"Se chorei ou se sorri, o importante é que em Poções eu vivi"

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Roniwalter Jatobá em Salvador

No próximo dia 9 de agosto, uma quinta-feira, a partir das 13h, Roniwalter Jatobá estará autografando, em Salvador, três livros lançados em 2012: Cheiro de chocolate e outras histórias (contos, Editora Nova  Alexandria, SP, apresentação de Ruy Espinheira Filho), Alguém para amar a vida inteira (romance juvenil, Editora Positivo, PR, apresentação de   Miguel Sanches Neto) e O jovem Monteiro Lobato (biografia, Editora Nova   Alexandria, SP).

Local: Confraria do França (antigo Ex-Tudo), no Rio Vermelho. Sobre Cheiro de chocolate e outras histórias, um dos   primeiros leitores -- o jornalista e escritor Renato Pompeu -- mandou a seguinte mensagem:

"A literatura sempre avança em relação à mais requintada teoria literária. O principal teórico do realismo crítico, o húngaro György Lukács, julgava que não era possível fazer arte a partir do singular, por não ser universal. Somente a partir do singular-universal, ou seja, a partir do particular, é que seria possível fazer arte. Mas Roniwalter Jatobá, neste livro Cheiro de chocolate e outras histórias, prova o contrário. Ele chega a estesias melancólicas e encantadoras, a puros enlevos, a partir de uma féerica feira de singularidades; o conjunto se torna universal."

Sobre Roniwalter Jatobá
Nasceu em Campanário, Minas Gerais, em 1949. Aos 10 anos, migrou com a família para Campo Formoso, Sertão da Bahia. Desde 1970 vive em São Paulo. Como jornalista, foi redator dos fascículos Nosso Século e Retrato do Brasil e colaborou em Movimento, Escrita e Versus. Atuou, também, como cronista do Diário Popular. Publicou, entre outros livros Sabor de química (1977), Crônicas da vida operária (1978), Filhos do medo (1980), Viagem à montanha azul (1982), O pavão misterioso e outras memórias (1999), Paragens (2004) e Trabalhadores do Brasil (1998). Pela Editora Nova Alexandria, publicou, para a Coleção Jovens sem Fronteira, O jovem JK, O jovem Fidel Castro, O Jovem Che Guevara e O Jovem Luiz Gonzaga. É autor, também, de Rios sedentos (Coleção Viagem Literária), voltada para o público infanto-juvenil.
(foto e informações sobre Roniwalter: site www.novaalexandria.com.br).



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domingo, 29 de julho de 2012

Sala Ruy Espinheira - Uma merecida homenagem

Por Eduardo Sarno - especial

Pode-se dizer que o Dr. Ruy Espinheira tinha uma mente brilhante. Não só dominava o saber jurídico, como tinha uma percepção aguda das circunstâncias sociais, o  que lhe permitia uma intervenção correta como advogado.
                                      Dr. Ruy Espinheira (foto - arquivo Eduardo Sarno)
Aliava uma memória privilegiada a um conhecimento do perfil psicológico das pessoas com quem tratava. E tudo isso temperado com um saboroso senso de humor.

Vivia a vida com intensidade e bom proveito, desde a sua dose de uísque, sorvida calmamente, até ao extenso leque de amigos, que freqüentava e convivia intelectual, social e politicamente.

Era um homem de opiniões e posições. Em nome destas foi preso pela Ditadura Militar. Mas se, grande entrou na prisão, maior ainda saiu dela.

Poções e Jequié tiveram a honra de tê-lo como morador, e hoje Poções resgata esta dívida, através da OAB, prestando esta merecida homenagem, inaugurando a Sala Ruy Espinheira.

                        Chico Sangiovanni e Dr. Ruy Espinheira na Fazenda Caetitú, em passeio.
                                     (Foto arquivo Lulu Sangiovanni)


Outras notícias sobre o evento no site Liberdade FM Poções:
 http://www.liberdadefmpocoes.com.br/noticias/cidade/2012/07/sala-da-oab-e-inaugurada-em-pocoes.html


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terça-feira, 24 de julho de 2012

O cara das duas cervejas

Hoje, eu estava almoçando aqui na cidade de Sorocaba, interior de São Paulo, quando encontrei um velho amigo, ex-colega de trabalho. Foi uma festa. Lembramos de alguns casos e histórias passadas. Ele me pediu que não divulgasse o nome, mas poderia contar a história que nos liga a Poções (vou chamá-lo com o pseudônimo de Antônio para facilitar a história).

Pois é. Antônio andava sempre em uma casa noturna de Poções quando viajava pela região. Quando eu via, estava sempre sentado na mesa que ficava ao lado direito da segunda sala da tal casa. Usava óculos escuros no puro estilo Valdick Soriano, a qualquer hora do dia. Pedia uma cerveja e ficava observando o ambiente até se interessar por uma das mulheres que trabalhavam naquele local.

Antônio pedia a segunda cerveja e continuava o papo com a mulher. De repente, saia com ela para um dos quartos da casa. Assim era o costume de Antônio naquele lugar e com frequência mensal, talvez. Nunca trocamos meia prosa e ninguém sabia o seu nome. Era muito calado, não dava papo para a turma de jovens.

O tempo passou e comecei a trabalhar. Depois de três meses, me designaram para morar na região sul, onde a empresa possuia uma filial. Fui recomendado para procurar o gerente, que me daria as coordenadas do trabalho.
Me apresentei e marcamos para visitar alguns clientes durante o dia. Enquanto eu aguardava pela sua disponibilidade, fui me apresentando aos outros colegas e percebia que alguma coisa me chamava a atenção. Achava a fisionomia familiar e ficava remoendo: De onde eu conheço esse cara?

Pois bem, naquele dia, saímos e acabamos almoçando na churrascaria que ficava no andar superior de um prédio defronte à Estação Rodoviária de Itabuna. Quando sentamos, ele fez a mesma posição com os braços, apoiando o queixo. Caiu a ficha.
- Você andava em Poções? perguntei. Ele desconversou, disse que tinha ido uma vez, mas de passagem para Vitória da Conquista e Brumado.

- Qual é rapaz, eu conheço você, não era o cara que tomava as duas garrafas de cerveja?   

Veio um ééééé meio lerdo. Ele perdeu a chave, como a gente diz. Afinamos a conversa e era Antônio mesmo.

Convivemos na mesma empresa por um bom tempo e ninguém me dava mais notícias dele. No almoço de hoje, em meio às famosas costelas de Sorocaba, relembramos o fato.


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domingo, 15 de julho de 2012

Museu 2012

Da equipe editora por Ângela Muskat e Zenilda Ramos

Cultural, informativo, criativo, surpreendente, organizado. Essas são as palavras que traduzem a 5ª Edição do Museu de Poções, realizado graças a parceria do IECEM com a Paróquia do Divino, através do Padre José Roberto que apoiou e valorizou nosso trabalho.
Pela temática “Marcas da religiosidade Nordestina”, educadores e educandos demonstraram através de paineis, murais, objetos variados as pesquisas feitas desde o início do ano letivo.
A novidade desta edição foi a grande quantidade de maquetes bem feitas que estavam à disposição dos visitantes, mostrando igrejas, praças, vilas , andores e presépios. Os manequins caracterizados com roupas típicas também tiveram grande apreciação do público, inclusive um quadro representando o cálice sagrado harmoniosamente pintado pelos alunos da 8ª série estava à disposição no museu.
O ambiente estava permeado pelo cotidiano poçõense: panelas de barro, ferros à carvão, canetas, dinheiro e moedas antigas, fotos, máquinas de costura, de datilografia, telefones antigos, rádios, relógios, pilões, batedeira velha, porta-retratos, a mulinha enfeitada com uma magnífica manta, colheres de pau, radióla, discos de vinil, celas, porta-jóias e uma variedade de outros objetos interessantes.
Dos dias 23 a 27 de maio o museu ficou aberto ao público para apreciar a beleza demonstrada, mas o projeto deste ano não parou por ai. No feriado de Corpus Christi do dia 05 de junho, uma comissão de educadoras do IECEM reuniu-se para dar encaminhamento ao museu definitivo da cidade.
Agora o próximo passo é procurar um meio de comunicação com a Secretaria de Educação do Estado (SECULT-BA) para nos informarmos e fundarmos o que a Sociedade Amigos do Museu de Poções de Poções (SAMP) tanto almeja: um Museu real para Poções e que num futuro bem próximo o IECEM venha contribuir a cada ano com uma temática inovadora e criativa como foi a de 2012.
Vamos torcer para que tudo dê certo.
A direção do IECEM parabeniza todos os educadores e alunos que fizeram neste ano mais um projeto de vanguarda.
 
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sábado, 14 de julho de 2012

Por Onde Anda Zé Carlos Leto?

O Por Onde Anda de hoje encontrou  José Carlos Leto, um poçõense, assíduo leitor e que sempre faz os seus pertinentes comentários aqui no Blog. Amigo de anos, contemporâneo de Ginásio (uma ou duas turmas na frente), filho do ilustre Nicola Leto e dona Nicinha, pessoas que muito contribuiram para o desenvolvimento da nossa cidade.

Falar dos Leto, significa falar da história do cinema e da energia elétrica de Poções. Significa a grande família que Nicola construiu, principalmente poder contar com a amizade de Zé Carlos e dos seus irmãos, especialmente de Valdemir, Maria Eugênia e Ângela,  grandes colegas de sala e contemporâneos do Ginásio.
Zé Carlos teve uma vida muito simplória, diz ele na sua modesta fala. Saiu de Poções em 1971 e foi trabalhar nos cinemas do saudoso Francisco Pithon (rede de cinemas que existia em Salvador – Cines Tupi, Guarani, Bahia, Tamoio, Politeama, Liceu, entre outros), indicação de Fidélis Sarno (Fidélis de Boa Nova) grande amigo do velho Nicola.

Deixou os cinemas e foi trabalhar no Polo Petroquímico de Camaçari por longos 18 anos. Vinte anos depois, retornou para Poções e diz que só sai dali por uma razão fortíssima. Casou-se com uma “baianeira” chamada Teresa , nascida em Juiz de Fora – MG e criada em Salvador – BA. Têm três netos: Nicolle, Filipe e Bia.
Trabalha atualmente no Posto de Atendimento do Coelba Serviços e pertinho de se aposentar. Mas, também tem seus momentos de lazer e o “hobby” é tocar teclado nos finais de semana na Pizzaria La Tavola, que pertence a sua filha. Taí uma boa pedida para os finais de semana.
De quebra, ele buscou no fundo do baú, uma foto antiga de 1969, onde aparece a Diretoria do Grêmio Litero- Recreativo 21 de Abril (CNEC Ginásio de Poções) no desfile do 7 de Setembro. Na foto, aparecem  Hernane Exler, José Carlos, Raimundo de Dona Esmeraldina, Osvaldo “Cientista”, Bete Exler, Neca Simões (peço ajuda para a identificação das outras pessoas).  

Quem quiser entrar em contato com ele, o email é jocale@bol.com.br
O Blog agradece a participação de Zé Carlos e continua procurando outros amigos por esse mundo.

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Os apelidos na política de Poções

Sempre confessei a minha posição de apolítico, mas não poderia deixar de aproveitar a oportunidade para reforçar a lista de apelidos publicada aqui  no http://blogdosangiovanni.blogspot.com.br/2009/10/vida-nos-apelidos.html

Desejo boa sorte a todos e que não só o apelido seja a forma de lembrança nas urnas. Que vocês se lembrem sempre do povo e coloquem a nossa Poções como objetivo maior, agora e no futuro.                                                      

Adelson do Portal, Adevaldo Radialista, Nildo Cabeludo,
Almizinho, Riquinho, Marcos Agente de Saúde,
Vani do Açude, Professor Carlos, Careca,
Kal de Edite, Nozinho, Dio Moto-taxi, Lié,
Darinho, Locutor Fabiano Ferreira, Fernando Boião,
Gil do Box, Gugu, Tina, Rael, Nete, Sargento Izaías,
Sargento Jaílson, Nino Aprígio, Jonas do Reforço,
Lande da Caçamba, Lago, Zequinha, Garapa,
Professor Kleber, Cebolinha, Luizão, Márcio do Celular,
Marcos do Moto-taxi, Zezel, Nelsão, Zil da Relojoaria,
Reginaldo do Posto, Rogério da Caixa, Roni, Professor Rosalvo,
Zil do Açude, Didi da Lage, Vilma de Kel, Santo de Ziziu.

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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Tributo a Poções

Somente agora eu vi esse documentário. Recomendo.

http://www.youtube.com/watch?v=lhWPF0_hYMg


Realização: Sicoob Crediconquista
Texto e Concepção: Esechias Araújo Lima
Edição de Imagem: Leandro Pinheiro



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Água no Listerine

Acordei cedo e viajei até Goiânia em companhia do meu amigo e colega de trabalho Marcos Roberto, um baiano de Camaçari (espécie difícil de se encontrar), que mora hoje em Jaboatão, na Grande Recife. Participaremos de um treinamento dos famosos manipuladores telescópicos, franceses, da marca Manitou.
Reservamos o hotel pela internet e, diante do nenhum conhecimento que tínhamos da cidade, acabamos pegando um do tipo que chamamos de "meia-boca". Começamos por dividir o mesmo taxi e o apartamento. No final do dia, rachamos ao meio um sabonete Johnson´s que comprei na farmácia ao lado. O hotel não tem aqueles sabonetinhos nem box no banheiro (apenas um rodo para puxar a água). Na pizzaria Scarolla o talharim também foi dividido.
E a conversa passou pro lado da economia. Lembrou que a sua mãe guardava o pó de café usado para economizar na janta. - E a minha tia, lá em Poções, também fazia a mesma coisa, emendei.
Conversa vai e lembrança em lembrança, falei que coloco água no vasilhame de shampoo quando esse tá acabando e rende mais algumas lavagens. Me lembrei de tanta gente pão-dura, que não vou citar nomes, mas dão umas boas histórias.
Marcos foi tomar banho e escovar os dentes. Usou o meus produtos de higiene e teve o desplante de dizer com aquela cara de Ugo Chavez:

- Porra! Até água você bota no Listerine. É pra render?

- Vá a merda, porque não te calas!!!,  respondi.


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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Carolina Caputo Sola - Falecimento

Morreu na noite de hoje, em Poções, Carolina Caputo Sola, mais conhecida como Lina. Era viúva de Giovanni Sola e mãe de Giuseppe Mario, Miguel Mário (já falecido) e Bruno Sola. Deixa os netos Marcos Vinícius e Carlos Eduardo; Elda Carolina, Thiago e Maria Clara; Bruna, Giovanni e Paula.
                                                  (foto: Vincenzo Sarno)

Lina era italiana da cidade de Rotonda, sul da Itália. Veio para o Brasil no início dos anos 50. Irmã da minha mãe Anna Maria, se tornou sua inseparável companheira, uma forma de amenizar a saudade da terra natal. Com essa vivência próxima, sempre tivemos um carinho especial de filhos.

A costura foi uma arte que trouxe da Itália. Durante muitos anos, manteve um ateliê na sua casa da Av. Olimpio Rolim, sendo um dos preferidos da sociedade poçoense. Depois, se mudou para Salvador. Após o falecimento do marido, voltou a residir em Poções.

Também era exímia na culinária. Além das massas fusilli, cavatelli e pizzas (especialmente alho e óleo), fazia doces como o “canuletto” e “glispella” nas épocas das festas natalinas ou datas especiais. Havia alguns pratos que eu não deixava de comer - “batatas fritas com pimentão”, os minestrones, os bifes à milanesa, sem contar as linguiças calabresas.

Minha tia nos deixa um legado de simplicidade e exemplos de família que aplicaremos no dia-a-dia. Com o falecimento de Lina, encerra-se a geração de tios nascidos na Itália pertencentes às famílias Sola, Sangiovanni, Sarno e Libonati.

P.S. - Meu abraço e carinho aos queridos primos e sobrinhos. Estou na cidade de Senhor do Bonfim – Ba e impossibilitado de chegar em Poções para este adeus final.   


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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Com medo do Sacomé

Adroaldo é um dos técnicos que trabalham comigo e excelente profissional no conhecimento mecânico e trato com o cliente.

Tem o vício de falar a palavra sacomé em todas as frases que pronuncia. Sacomé é a forma popular de dizer "sabe como é".

Um dia, explicando o funcionamento de um equipamento ao cliente, disse:

- O Senhor, sacomé, se precisar elevar cargas, sacomé, pode empurrar a alavanca, sacomé, para baixo e o implemento, sacomé, vai fazer isso.

Meses se passaram, o equipamento deixou de funcionar a elevação de cargas e o cliente me liga e diz:

- O equipamento deixou de funcionar de repente.

Tentando identificar uma causa, perguntei se dava para ele fazer uns testes e dizer o que ocorria.

Ele respondeu: - Rapaz, acho que a alavanca não funciona!

- Qual alavanca?, perguntei.

- Acho que foi a sacomé.


Semana passada, contava essa história para dois colegas na mesma hora que passava Anália, que faria hora extra depois do expediente e ficaria sozinha na sala.

Interrompi e falei: - Venha ouvir aqui a história do sacomé!

Ela, coitada, quase apavorada, respondeu:

- Eu não quero saber nenhuma história de sacomé. Você sabe que vou ficar sozinha e morro de medo de assombração.



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domingo, 24 de junho de 2012

I Fórum Social Local do IECEM - Mina São Félix do Amianto

Publicado no Jornal do IECEM, por Ângela Rocha

I FÓRUM SOCIAL LOCAL DO IECEM
MINA DE SÃO FÉLIX DO AMIANTO: HOMEM E NATUREZA DILACERADOS
 
Aconteceu em 17 de maio de 2012, o I Fórum Social Local sob o tema `` Mina de São Félix do Amianto: homem e natureza dilacerados``, no salão da Câmara de Vereadores de Poções a partir das 19 hs.
O evento organizado pelos estudantes do 3º ano do IECEM foi fruto do projeto homônimo orientado pelos professores: Augusto, Cleide Jane, Daniela, Francisco e Zenilda durante a II Unidade. Na verdade o Fórum foi a culminância de uma série de atividades que envolveu muita pesquisa, aulas de campo, entrevistas e seminários Tinha por objetivos: sensibilizar , envolver estudantes a descobrir e conhecer o sério problema do amianto na região, informar a comunidade, provocar discussões, organizar o fórum e produzir a carta aberta para a Rio +20, Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável a realizar-se em 2012, na cidade do Rio de Janeiro.
A mesa de discussão contou com Jânio Oliveira Rocha, Diretor do IECEM, professor e ambientalista, amigo colaborador dos ex-trabalhadores da Mina; Esmeraldo Teixeira, membro representante da ABEA ( Associação Bahiana dos Expostos ao Amianto), Taluana Lúcia Leão Magalhães, representante do Centro de Referência à Saúde dos Trabalhadores (CEREST), Professor Francisco José Barbosa de Almeida, agrônomo, biólogo , representando o grupo de professores orientadores do Projeto e a estudante Ana Clara Cunha Soares Silva, representando todos os alunos do 3º ano do Ensino Médio do IECEM.
 
Leia o texto completo e a carta enviada ao Rio +20:  http://jornaldoiecem.blogspot.com.br/
 
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sábado, 23 de junho de 2012

São João passou aí?

Dedicado a Vitório Dias, grande amigo (in memoriam)

Vitório Dias já trabalhava na loja de Américo Libonati e eu era pré-adolescente. Quando a loja fechava, ele passava pela porta da loja de meu pai e perguntava se eu queria bala Juquinha, lá na mercearia de Miranda e Arcênio Alves. Fidélis, o balconista, colocava uma dose de jurubeba pra ele e três balas Juquinha pra mim.
Ele veio morar em Salvador e a gente se encontrava na loja "Tio Correia", onde trabalhava, e nas festas do Divino. Várias vezes, fizemos parceria nas noitadas de cachaça da festa.

Em um dia de São João, na porta de casa, junto com Michele e Pepone resolvemos fazer uma fogueira no final da tarde. Michele providenciava a madeira, Pepone pegava a cerveja e eu montava a fogueira. Passa Vitório em um carro branco ouvindo um forrozinho de CD e nos faz companhia na cerveja. Conversa vai, conversa vem, uma lata de cerveja aqui, uma história lá, uma dose de cachaça com limão ali, uma lenha e um cavaco ali, terminamos a fogueira e fomos dar uma volta.

Dei de presente a Vitório um CD de “Robério e seus teclados” e logo fomos ouvindo. Ele aumentou o volume e a gente nem conseguia ouvir o que o outro falava. Fomos parar na sua casa na Rua de São José. Tomei duas doses de whisky daquelas calibradas e já comecei a querer andar sentado.

Passamos no bar ao lado da praça do Coreto e fomos contar histórias. Tomamos umas três cervejas e passei a régua. Chegou pra mim. Ele me deixou em casa.

Lá, da nossa varanda, eu enxergo uma mão acenando da casa de Humberto Schettini. Era Marquinhos me chamando. Eu gritei logo: São João passou aí??? E fui atravessando a rua. Me convidou para um copo de vinho e tomamos quase uma garrafa inteira.

Voltar para casa, atravessar a rua não era problema. Problema era tirar da minha cabeça a idéia de ir na Fazenda Caetitú tomar a saideira com João Novaes. Quem passava o São João por lá era o radialista Varela e eu queria saber se realmente aqueles tapas que dava no programa eram mesmo de verdade.

Foi um pandemônio em casa. Esconderam a chave do carro. A sorte, João de não ter que suportar um porre de porre, e dos outros, que esconderam a chave, foi que eles vieram da Fazenda para passear em Poções. Fizemos uma espécie de semi-círculo e tomei um tapão na mão e Varela dizendo: - Com esse, já vai dá pra ficar bom da cachaça!!!

E me lembro porque foi filmado. O resto não me lembro. Minha sobrinha Juliana parou de filmar e o registro se perdeu no travesseiro. Perdeu-se na memória.

O que não perdi foi o sono e a vontade de beber água a noite toda. Na cabeça, aquele chamado entre as  músicas do disco: “Roooobéééééério e seus teclados”.

O dia seguinte foi outra história. Depois eu conto.

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quinta-feira, 21 de junho de 2012

São João - Os balões de João Peixoto

Se fosse nos tempos de hoje, seu João Peixoto seria preso e nós não teríamos a beleza daqueles grandes balões nas noites de São João. Não haveria a tradição.

E tome balão. Eles cruzavam no sentido sudeste/noroeste e chamavam a atenção pela grande quantidade de luz irradiada e pelas lanternas penduradas. Vinham, na maioria, da rua de Morrinhos. Seu João Peixoto tinha uma casa comercial naquela área alta e dalí mandava os balões aos céus para homenagear São João (Peixoto), imagino.

Ele era o mais famoso fabricante da cidade. Tinha a hora certa de soltar. Os outros balões menores também eram conhecidos. Eu sabia quem fazia, porque na loja a gente passava o mês dobrando as folhas de papel de seda por cores para facilitar a comercialização. Quando alguém comprava, eu perguntava logo o tamanho que a pessoa iria fazer o balão.

Tinham os tamanhos definidos pela quantidade de folhas que se usava na fabricação: 8, 16, 32, 64 e 128 folhas. Então, era fácil identificar a origem. O Sargento Severino e os atiradores faziam os balões acima de 64 folhas. Juntava muita gente para ajudar a soltar.

Mas, o interessante é que muitos tinham uma crença. O balão cairia nas suas mãos se fosse usado um espelho. Então, eu pegava o espelho do banheiro e deixava atrás da porta para atrair o balão. Ficava o tempo todo olhando para o céu a espera de um deles.

Quando um balão ameaçava cair numa área mais povoada, a quantidade de crianças e adolescentes com espelhos nas mãos era grande. Na briga para resgatar, acabava rasgando ou queimando o mesmo.

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São João - As fogueiras de Lindolfo Brito

No tempo das boas festas de São João, me lembro das fogueiras que eram feitas pelo Sr. Lindolfo Brito (na genealogia, Lindolfo era casado com Dona Dadá, pai de Zorilda, que é a mãe de Zé Palladino, que é irmã de Edson e de Alênio Brito – acho que não errei).

Penso que as fogueiras tinham uns 10 metros de altura. Posso estar enganado nessa medida, pois a ilusão ótica é diferente de quando era pequeno para os dias de hoje.

Mas, a fogueira era montada apoiada em quatro grandes estacas e as madeiras amarradas, assumindo o formato retangular. Se usava até escada para montar a parte mais alta.

Em volta e na rua, um bocado de bandeirolas de papel de seda formava um pequeno arraial. Nesse clima, havia a curiosidade de ir ver a grande fogueira pegar fogo. Na manhã seguinte, logo cedo, outra curiosidade: saber quanto ele queimou e isso virava o assunto do dia.



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Cu de burro

Um dos porres mais brabos que tomei aí em Poções, foi com a bebida cu de burro.

Só fui aprender depois de velho e quem me ensinou foi Marão (Mário César Sarno), lá em Morrinhos. Com a voz carregada, começou a contar umas histórias e dizia que aprendeu a gostar da bebida na época em que morou em Minas Gerais:

- Ô Lu, tome uma dose, você vai gostar! Na mesinha ao lado, a jarra com o sumo de limão, a garrafa de cachaça e um pires com sal.  Melava a boca do copo no sal e enchia um com cachaça e o outro com o limão. Daí em diante, a forma de beber era ao meu gosto. Mas tinha uma regra, só podia misturar na boca.
Tomei várias que nem lembro das histórias que contamos naquele dia. Até hoje, me lembro do peso da ressaca.

Aproveite o São João e tome uns cu de burro por aí.


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domingo, 17 de junho de 2012

Por correspondência

Tinha uma época em que os cursos profissionalizantes eram disponíveis apenas por correspondência. Todas as revistas traziam cupons que deveriam ser preenchidos e enviados pelo correio.

Na primeira correspondência recebida, chegavam os históricos dos cursos, os programas e os custos. Também vinha a ficha de matrícula. O pagamento era via vale postal. Depois de pago, recebia-se o material. Fazia-se a prova e, no final, chegava o tão almejado diploma. O curso de rádio era feito em oito lições e ainda as peças para se montar um aparelho vinham juntas.

Havia cursos de Técnico em Rádio e Televisão, Cabeleireiro, Corte e Costura, Madureza Ginasial, Fotografia, Eletricidade e tantos outros. Tinha até o curso de fisicultura, para quem quisesse se canditar ao concurso de Mister América, aqueles caras musculosos. O Instituto Universal Brasileiro era o maior deles e existe até hoje (www.institutouniversal.com.br), via internet.

Eu fazia coleção das informações desses cursos. Guardava numa caixa de sapatos. Mandava uns dez cupons por mês.
Resolvi fazer o curso de Eletricidade Básica, mas não fiz as provas. Fiz mesmo foi o de Português no Divulgação Brasileira de Cursos. Se alguém pensa que isso não tem valor, digite o nome do curso no google e vai ver que tem um desembargador mineiro que coloca no seu currículo o curso de Português feito um ano antes na mesma instituição.

Então, fazendo as contas, mês que vem, eu faço 41 anos de curso por correspondência.

Uma velinha para comemorar.

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sábado, 16 de junho de 2012

Quando a roupa conta a história

Aqui, com meu chapéu de palha na cabeça, me pego olhando velhas fotografias. Tenho um vasto arquivo já escaneado e catalogado que me permite ver por assunto. O chapéu de palha é para comemorar o São João, a forma aportuguesada da palavra Sangiovanni.

Viajo no tempo e consigo enxergar e lembrar de uma cidade bem primária. Não faz tanto tempo assim, talvez, uns 50 anos atrás.
Desde antes, a cidade já clamava por um desenvolvimento. Era a novidade da cidade o prédio dos Correios (ECT, como se chamava antigamente). A foto mostra um passeio em um dia de domingo. E como eu sei que foi num domingo? Claro, os dois, meu pai Chico e meu tio Américo Libonati, estavam de paletó e eu usava um conjunto de mesma cor e sapato com meias. Era comum o uso da gravata durante a semana, mas o paletó era usado apenas aos domingos por causa da missa. A calça curta era comum às crianças e somente se usava calça comprida depois dos 15 anos. As pessoas que passam também estão vestidas de forma mais social, talvez voltando da missa.

Mas, o importante, é olhar a paisagem ao fundo da foto e ver o vazio que existia. Veja que a praça da feira nem era projeto. Ela era na praça onde se festeja hoje a Festa do Divino.

Você que mora na cidade nos dia de hoje, imagine que a diversão de antigamente era conhecer as novidades da cidade. Da rua da Itália até os Correios uma boa caminhada e, por vezes, desbravando matagais porque não existiam casas no caminho.

O poder da fotografia é fantástico. Conta a história a partir de uma ingênua pose.

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Bruno D´Antonio - Falecimento

Recebo comunicado do falecimento de Bruno D´Antonio, ocorrido hoje em Poções.

Era italiano e sobrinho do casal Nicola e Nicoleta, irmão de Berardo (já falecidos) e primo de Rocco D' Antonio. Ao chegar ao Brasil residiu na cidade de Itiruçu - Ba e se radicou definitivamente em Poções.

Após ficar viúvo, casou-se com Alba Marinho. Deixa cinco filhos - três do primeiro casamento e dois do segundo. Tinha aproximados 70 anos.

À família, os meus sentimentos.

(Lembrando que a família comandada pelo Sr. Nicola foi a primeira a desenvolver técnicas agrícolas mecanizadas para a lavoura de hortigranjeiros. A tradição do cultivo nesse segmento na nossa cidade sempre foi representada pela família D´Antonio. O primeiro trator de pneus que tive a oportunidade de conhecer era do Sr. Nicola).

(Com a colaboração de Bruno Sangiovanni)
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sábado, 9 de junho de 2012

Bau, o alfaiate - no tempo da boca de sino

Em 1975, eu comecei  a trabalhar. Fui fazer a entrevista numa sexta-feira e o cidadão me disse que deveria cortar os cabelos, colocar uma camisa decente, usar sapatos e tirar a boca de sino da calça para poder ser entrevistado pelo diretor da empresa, na segunda-feira.
Naquela época, eu e os jovens usavamos cabelos compridos, camisa deixando ver o umbigo e com as laterais recortadas (tinha ainda quem utilizava bonés de duas abas). A calça boca de sino tinha o cós amarrado por cordão no lugar do cinturão de couro, sem bolsos e o maço de cigarros (quando dava para comprar)  colocava na cintura ou carregava na mão junto com o isqueiro. Os sapatos eram substituídos por altos tamancos de couro – eu usava um tipo anabela.
Fui na Piedade cortar os cabelos, comprar uma camisa social e um par de sapatos. Não restou dinheiro para comprar a calça. O jeito era sacar a nesga que dava o efeito da moda e ajustar a bainha. Tinha que fazer isso no sábado.

Recorri para Adalberto, o Bau, nosso alfaite, que havia trabalhado em Poções no Beco dos Artistas e tinha se mudado para um dos casarões da rua da Misericórdia, aqui em Salvador, e montado o seu ateliê. Quem o conhecia, sabia da sua habilidade na profissão e costurava para a grande maioria de jovens que aqui residiam e estudavam. Era mais um ponto de bate-papo para quem ia pegar o ônibus na praça da Sé ou no viaduto da Sé, ali no incío da ladeira da Praça. Não perdíamos a oportunidade de atualizar o nosso “face-book” da época.
Ele fez o serviço numa sentada e ainda colocou o cós que permitia o uso de cintos. Na segunda-feira, Fernando Ferreira, o entrevistador, não me reconheceu devido a mudança de visual e me deu o emprego que durou 17 anos.

Bau, então, foi um dos responsáveis diretos por essa transformação.

Ele é de Iguaí e nunca mais tive notícias. Quem souber, por favor, me informe por onde anda.


Jorge Dantas (Jorge de Duca) comenta:
Vivi muita a época do beco dos artistas, onde o Adalberto Gonçalves (o Bau) trabalhava fazendo as nossas calças de lona tipo cigarretti e as camisas modelo Roberto Carlos. Da Misericórdia saiu para a Coelba onde se aposentou, tem fazenda em Iguaí e mora atualmente em Itapetinga.



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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Por onde anda Nilton Porquinho?

Na busca por amigos distantes e dando sequência à seção Por Onde Anda, encontrei através do blog o casal Nilton (Porquinho) e Glória, amigos de Poções, morando na cidade de Luziania, estado de Goiás.

Pelo que conta Nilton, eles também tem a Festa do Divino e matam a saudade, pois na sexta tem folia de rua, o povo rezando e outros tomando pinga, iguais a Poções. Ele diz que se emociona bastante ao ler notícias dos amigos e está sempre ligado no blog.

Com Glória, a sua mulher, também uma poçoense de fibra, forma um belo par. Pais de Crisneilara e Rosely, tem os netos Isadora de 17 anos, Maria Clara de 10 e Leonardo de 6.

Também conhecido como Niltinho, é uma figura que todos nós lembramos pela sua forma espontânea, dono de um humor diferenciado e um amigo especial. Extremo gozador e autor de vários apelidos da lista que publiquei. Ele assina os email´s como Nilton Porquinho, assumindo assim, a autêntica naturalidade do poçoense. 

Sinto saudades dos momentos de boa conversa aqui em Salvador, quando veio fazer vestibular, sem contar, é claro, com as histórias e os "causos" em Poções.
Pois é, quem quiser entrar em contato com o casal, mandar email para niltonconquista@hotmail.com

Grande abraço a esses "poçoenses goianos".

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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Mormanno, 22 anos depois


Direto de Mormanno - Itália
Depois de vinte e dois anos, retorno a cidade de Mormanno, ao sul da Itália. É sempre um caminho especial, o mesmo que foi feito pelos nossos pais, tios e demais italianos que viveram em Poções por muitos anos.

Os que não vieram de Mormanno, vieram de Trecchina – mesma região.

Percorrendo a auto-estrada em um ônibus, tento entender as dificuldades do passado, as dificuldades de atravessar regiões montanhosas até se atingir o porto de Napoli e enfrentar uma travessia de 11 dias, aportar em Santos – Sp. Daí, chegar em Salvador e depois Poções.

Uma cidade diferente das que estamos acostumados a ver, mas comum em toda aquela região. Em Mormanno, existem apenas quatro mil habitantes. Casas sobrepostas na montanha, uma única via principal que, às vezes, dois veículos não se cruzam. Uma praça pequena por onde a cidade circula, as notícias, as festas, comemorações e lembranças. Para eles, o mundo é aqui. Não é melhor porque Cristóvão Colombo descobriu a América e muita gente foi embora. Talvez a vida aqui tenha demorado de passar, mas os costumes continuam os mesmos.
Foto de 1990

Foto atual
Todas as pessoas na praça estão ali acompanhando as outras, conversando, comprando e vendendo ou apenas sentados. Entre caminhava e fotografava, fui apresentado a um senhor de nome  Faraco (Grisolia Raffaelle) e, ao saber que era “americano”, disse logo que eu era a cara de meu pai e que havia trabalhado com ele quando ainda morava na cidade (meu pai foi morar no Brasil em 1951).
Aqui, ainda vive Domenica Sangiovanni, 102 anos, irmã do meu pai. Giulia, a irmã de minha mãe, e primos de três gerações. Uma descendência que durará anos.
A cidade produz queijos, mussarela e salames diversos – produtos calabreses autênticos. Nas pequenas lojas de vendas de frios, a gente enxerga o quanto é forte a produção e dá vontade de levar todos esses produtos para o Brasil.
Existe uma cooperativa formada por dezoito produtores e investem no sistema de gado confinado e porcos para engorda. Produzem oito mil litros de leite e são transformados nos produtos finais. Os porcos são abatidos quando atingem 120 kg e transformados nos embutidos famosos em toda a região. Um dos administradores dessa cooperativa é Pietro Sangiovanni, nosso primo. Eles encontraram na Cooperativa Campotenese a forma de produzir em uma região montanhosa e aproveitar todos os espaços disponíveis.
Um fato histórico na cidade foi a descoberta de duas grandes criptas na área inferior da Catedral de Santa Maria del Colle, utilizadas antigamente como cemitério de pessoas comuns e de sacerdotes, muito bem mostrada e explicada pelo primo Giuseppe Fortunato.

Daqui do alto, no bairro San Biase, enxergo o movimento tranquilo da cidade, o verde das montanhas que a cercam e o penacho da torre da Igreja de San Rocco, o que marca a minha primeira lembrança de uma Mormanno que apenas conhecia de fotos trazidas pelos nossos parentes.

Vinte e dois anos depois, realimento o passado respirando um pouco desse clima, não só de quatorze graus, mas de onde saiu uma parte da nossa história. Convivendo com o dialeto da língua, vem na mente as reuniões dos tios nas varandas das casas em Poções. Comer o doce "bocconotto" original é sentir a tradição que ultrapassou o oceano e foi parar nos aniversários da família.

É muita lembrança.

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quinta-feira, 24 de maio de 2012

A pizza Margherita, por acaso!

Direto de Napoli - Itália

"Não deixe de provar a pizza Margherita, é a mais famosa de Napoli", recomendou minha mulher. Na noite anterior, atendi a recomendação e comi a pizza num lugar chamado Antonio&Antonio.

No dia seguinte, andando sem compromisso, vi um dos becos da cidade e fotografei. Quando olhei pra cima, deparei com a placa comemorativa dos 100 anos da famosa pizza e da pizzaria Brandi, que é de 1780. Estava no meio da história da pizza, sem querer.


O texto a seguir é do Wikipédia:

 Criada no ano de 1889 pelo pizzaiolo Rafaelle Esposito, para homenagear a rainha Margherita di Savoia durante sua visita à cidade de Nápoles. Os ingredientes usados foram escolhidos de forma que as cores fizessem referência a bandeira da Itália: branco representado pela mozarela, verde pelo manjericão e vermelho pelo tomate. 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A Itália protesta...

Direto de Napoli - Itália

Os noticiários da semana dão conta de fatos ligados à violência.

Todas as regiões protestam os vinte anos da morte do Juiz Giovanni Falcone, atentado ocorrido na cidade de Palermo, quando este declarava guerra à mafia italiana. Várias atividades estão sendo realizadas por todas as classes para lembrar o episódio.

Outro protesto que movimenta toda a Itália, principalmente os estudantes, é o da morte da jovem de 16 anos, Melissa Bassi, que ocorreu dias atrás na cidade de Brindisi, após um atentado a bomba. Acompanhei um protesto realizado por universitários no centro de Napoli (foto).

O terremoto na região da Emília também vem sendo muito explorado.

Com notícias desse nível, os canais de televisão discutem fortemente com os políticos, cobrando ações e posições claras.


A única boa notícia local foi a vitória do Napoli sobre a Juventus, pela Copa da Itália, na noite de domingo, enchendo as ruas, principalmente a região onde fica o hotel que me hospeda.


O cartaz acima anuncia a morte da Juventus e convida para o funeral que sairá de Roma para toda a Itália.

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terça-feira, 22 de maio de 2012

Ao pé do vulcão, fora da Festa

Infelizmente não estarei na Festa do Divino desse ano. Estou na cidade de Nápoles, na Itália, em viagem de trabalho, longe do terremoto, mas pertinho do vulcão.

Quando retornar, contarei algumas histórias e particularidades dessa bela cidade e também de Mormanno, onde viveram os meus pais.

Desejo a todos uma excelente Festa!!!


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sábado, 12 de maio de 2012

Por onde anda Salvador Agapito Vaz?

A partir de hoje, o Blog traz uma novidade: a seção “Por onde anda?”. Tem o objetivo principal de reencontrar filhos e amigos de Poções espalhados pelo mundo afora. Se você sabe ou quer saber de algum amigo distante, a seção terá essa função de divulgar.

Para inaugurar a seção, convidei o meu amigo Salvador Agapito Vaz. Ele se tornou um leitor habitual e sempre manifestou as suas opinões sobre a cidade e as histórias aqui contadas. Com certeza, foi uma reaproximação trazida pela existência do Blog. Leia o relato dele:   

"Eu nasci em Ipiaú, mas praticamente  não a conheço, pois viemos morar em Poções quando eu tinha 5 anos. Mas me considero poçoense vibrante e de coração.

A minha família chegou a Poções em março de 1955, com meus pais, Jugurtha Brandão Vaz e Tarcila Agapito Vaz (dona Nita) e meu irmão José Eduardo Agapito Vaz; meus avós,  Dr. Salvador Vaz Sampaio (médico) e Alice Brandão Vaz; meus tios Zóstenes Brandão Vaz e Hilda Cardoso Vaz e meus primos Enia, Stela, Zostinho e Paulo (este poçoense).
Estudei no Grupo Alexandre Porfírio e no Ginásio Estadual. Tenho muitos amigos aí, não os nominarei para não incorrer em esquecimento de alguns.

Muitos outros não estão mais entre nós, tiveram as suas vidas abreviadas, mas sempre estão presentes em minha memória.
Em 1965, fui morar em Vitória-ES, mas sempre nas minhas férias eu ia a Poções. Aqui em Vitória, estudei, casei e tive os meus três filhos e já tenho cinco netos. Estudei na Escola Politécnica de Engenharia do ES e formei em Engenharia Mecânica e fiz Pós- Graduação na FGV em Gestão Empresarial. Trabalhei no Senai, Vale do Rio Doce, Aracruz Celulose, Açominas e Siderúrgica de Tubarão. Hoje, estou aposentado e dou Consultoria na área de Gestão.

Meu e-mail: savaz@terra.com.br
Abraços,
Salvador Agapito Vaz"

Nota do blog:
Minha ligação com Salvador Vaz vem da época da Rua da Itália quando eu e Zostinho éramos parceiros nas brincadeiras com os demais amigos da rua. Através dessa amizade, eu frequentava as residências do avô Dr. Salvador (depois da casa de Félix Magalhães) e do seus pais Jugurtha e Dona Nita, quando a gente conversa assuntos diversos. Salvador, quando chegava em Poções, a gente sabia pela placa do carro, que era de Vitória-ES. Além dos tios e primos citados por Salvador, complementava a família o irmão do Sr. Jugurtha, Sr. Estácio e seus dois filhos Estacinho e Alicinha.
Agradeço a sua disponibilidade em mandar esse relato.


terça-feira, 8 de maio de 2012

Festa do Divino - entrevista

Entrevista concedida ao repórter Fábio Júnior Souza Lopes, publicada no site  www.uniaoperfeita.com


UP - O que é a Festa do Divino em Poções?
A Festa é tradicionalmente religiosa, uma devoção do povo poçoense. Alguns fatos marcam exatamente essa devoção e evidenciam atos religiosos ligados ao passado. Por exemplo: a Bandeira revive a chegada daqueles que fundaram a nossa cidade. O Mastro, relembra a mudança da capela que existia atrás do Grupo Escolar Alexandre Porfírio para a atual igrejinha.

Então, eu acredito que todas essas manifestações, ao longo dos anos, reforçaram a fé do povo e fortificaram a Festa, que se tornou, evidentemente, no importante marco religioso da nossa cidade.
UP - Quais foram as mudanças e as permanências que você observou da década de 90 para cá?
Permaneceram os dois eventos acima graças aos esforços de alguns poucos, capitaneados pelo Sr. Homero.  As particularidades da Festa de largo mudaram bastante. Antigamente, a praça era uma continuação festiva dos eventos religiosos – o parque era na praça principal com alto-falantes. O pavilhão pertencia à igreja e lá se realizava o leilão de objetos ofertadas pela população, inclusive quermeses de um modo geral. Essas coisas geravam recursos para a Igreja.

As barracas, que eram consideradas avançadas para a época, pertenciam aos estudantes das diversas séries do curso Ginasial, com o objetivo único – arrecadar dinheiro para se efetuar uma viagem quando se completava a quarta série ginasial, que nós chamávamos de “embaixada”. Então, se vc se posicionar fisicamente de costas para a Igrejinha, o pavilhão ficava ali. O parque na sua frente, no meio da praça. Do lado direito, as barracas do Ginásio. Do lado esquerdo, defronte ao Isaias Alves, as tradicionais Barracas de Dona Alvina, Dona Lourdes, entre outras. Ao lado da entrada da praça onde residia Afonso Manta, ficavam os “botequins”, que eram realmente a parte profana da época. 
No pavilhão, se apresentava a Filarmônica e, depois, alguma banda de música local ou contratada pela Prefeitura. Naquele momento, eu acho que a Prefeitura passou a assumir esse papel e “tomou” da Igreja o pavilhão da Festa. Daí em diante, a política imperou e cada vez mais as bandas e as atrações principais  passaram a tomar conta da praça. O parque foi empurrado para outro lado. As barracas passaram a ser estritamente comerciais e mudaram as características da praça. Tomou ares de uma grande festa de largo.

UP - Quais maneiras essas mudanças interferiram na vida das pessoas e no jeito de fazer e pensar a Festa do Divino em Poções?
Essa é uma boa pergunta. Houve uma mistura de velhos e tradicionais frequentadores da Festa com os jovens. Cada um tentou ocupar o seu espaço e o povo começou a sair do pavilhão e frequentar outras barracas. O barulho dos shows ampliado nas caixas de som espalhadas pela praça afastou quem queria conversar e trouxe a turma jovem para o local.

Há uma turma que ainda frequenta o pavilhão nas sextas e sábados – são pessoas da “velha guarda” procurando pelos velhos amigos. Então, aos poucos, a tradição de reencontrar amigos foi se acabando pela falta de opção e estímulo. Não vejo que isso possa ser recolocado no seu devido lugar se não houver bom senso. Esse espaço e o momento podem ser melhorados se a programação musical da tarde desses dias (sexta e sábado) for alterada para músicas adequadas ao pessoal de idade mais avançada. No ano passado, uma banda local tocava com o volume estridente e ninguém tinha coragem de ficar na frente daquele palco devido a baixa qualidade musical. Isso espanta e todos sabem que eventos tem a música como pano de fundo. Enfim, deve ser repensada uma relação custo-benefício.
Entretanto, não estou defendendo a volta ao passado. Defendo a utilização racional do espaço, agradando a todos o cleros. Os jovens devem ter os seus espaços e lotar as praças. Enfim, todos querem se divertir ao seu modo. Todos querem ver uma atração famosa. Quem não quis ver Leonardo, Daniel ou outras atrações? Até eu.

UP - Na sua opinião quais foram as razões que levaram a possível desvinculação entre o profano e religioso nos festejos do divino?
Sem dúvida, os dois maiores protagonistas da Festa são a Prefeitura e a Igreja, que representam o profano e o sagrado, respectivamente. A Igreja tá lotada e a praça mais lotada ainda. Teoricamente, os dois fazem bem os seus papéis e atraem as pessoas para os seus espaços. O que a Igreja reclama é que existe muita carência da população e poderia ser amenizada pelo dinheiro que a Prefeitura gasta. Isso gera o desgaste e se alfinetam. A Festa é um prato cheio para os políticos e cada um deles quer aproveitar para mostrar a sua força e garantir o apoio futuro.

Não acredito que em Poções as coisas tenham que ser diferentes dos outros lugares. Devoção, oração e festas andam juntas em todos os cantos desse mundo. Acho que deve existir bom senso e evitar os exageros. A Prefeitura pode reduzir os seus gastos com algumas inutilidades culturais (bandas sem estrutura e conhecimento musical). Deve incentivar para que os recursos gastos, na maioria, fiquem na cidade.
UP - Podemos dizer que a proposta da igreja em separar o profano do religioso causou uma guerra santa em Poções? Porque?
Não vejo que tenha se tornado uma guerra-santa, porque não se enxerga uma guerra definida entre duas posições religiosas. Acho que existem posições “políticas” pelos interesses que os dois lados têm. No meio dessas posições, está o povo, que imagino, sem opinião definida e na expectativa de uma boa solução. Ninguém, de sã consciência vai querer que a Festa se divida. Minha opinião é que existem dois eventos fundamentais - a Chegada da Bandeira e o Mastro. Numa possível separação de datas, haveria um esvaziamento e o fim da Festa seria decretado.

UP - De fato essa desvinculação aconteceu?
Com certeza elas estão desvinculadas nos seus interesses, mas unidas na tradição e na fé do seu povo.

UP - Quais valores prega hoje a Festa do Divino? E quais pregaram a 10 ou 15 anos atrás?
O mundo mudou rapidamente e Poções não poderia ficar de fora. Se quiser comparar os valores da Festa de antigamente com os dias de hoje, veja no Museu do Iecem uma gravação de imagens feitas por Pepone, meu irmão, nos anos 80, onde as opiniões das pessoas refletem esses valores. Nas entrevistas, duas perguntas foram básicas e simples: - Você acha que a Festa mudou? - Você acha que a Festa está melhor ou pior que o ano passado?
Veja que trinta anos atrás essa preocupação existia, já acontecia a inversão de papéis. Os tempos eram outros. A tradição era o pano de fundo. O povo se divertia com muito pouco. Era o bastante você reencontrar os seus amigos naquele ambiente. Os perfis da Festa são inteiramente diferentes se comparamos os comportamentos.

UP - Podemos dizer que hoje a Festa do Divino se tornou mais popular do que religiosa?
Popular nos dois aspectos. Mais popular religiosamente e mais popular profanamente. Graças ao Divino, não temos trios elétricos. Isso seria o fim.

Ainda temos orgulho de dizer que a Festa do Divino é nossa. Até quando? Só o Espirito Santo sabe.

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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Festa do Divino 2012

A Prefeitura divulgou o cartaz da Festa do Divino de 2012