Nesse mundo abarrotado de excelentes escritores e cronistas, aparece mais um desenquadrado, desenterrando velhos arquivos de lembranças e rascunhos passados a limpo.
Ainda estou ligado à Terra do Divino. Nunca anotei, mas acho que não deixei de falar ou pensar em Poções um dia sequer. Não é simplesmente dizer: nasci em Poções!. Exerço o meu direito de votar na 36ª seção da Escola Alexandre Porfírio, um lugar especial. Foi naquela escola que estudei o primário. Votar ali traz uma lembrança inestimável. Uma pena que eu não goste de política.
Na festa do Divino, padroeiro de Poções, na sexta feira, sobre o cavalo, eu me emociono com a demonstração de fé do nosso povo e, depois, no sábado, com a devoção dos moradores da Lapinha na hora do mastro. Eu e meus amigos, carregamos o mastro – de ponta a ponta, da Lapinha à Igrejinha, como diz Jorge de Ucha e os meninos de Maneca.
Mais pro passado: estudei na Escola União das Classes, que funcionou no antigo Clube Social e depois na Maçonaria, com a Profª Deusdinéa. Fiz banca com Dona Zirinha. Estudei no Centro Educacional de Poções e fui aluno de Irundy, Noélia, Glorinha, Renam, Pepetinha, Tereza Martins, Beatriz Martins, Élia França, Sargento Severino e tantos outros. Naquela época, cantávamos o hino Nacional e estudávamos EMC (Educação Moral e Cívica). Marchava nas paradas de 7 de setembro - uma vez resolvi tocar corneta na banda (de tanto treinar, feri a boca e fiquei de fora no dia da parada). Fiz parte da gloriosa quarta série que marcou época e comemorou 30 anos em 2000.
Aprendi o catecismo com Dona Fetinha e com as Freiras. Fui coroinha junto com Tonhe Gordo e viajamos todo o interior do município com o Padre Honorato. Tenho muitos amigos e alguns se foram, deixando grandes lembranças. Não sei se dei sorte ou azar, mas nunca tomei banho no açude. Minha infância foi na rua da Itália com os meninos de Seo Dôca, Zé Marinho, Remo, Nandim. Catei gabiraba na estrada da Cachoeirinha. Joguei bola nas “grama”. Torci pelo Atlético de Tonhe Luz e fui reserva de lateral direito no time de Aziz, o Cruzeiro.
Filho dos eternos e sempre presentes “seu Chico” e "dona Anna" Sangiovanni. Sou casado com Bete “uma poçõense” que é Moitinho e também Fagundes. Temos dois filhos - Carla e Ricardo. Sou irmão de Michele, Pepone e Elisa. São tantos os meus sobrinhos queridos. Sou tio avô de Mel, Maria Giulia, Maitê (filhas de Marcelo) e João (filho de Rodrigo).
Nego Rege e Marão me conhecem como Bebé Chorão. Mufula diz que sou filho de Chico Sarno (nada a ver um Chico com o outro).
Defendo a melhor posição geográfica para a nossa cidade. Quando me perguntam se Poções é aquela cidade entre Jequié e Conquista, de pronto respondo: - Não, Jequié fica antes de Poções e Conquista fica depois de Poções!
Sentia uma verdadeira alegria quando o Poções jogava e podia ver os gols no Fantástico – todo mundo sabia que a nossa cidade existia. O Poções ainda existe, mas largaram de mão e o pobre coitado caiu para a segunda divisão.
Vou vivendo, escrevendo e pensando nessa bela cidade. Só peço que cuidem dela. Certamente, deixarei o pedido para que lá depositem as minhas cinzas.
As luzes do amanhã
Fazer da brisa um traje sem medida,
E do arco-íris fazer um tobogã.
Amar as mínimas coisas desta vida,
E ter no olhar as luzes do amanhã.
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