentários maldosos em todos os inícios de transmissões esportivas em Poções. Se queixavam de tudo: do ônibus, do tempo de viagem, do hotel, da comida, da cabine, da buzina que tocava na arquibancada e por aí vai.

Os trios de arbitragem saem de Salvador e são os que viajam e agem iguais ao radialistas. Na dúvida, apitam para o time da capital.

A Federação nunca mudou a tabela. É feita para beneficiar os times de Bahia e Vitória. Todas as partidas decisivas do Poções sempre foram transferidas para outros domínios, longe da sua torcida.

 A Bahia tem mais de 417 municípios e representados apenas por 7 deles. Dos doze times que disputam, sete estão localizados em um raio de até 100 km. O lógico seria um grande campeonato com grupos regionais. Se os raciocínios são corretos, o fim é totalmente previsível.

Pobre futebol baiano. Pobre Poções. Pobre torcedor…

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