"Se chorei ou se sorri, o importante é que em Poções eu vivi"

domingo, 7 de abril de 2013

Uma Poções violenta


Minha mãe e meu pai tinham uma mania de trancar as portas da casa em Poções. Diziam que a cidade estava cheia de ladrões e um deles poderia entrar. Tinham razão e eu achava que era exagero ou coisa de gente velha.

Abro os sites de Poções e leio, em menos de meia hora, a relação de notícias que apavora pela quantidade e pelos níveis dos fatos, sem contar os acidentes nas estradas vizinhas:

- Índio homicida é preso pela polícia;
- Polícia prende homem envolvido com tráfico de entorpecentes;
- Posto de gasolina é assaltado pela terceira vez;
- Polícia recupera carro roubado;
- Homem atropelado por ônibus escolar;
- Homem morre em troca de tiros;
- Homens são presos após roubarem moto;
- Cortaram Turino na bala;
- Mais um homicídio em Poções;
- Homem é preso após esfaquear a sobrinha.

A antiga delegacia do Beco dos Artistas não caberia tantas ocorrências. O Tenente Celino, nosso grande delegado do passado, teria que ter um reforço extra, pois não daria conta sozinho de assumir tantos problemas.

A nossa antiga cadeia não comportaria tanta gente. Os policiais da época não poderiam dormir tranquilos diante dessas ocorrências. O guarda Erotildes não poderia cochilar no frio da praça. Imagine, então, se a luz fosse desligada a meia noite?

Assassinato em Poções era coisa de um ou dois, por ano, e olhe lá. Não é mais a cidade pequena que estávamos acostumados a ver e viver em paz. A violência toma números assustadores, bem que não seja um privilégio da nossa cidade. Cada vez mais me assusta a futilidade das ocorrências. Falta educação doméstica e políticas de incentivo à juventude e combate efetivo às drogas. Falta a família. Falta o estado agir mais.

Que tenhamos sucesso com a nova delegada…

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Um comentário:

  1. Lu, do meu ponto de vista são duas questões. A primeira é que efetivamente a sociedade poçõense em tempos passados era diferente no quesito violencia. Era uma sociedade mais estabilizada, com menos contradições ou mesmo contradições que não afloravam em forma de violência. A outra questão é que convivemos com uma relativa democracia e um absoluto capitalismo. E isso não pode dar certo. As contradições aumentam, as tensões se agravam e o poder público é ineficiente, por vários motivos, e o que vemos é o alastramento da violência.Ainda na minha opinião, não haverá solução. Não será a capacidade e o trabalho de uma delegada que irá mudar este quadro. O Estado é incompetente, não tem vontade. É como um sindico que faz bobagens. E nós, condôminos ou aplaudimos, ou somos indiferentes ou não conseguimos mudar.Veja o exemplo do Feliciano (ou in-feliciano ?)um retrocesso sem tamanho na vida social do país.
    Poções não é mais aquele, tiraram o sossego dele.
    Eduardo Sarno

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